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Livro Eventos Finais

Estudo Por: Fábio soares.

Capítulo 3 - Quando sucederão estas coisas?”
Livro Eventos Finais
Os discípulos interrogam a Cristo acerca de sua volta

As palavras de Cristo (Mateus 24:2) foram proferidas aos ouvidos de grande número de pessoas; mas quando Ele Se achava só,sentado sobre o Monte das Oliveiras, Pedro, João, Tiago e André foram ter com Ele: “Dize-nos”, perguntaram, “quando serão estas coisas, e que sinal haverá da Tua vinda e do fim do mundo?”.

Jesus não respondeu aos discípulos falando em separado da destruição de Jerusalém e do grande dia de Sua vinda. Misturou a descrição dos dois acontecimentos. Houvesse desenrolado perante os discípulos os eventos futuros segundo Ele os via, e não teriam podido suportar esse espetáculo. Por misericórdia com eles, Jesus misturou a descrição das duas grandes crises, deixando aos discípulos o procurar por si mesmos a significação. — O Desejado de Todas as Nações,628.

O tempo da volta de Cristo não é conhecido

e repeti dos fracassos têm sido o resultado. O tempo exato da vinda de nosso Senhor, diz a Bíblia, acha-se além do conhecimento dos mortais. Mesmo os anjos que ministram aos que hão de ser herdeiros da salvação, não sabem o dia nem a hora. “Porém daquele dia e horaninguém sabe, nem os anjos do Céu, mas unicamente Meu Pai. ”Mateus 24:36. — Testemunhos Seletos 1:504

Não devemos saber o tempo exato para o derramamento do Espírito Santo ou para a vinda de Cristo. ... Por que Deus não nos deu este conhecimento? — Porque se o fizesse, não faríamos correto uso dele. Desse conhecimento resultaria um estado de coisas entre o nosso povo que retardaria consideravelmente a obra de Deus no sentido de preparar um povo que permaneça em pé no grande dia que está para vir. Não devemos viver ansiosos quanto ao tempo. ...

Não sereis capazes de dizer que Ele virá dentro de um, dois ou cinco anos, nem deveis protelar Sua vinda declarando que talvez não ocorra dentro de dez ou vinte anos. — The Review and Herald, 22de Março de 1892.


Capítulos do Livro:

Capítulo 1 - A última crise da terra
Ampla apreensão pelo futuro

O tempo presente é de dominante interesse para todo o vivente. Governadores e estadistas, homens que ocupam posições de confiança e autoridade, homens e mulheres pensantes de todas as classes, têm sua atenção posta nos acontecimentos que tomam lugar ao nosso redor. Estão observando as relações que existem entre as nações. Eles examinam a intensidade que está tomando posse de cada elemento terreno, e reconhecem que algo grande e decisivo está para acontecer que o mundo está no limiar de uma crise estupenda.— Profetas e Reis, 537.

As calamidades em terra e mar, as condições sociais agitadas, os rumores de guerra, são portentosos. Prenunciam a proximidade de acontecimentos da maior importância. As forças do mal estão se arregimentando e consolidando-se. Elas se estão robustecendo para a última grande crise. Grandes mudanças estão prestes a operar-se no mundo, e os acontecimentos finais serão rápidos. — Testemunhos Seletos 3:280.

Tempos turbulentos que ocorrerão em breve

O tempo de angústia, que há de aumentar até o fim, está muito próximo. Não temos tempo a perder. O mundo está agitado com o espírito de guerra. As profecias do capítulo onze de Daniel quase atingiram o seu cumprimento final. — The Review and Herald, 24 de Novembro de 1904.

O tempo de angústia — angústia qual nunca houve, desde que houve nação (Daniel 12:1) — está precisamente sobre nós, e somos semelhantes às virgens adormecidas. Devemos acordar e pedir que o Senhor Jesus ponha debaixo de nós os Seus braços eternos e nos conduza durante o tempo de provação à nossa frente. — Manuscript Releases 3:305.

O mundo está-se tornando cada vez mais iníquo. Em breve surgirá grande perturbação entre as nações — perturbação que não cessará até que Jesus venha. — The Review and Herald, 11 deFevereiro de 1904.

Estamos mesmo no limiar do tempo de angústia, e acham-se diante de nós perplexidades com que dificilmente sonhamos. — Testemunhos Seletos 3:306.

Estamos no limiar da crise dos séculos. Em rápida sucessão os juízos de Deus se seguirão uns aos outros — fogo, inundações e terremotos, com guerras e derramamento de sangue. — Profetas eReis, 278.

Há perante nós tempos tempestuosos, mas não pronunciemos uma só palavra de incredulidade ou desânimo. — Serviço Cristão,136.

Deus tem sempre advertido de juízos vindouros

Deus sempre tem dado aos homens advertência dos juízos porvir. Aqueles que tiveram fé na mensagem por Ele enviada para seu tempo, e agiram segundo sua fé, em obediência aos Seus mandamentos, escaparam aos juízos que caíram sobre os desobedientes e incrédulos.

A Noé veio a palavra: “Entra tu e toda a tua casa na arca, porque te hei visto justo diante de Mim.” Gênesis 7:1. Noé obedeceu, e foi salvo. A Ló foi enviada a mensagem: “Levantai-vos, saí deste lugar, porque o Senhor há de destruir a cidade.” Gênesis 19:14. Ló colocou-se sob a guarda dos mensageiros celestes, e foi salvo. Assim os discípulos de Cristo tiveram aviso da destruição de Jerusalém. Os que estavam alerta quanto ao sinal da próxima ruína, e fugiram da cidade, escaparam à destruição. Assim agora estamos dando aviso da segunda vinda de Cristo e da destruição impendente sobre o mundo. Os que ouvirem a advertência, serão salvos. — O Desejado de Todasas Nações, 634.O Desejado de Todasas Nações, 634.

Deus nos disse o que podemos esperar em nosso tempo

Antes de Sua crucifixão o Salvador explicou a Seus discípulos que Ele deveria ser morto, e do túmulo ressuscitar; anjos estavam presentes para gravar-lhes Suas palavras na mente e no coração. Marcos 8:31-32; Marcos 9:31; Marcos 10:32-34. Mas os discípulos aguardavam livramento temporal do jugo romano, e não podiam tolerar a idéia de que Aquele em quem se centralizavam todas as suas esperanças devesse sofrer uma morte ignominiosa. As palavras de que necessitavam lembrar-se, fugiram-lhes do espírito; e, ao chegar o tempo da prova, esta os encontrou desprevenidos. A morte de Cristo destruiu-lhes tão completamente as esperanças, como se Ele não os houvesse advertido previamente.

Assim, nas profecias, o futuro se patenteia diante de nós tão claramente como se revelou aos discípulos pelas palavras de Cristo. Os acontecimentos ligados ao final do tempo da graça e obra de preparo para o período de angústia, acham-se claramente apresentados. Multidões, porém, não possuem maior compreensão destas importantes verdades do que teriam se nunca houvessem sido reveladas. — O Grande Conflito, 594.

As profecias referentes aos últimos dias requerem nossa atenção

Vi então o terceiro anjo. Apocalipse 14:9-11. Disse meu anjo acompanhante: “Terrível é sua obra. Tremenda sua missão. Ele é o anjo que deve separar o trigo do joio, e selar, ou atar, o trigo para o celeiro celestial. Essas coisas devem absorver toda a mente, a atenção toda.” — Primeiros Escritos, 118.

Havemos de comparecer diante de magistrados para responder por nossa lealdade para com a Lei de Deus, para dar a conhecer as razões de nossa fé. — E os jovens devem compreender estas coisas. Devem saber o que há de vir a acontecer antes do encerramento da história terrestre. Estas coisas dizem respeito a nosso bem-estar eterno, e cumpre a professores e alunos dar-lhes mais atenção. Testemunhos Seletos 2:411.

Devemos estudar os grandes sinais que indicam os tempos em que estamos vivendo. — Manuscript Releases 4:163.

Os que se colocam sob a direção de Deus, para ser por Ele guiados, compreenderão a constante corrente dos acontecimentos que Ele ordenou — Serviço Cristão, 77.

Precisamos ver na História o cumprimento da profecia, estudar as atuações da Providência nos grandes movimentos reformatórios e compreender a progressão dos acontecimentos na arregimentação das nações para o conflito final da grande controvérsia. — Testemunhos para a Igreja 8:307

Estudar especialmente os livros de Daniel e do Apocalipse

Há necessidade de mais íntimo estudo da Palavra de Deus; especialmente devem Daniel e Apocalipse merecer a atenção como nunca dantes na história de nossa obra... A luz que Daniel recebeu de Deus foi dada especialmente para estes últimos dias. — Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, 112-113.

Leiamos e estudemos o capítulo doze de Daniel. Ele é uma advertência que todos nós precisamos compreender antes do tempo de angústia. — Manuscript Releases 15:228.

O último dos escritos do Novo Testamento está cheio de verdades cuja compreensão nos é necessária. — Parábolas de Jesus, 133.

As predições do livro do Apocalipse que ainda não se cumpriram logo se cumprirão. Esta profecia deve ser agora estudada com diligência pelo povo de Deus e compreendida claramente. Ela não encobre a verdade; nos previne com clareza, contando-nos o que haverá no futuro. — Notebook Leaflets 1:96.

As solenes mensagens que foram dadas, em sua ordem, no Apocalipse, devem ocupar o primeiro lugar no espírito do povo de Deus. — Testemunhos Seletos 3:278

O assunto deve ser mantido perante o povo

Muitos há que não compreendem as profecias referentes aos nossos dias, e precisam ser esclarecidos. É dever, tanto do vigia como do leigo, dar à trombeta sonido certo. — Evangelismo, 194.

Ergam os vigias agora a voz e dêem a mensagem que é verdade presente para este tempo. Mostremos ao povo onde nos encontramos na história profética. — Testemunhos Seletos 2:323.

Deus estabeleceu, porém, um dia para o término da história deste mundo: “Será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então virá o fim.” — A profecia se cumpre rapidamente. Mas, muito mais deve ser dito acerca destes assuntos tremendamente importantes. Perto está o dia em que será decidido para sempre o destino de toda alma. ...

Deve-se fazer um grande esforço para manter este assunto perante o povo. O solene fato de que o dia do Senhor virá repentina e inesperadamente deve ser mantido não só perante as pessoas do mundo, mas também diante de nossas próprias igrejas. A terrível advertência da profecia é dirigida a toda alma. Ninguém julgue estar isento do perigo de ser apanhado de surpresa. Não permitais que a interpretação profética de pessoa alguma arrebate a convicção do conhecimento de ocorrências que revelam que este grande acontecimento está bem próximo.— Fundamentos da Educação Cristã,335-336.

Mantendo os eventos futuros na perspectiva correta

Não somos agora capazes de descrever acuradamente as cenas a serem representadas em nosso mundo no futuro; isto, porém, sabemos: que este é um tempo em que precisamos velar em oração; pois o grande dia do Senhor está às portas. — Mensagens Escolhidas2:35.

O sinal da besta é exatamente o que tem sido proclamado. Nem tudo que se refere a este assunto é compreendido; nem compreendido será até que tenha sido completamente aberto o rolo do livro. — Testemunhos Seletos 2:371.

Muitos desviarão o olhar dos deveres atuais, do conforto e das bênçãos no presente, e tomarão emprestado aflições com respeito à crise futura. Isso causará um tempo de angústia antecipado, e não receberemos graça para tais aflições antecipadas. — Mensagens Escolhidas 3:383-384.

Há um tempo de angústia a sobrevir ao povo de Deus, mas não devemos manter isto constantemente diante dele, e incitá-lo para ter um tempo de angústia antecipado. Haverá uma sacudidura entre o povo de Deus, mas isto não é a verdade presente a ser levada às igrejas — Mensagens Escolhidas 1:180.

  • Por Fábio Soares

    Os acontecimentos presenciados em nosso tempo não são nada comparados com o que está por vir; devemos nos preocupar, pois os pensantes deste mundo estão estudando os acontecimentos, nós, porém, temos a bíblia e as profecias que nos direcionam ao caminho certo.

    Embora os dias seguintes sejam ocultos a muitos, Deus tem revelado aos seus servos. Cabe a cada um que professa seguir o evengelho permitir ser guiado por Deus, pois de ante mão tem nos direcionado aos estudos do livro de Daniel e Apocalipse, cabe a nós compreender Sua mensagem e transmitir a mensagem assim como ela é, pois é dever de todos os que compreendem a mensagem transmití-la ao mundo.

Capítulo 2 - Sinais de que Cristo voltará em breve
A grande profecia de nosso Senhor

Cristo preveniu Seus discípulos da destruição de Jerusalém e dos sinais que ocorreriam antes da vinda do Filho do homem. Todo o capítulo vinte e quatro de Mateus é uma profecia a respeito dos acontecimentos que precederão esse evento, e a destruição de Jerusalém é usada para representar a última grande destruição do mundo pelo fogo. — Manuscrito 77, 1899.

Cristo, no Monte das Oliveiras, enumerou os juízos terríveis que deviam preceder Sua volta: “E ouvireis de guerras e de rumores de guerras.” “Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares. Mas todas estas coisas são o princípio de dores.” Mateus 24:6-7. Se bem que essas profecias tivessem tido cumprimento parcial na destruição de Jerusalém, aplicam-se mais diretamente aos últimos dias.Testemunhos Seletos 2:351.

Sinais nos céus

Ao fim da grande perseguição papal, declarou Cristo, o Sol se escureceria, e a Lua não daria sua luz. Em seguida, cairiam as estrelas do céu. E Ele diz: “Aprendei pois esta parábola da figueira: Quandojá os seus ramos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que estápróximo o verão. Igualmente, quando virdes todas estas coisas, sabei que Ele está próximo às portas.” Mateus 24:32-33.

Cristo deu sinais de Sua vinda. Declara que podemos conhecer quando Ele está perto, às portas. Ele diz daqueles que vêem estas coisas: “Não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam.” Estes sinais apareceram. Agora sabemos com certeza que a vinda do Senhor está às portas. — O Desejado de Todas as Nações,632.

Sinais na Terra

Declara Jesus: “E haverá sinais no Sol, na Lua e nas estrelas; e na Terra angústia das nações.” Nos Lugares Celestiais, 21.25; Mateus24:29; Marcos 13:24-26; Apocalipse 6:12-17. Os que contemplam estes prenúncios de Sua vinda, devem saber que “está próximo, às portas”. Mateus 24:33. — O Grande Conflito, 37-38.

As nações estão agitadas. Tempos de perplexidade se acham diante de nós. O coração dos homens está desmaiando de terror das coisas que sobrevirão ao mundo. Mas os que crêem em Deus ouvirão Sua voz em meio à tormenta, dizendo: “Sou Eu. Não temais.” TheSigns of the Times, 9 de Outubro de 1901.

Estranha e momentosa história está sendo registrada nos livros do Céu — eventos que, segundo foi declarado, precederiam de perto o grande dia de Deus. Tudo no mundo está em agitação. Manuscript Releases 3:313.

Falsos Profetas

Como um dos sinais da destruição de Jerusalém, Cristo havia dito: “E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos.” Mateus 24:11. Ergueram-se falsos profetas, enganando o povo, e levando grande número ao deserto. Mágicos e exorcistas, pretendendo miraculoso poder, arrastaram o povo após si, às solidões das montanhas. Mas esta profecia foi dada também para os últimos dias. Este sinal é o indício do segundo advento. — O Desejado de Todasas Nações, 631.

Encontraremos falsas pretensões; erguer-se-ão falsos profetas; haverá falsos sonhos e visões falsas; pregai, porém, a Palavra, não vos desvieis da voz de Deus em Sua Palavra. Mensagens Escolhidas 2:49.

Têm-me sido mostrados muitos que pretenderão ser especialmente ensinados por Deus, e tentarão levar outros, e por erradas idéias de dever empreenderão uma obra que Deus nunca pôs sobre eles. O resultado será confusão. Busque cada um a Deus com mais fervor por si mesmo, para que possa compreender individualmente Sua vontade. Mensagens Escolhidas 2:72.

Uma experiência com um falso profeta

Ontem à noite um jovem, estranho a todos nós, mas alegando ser um irmão de Vitória [Austrália], veio visitar-nos e disse que queria ver a Irmã White. Era de noite, e eu recusei vê-lo. Nós o convidamos, porém, a permanecer conosco durante a noite, e a tomar o desjejum. Após o nosso costumeiro culto matinal, ao estarmos prestes a nos dirigir a nossas várias ocupações, esse jovem se levantou, e com um gesto autoritário pediu que nos sentássemos. Ele disse: “Vocês têm hinários? Cantaremos um hino e então lhes transmitirei uma mensagem. ” Declarei: “Se tem uma mensagem, transmita-a sem demora, pois estamos com muita pressa de remeter a correspondência para a América, e não temos tempo a perder.” Ele começou então a ler alguma coisa que havia escrito, declarando, entre outras coisas, que agora começou o julgamento dos vivos. ...

Eu prestei atenção enquanto ele prosseguia, e disse finalmente: “Meu irmão, você não está em perfeitas condições mentais. Exponha claramente como a sua mensagem se refere a nós. Por favor, nos diga isso imediatamente. Seu espírito está muito tenso e você compreende mal o seu trabalho. Grande parte do que disse está de acordo com a Bíblia e cremos em cada uma dessas palavras. Mas você se acha extremamente agitado. Por favor, declare o que tem para nós!”

Bom, ele disse que devíamos encaixotar as coisas e mudar-nos imediatamente para Battle Creek. Perguntei por que razão, e ele respondeu: “Para transmitir esta mensagem de que começou o julgamento dos vivos.” Repliquei: “A obra que o Senhor nos deu para fazer ainda não está terminada. Quando nossa obra aqui estiver concluída, teremos certeza de que o Senhor nos fará saber que chegou a ocasião de nos mudarmos para Battle Creek, em vez de mostrar-lhe qual é o nosso dever.” ... Deixei que o irmão Starr continuasse a falar com ele, enquanto eu reassumia o meu trabalho de escrever.

Ele disse ao irmão Starr que quando a Irmã White lhe falou tão bondosamente, mas com tanta autoridade, começou a ver que cometera um erro, e que as impressões que o haviam incitado tão vigorosamente não eram coerentes ou razoáveis. Embora nossa família seja grande, compondo-se de dez membros, além de três visitantes, decidimos deixar que este jovem fique conosco durante algum tempo. Não podemos permitir que vá ter com pessoas que o tratem asperamente e o condenem, nem desejamos que repita suas “revelações”. Queremos que permaneça por um pouco de tempo onde possamos comunicar-nos com ele e, se for possível, conduzi-lo a caminhos seguros. — Carta 66, 1894.

Glutonaria e intemperança

A glutonaria e a intemperança constituem o fundamento da grande depravação moral em nosso mundo. Satanás está ciente disso, e tenta constantemente a homens e mulheres para que condescendam com a gula à custa da saúde e mesmo da própria vida. Comer, beber e vestir-se tornam-se o alvo da vida para o mundo. Tal estado de coisas existia antes do dilúvio. E este estado de dissipação é uma das marcantes evidências da breve terminação da história terrestre.— Carta 34, 1875.

O quadro que a Inspiração nos deu do mundo antediluviano representa mui verdadeiramente a condição a que rapidamente asociedade moderna caminha. — Patriarcas e Profetas, 102.

Sabemos que o Senhor virá muito em breve. O mundo está rapidamente se tornando como era nos dias de Noé. Ele se acha entregue à condescendência egoísta. O comer e o beber são levados a excessos. Os homens estão tomando as nocivas bebidas alcoólicas que os deixam transtornados. Carta 308, 1907.

Atos de Violência

Nos dias de Noé a esmagadora maioria se opunha à verdade, e se apaixonara por um conjunto de falsidades. A Terra estava cheia de violência. A guerra, o crime e o homicídio eram a ordem do dia. Assim será também antes da segunda vinda de Cristo. — The S.D.A.Bible Commentary 1:1090.

As uniões trabalhistas rapidamente se agitam e apelam à violência se suas reivindicações não são atendidas. Mais e mais claro está se tornando que os habitantes do mundo não estão em harmonia com Deus. Nenhuma teoria científica pode explicar a firme marcha de obreiros iníquos sob o comando de Satanás. Em toda multidão, anjos ímpios estão em operação, instando homens a cometer atos de violência. ...

A perversidade e crueldade dos homens alcançarão tal atitude que Deus Se revelará em Sua majestade. Muito em breve a impiedade do mundo terá atingido seu limite e, como nos dias de Noé, Deus derramará os Seus juízos. — Olhando Para O Alto, 328.

Os terríveis relatos que ouvimos de homicídios e roubos, de acidentes ferroviários e atos de violência, declaram que o fim de todas as coisas está próximo. Agora, agora mesmo, precisamos estarnos preparando para a segunda vinda do Senhor. Carta 308, 1907

Guerra e Desastres

Aproxima-se a tempestade, e precisamos aprontar-nos para sua fúria, mediante arrependimento para com Deus e fé em nosso Senhor Jesus Cristo. O Senhor Se levantará para sacudir terrivelmente aTerra. Veremos aflições por todos os lados. Milhares de navios serão arremessados para as profundezas do mar. Esquadras se submergirão, sendo sacrificados milhões de vidas humanas. Irromperão inesperadamente incêndios que nenhum esforço humano será capaz de extinguir. Os palácios da Terra serão varridos pela fúria das chamas. Tornar-se-ão mais e mais freqüentes os desastres de estrada de ferro; confusão, colisões e morte sem um momento de advertência ocorrerão nas grandes vias de comunicação. O fim está perto,a graça está a terminar. Oh! busquemos a Deus enquanto Se pode achar, invoquemo-Lo enquanto está perto! Mensagens aos Jovens,89-90.

Nas últimas cenas da história terrestre, grassará a guerra. Haverá epidemias, pragas e fomes. As águas do oceano transporão seus limites. Propriedades e vidas serão destruídas pelo fogo e por inundações. Deveríamos estar nos preparando para as mansões que Cristo foi preparar para os que O amam.Maranata, 172.

Grandes Bolas de Fogos

Na última sexta-feira, pela manhã, pouco antes de acordar, uma cena muito impressionante me foi apresentada. Parecia que eu havia acordado, mas não estava em meu lar. Das janelas eu podia avistar um terrível incêndio. Grandes bolas de fogo caíam sobre as casas e dessas bolas voavam flechas incandescentes em todas as direções. Era impossível apagar os fogos que se acendiam, e muitos lugares estavam sendo destruídos. O terror do povo era indescritível. Depois de algum tempo, acordei e vi que estava em casa. — Evangelismo,29.

Vi uma imensa bola de fogo cair no meio de algumas lindas habitações, destruindo-as imediatamente. Ouvi alguns dizerem: “Sabíamos que os juízos de Deus sobreviriam à Terra, mas não sabíamos que viriam tão cedo.” Outros, com acento de voz agoniante, diziam: “Os senhores sabiam! Por que, então, não nos disseram? Nós não sabíamos.” — Testemunhos Seletos 3:296.

Terremotos e Inundações

O inimigo atuou no passado e ainda está atuando. Ele desceu com grande poder, e o Espírito de Deus está-Se retirando da Terra. Deus tem retirado Sua mão. Só temos de olhar para Johnstown [Pensilvânia]. Ele não impediu que o diabo acabasse com a existência de toda essa cidade. E essas mesmas coisas aumentarão até o fim da história terrestre. — Sermons and Talks, 109.

A crosta terrestre será dilacerada pelas explosões dos elementos ocultos nas entranhas da Terra. Estes elementos, uma vez desprendidos, arrebatarão os tesouros dos que durante anos têm aumentado sua fortuna pela aquisição de grandes posses a preços de fome dos que estão ao seu serviço. E o mundo religioso também será terrivelmente abalado, pois o fim de todas as coisas está às portas.Manuscript Releases 3:208

Chegou agora o tempo em que num momento podemos estar em terra sólida, e no outro momento pode ela estar fugindo de debaixo de nossos pés. Haverá terremotos onde menos se espera.— Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, 421.

Em incêndios, em inundações, em terremotos, na fúria das grandes profundezas, nas calamidades por mar e terra, é transmitida a advertência de que o Espírito de Deus não agirá para sempre com os homens. — Manuscript Releases 3:315.

Antes que o Filho do homem apareça nas nuvens do céu, tudo na Natureza estará em convulsão. Raios do céu unindo-se ao fogo na Terra farão com que as montanhas queimem como uma fornalha e lancem suas torrentes de lava sobre aldeias e cidades. Massas derretidas de rochas lançadas na água pela sublevação das coisas ocultas na Terra farão ferver a água e arremessarão pedras e terra. Haverá fortes terremotos e grande destruição de vidas humanas.— The S.D.A. Bible Commentary 7:946.

Crimes, Fomes e Epidemias

Satanás está trabalhando na atmosfera; envenena-a, e aí depende-mos de Deus quanto à vida — nossa vida presente e eterna. E estando na posição em que nos encontramos, importa estarmos inteiramente alerta, totalmente devotados, de todo convertidos e consagrados a Deus. Mas parece que nos achamos como paralisados. Deus do Céu, desperta-nos!Mensagens Escolhidas 2:52.

Deus não tem impedido que os poderes das trevas levem avante sua ímpia obra de poluir o ar, uma das fontes de vida e nutrição,com um veneno fatal. Não somente é afetada a vida vegetal, mas o homem sofre de epidemias. ... Essas coisas são o resultado de gotas das taças da ira de Deus que estão sendo borrifadas sobre a Terra,e constituem apenas débeis representações do que acontecerá no futuro próximo.Mensagens Escolhidas 3:391.

As fomes aumentarão. Epidemias arrebatarão milhares de vidas. Perigos provenientes dos poderes de fora e de atuações satânicas por dentro estão por toda parte ao nosso redor, mas o poder moderador de Deus está sendo exercido atualmente.Manuscript Releases19:382.

Foi-me mostrado que o Espírito do Senhor está-Se retirando da Terra. O poder mantenedor de Deus logo será recusado a todos os que continuam desrespeitando os Seus mandamentos. Os relatos de transações fraudulentas, homicídios e crimes de toda a espécie chegam até nós diariamente. A iniqüidade está-se tornando uma coisa tão comum que não ofende mais as suscetibilidades como em tempos passados.Carta 258, 1907.

O desígnio de Deus nas calamidades

O que significam as horríveis calamidades no mar — embarcações arremessadas para a eternidade sem aviso prévio? O que significam os acidentes na terra — fogo consumindo as riquezas que homens acumularam, em grande parte pela opressão dos pobres? O Senhor não intervirá para proteger a propriedade daqueles que transgridem Sua lei, violam Seu concerto e calcam aos pés o Seu sábado, aceitando em seu lugar um dia de descanso espúrio.

As pragas de Deus já estão caindo sobre a Terra, arrebatando os edifícios mais suntuosos como por um sopro de fogo do Céu. Esses juízos não farão com que os cristãos professos caiam em si? Deus permite que sobrevenham para que o mundo se acautele, para que os pecadores temam e tremam diante dEle.Manuscript Releases3:311.

Deus tem um propósito ao permitir que ocorram essas calamidades. Elas constituem um de Seus meios para chamar homens e mulheres à razão. Mediante atuações incomuns pela Natureza, Deus expressará a instrumentalidades humanas em dúvida o que Ele revela claramente em Sua Palavra.Manuscript Releases 19:279.

Quão freqüentemente ouvimos de terremotos e furacões, de destruição pelo fogo e inundações, com grandes perdas de vidas e propriedades! Aparentemente essas calamidades são caprichosos desencadeamentos de forças da Natureza, desorganizadas e desgovernadas, inteiramente fora do controle do homem; mas em todas elas pode ler-se o propósito de Deus. Elas estão entre os instrumentos pelos quais Ele busca despertar a homens e mulheres para que sintam o perigo. Profetas e Reis, 277.

Os eventos futuros estão nas mãos do Senhor

O mundo não está sem um governante. O programa dos sucessos futuros está nas mãos do Senhor. A Majestade do Céu tem sob Sua direção o destino das nações e os negócios de Sua igreja.Testemunhos Seletos 2:352.

Essas representações simbólicas [as serpentes ardentes no deserto] têm dupla finalidade. O povo de Deus não somente aprende delas que as forças físicas da Terra estão sob o controle do Criador, mas também que os movimentos religiosos das nações se acham sobo Seu domínio. Isto é especialmente verdade no tocante à imposição da observância do domingo.Manuscript Releases 19:281.

Na grande obra de finalização nos defrontaremos com perplexidades que não saberemos contornar, mas não nos esqueçamos de que as três grandes potestades do Céu estão atuando, que a divina mão está posta ao leme, e Deus fará cumprir os Seus desígnios. — Evangelismo, 65.

Assim como aquela complicação de semelhanças de rodas se achava sob a direção da mão que havia sob as asas dos querubins, o complicado jogo dos sucessos humanos acha-se sob a direção divina. Por entre as contendas e tumultos das nações, Aquele que Se assenta acima dos querubins ainda dirige os negócios da Terra. Ver Ezequiel1:4-26; Ezequiel 10:8; Daniel 4:17, 25-32. — Educação, 178.

Nos anais da história humana, o desenvolvimento das nações, o nascimento e queda dos impérios, aparecem como que dependendo da vontade e proeza do homem; a configuração dos acontecimentos parece determinada em grande medida pelo seu poder, ambição ou capricho. Mas na Palavra de Deus a cortina é afastada, e podemos ver acima, para trás e pelos lados as partidas e contrapartidas do interesse, poder e paixões humanos — as instrumentalidades do Todo misericordioso — executando paciente e silenciosamente os conselhos de Sua própria vontade. Profetas e Reis, 499-500

A consideração do céu pelas questões da terra

Poupando a vida do primeiro homicida, Deus apresentou diante de todo o Universo uma lição que dizia respeito ao grande conflito.... Foi o Seu intuito não somente abater a rebelião, mas demonstrar a todo o Universo a natureza da mesma. ... Os santos habitantes de outros mundos estavam a observar com o mais profundo interesse os acontecimentos que se desenrolavam na Terra. ...

Deus tem consigo a simpatia e aprovação do Universo inteiro, enquanto passo a passo Seu grande plano avança para o completo cumprimento. — Patriarcas e Profetas, 78-79

O ato de Cristo ao morrer pela salvação do homem, não somente tornaria o Céu acessível à humanidade, mas perante todo o Universo justificaria a Deus e Seu Filho, em Seu trato com a rebelião de Satanás.Patriarcas e Profetas, 69.

Todo o Universo está observando com inexprimível interesse as cenas finais da grande controvérsia entre o bem e o mal. — Profetase Reis, 148.

Nosso pequenino mundo é o livro de estudo do Universo. — O Desejado de Todas as Nações, 19.

  • Por Fábio Soares

    O que dizer desses textos? Eles são auto-explicativos. Temos visto todos esses acontecimentos perante nossos olhos, e continuamos indiferentes. É lamentavel nossa condição parante tantas advertências por parte de Deus, pois Ele permite por um motivo: Elas estão entre os instrumentos pelos quais Ele busca despertar a homens e mulheres para que sintam o perigo.

Capítulo 3 - Quando sucederão estas coisas?”
Os discípulos interrogam a Cristo acerca de sua volta

As palavras de Cristo (Mateus 24:2) foram proferidas aos ouvi-dos de grande número de pessoas; mas quando Ele Se achava só, sentado sobre o Monte das Oliveiras, Pedro, João, Tiago e André foram ter com Ele: “Dize-nos”, perguntaram, “quando serão estas coisas, e que sinal haverá da Tua vinda e do fim do mundo?”

Jesus não respondeu aos discípulos falando em separado da destruição de Jerusalém e do grande dia de Sua vinda. Misturou adescrição dos dois acontecimentos. Houvesse desenrolado perante os discípulos os eventos futuros segundo Ele os via, e não teriam podido suportar esse espetáculo. Por misericórdia com eles, Jesus misturou a descrição das duas grandes crises, deixando aos discípulos o procurar por si mesmos a significação.O Desejado de Todas as Nações,628.

O tempo da volta de Cristo não é conhecido

Muitos que se têm chamado adventistas, têm marcado tempo. Repetidamente marcaram uma data para a vinda de Cristo; e repetidos fracassos têm sido o resultado. O tempo exato da vinda de nosso Senhor, diz a Bíblia, acha-se além do conhecimento dos mortais. Mesmo os anjos que ministram aos que hão de ser herdeiros da salvação, não sabem o dia nem a hora. “Porém daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do Céu, mas unicamente Meu Pai.”Mateus 24:36. — Testemunhos Seletos 1:504. (Cristo virá para ceifar a terra quando o fruto estiver maduro)

Não devemos saber o tempo exato para o derramamento do Espírito Santo ou para a vinda de Cristo. ... Por que Deus não nos deu este conhecimento? — Porque se o fizesse, não faríamos correto uso dele. Desse conhecimento resultaria um estado de coisas entre o nosso povo que retardaria consideravelmente a obra de Deus no sentido de preparar um povo que permaneça em pé no grande dia que está para vir. Não devemos viver ansiosos quanto ao tempo. ...

Não sereis capazes de dizer que Ele virá dentro de um, dois ou cinco anos, nem deveis protelar Sua vinda declarando que talvez não ocorra dentro de dez ou vinte anos. — The Review and Herald, 22de Março de 1892.

Aproximamo-nos do grande dia de Deus. Os sinais estão-se cumprindo. E, no entanto, não temos uma mensagem que nos diga o dia e a hora do aparecimento de Cristo. O Senhor ocultou isso prudentemente de nós, para que sempre estejamos num estado de expectativa e de preparação para o segundo aparecimento de nosso Senhor Jesus Cristo nas nuvens do céu. — Carta 28, 1897.

O tempo exato da segunda vinda do Filho do homem é mistériode Deus. — O Desejado de Todas as Nações, 633.

Nossa mensagem não é a de marcar tempo

Não pertencemos à classe de pessoas que definem o exato período de tempo que decorrerá antes da segunda vinda de Jesus com poder e grande glória. Alguns marcaram certo tempo, e quando esse tempo passou, seu espírito presunçoso não aceitou a repreensão, e eles têm marcado diversas outras datas; numerosos malogros sucessivos caracterizaram-nos, porém, como falsos profetas. — Fundamentos da Educação Cristã, 335.

Deus não dá a nenhum homem uma mensagem de que decorrerão cinco, dez ou vinte anos antes que termine a história deste mundo. Ele não quer dar um pretexto para os seres viventes adiarem a preparação para o Seu aparecimento. Não quer que alguém diga a mesma coisa que o servo infiel: “Meu Senhor está demorando muito para voltar”, pois isso conduz a temerária negligência das oportunidades e privilégios concedidos para preparar-nos para aquele grandedia. — The Review and Herald, 27 de Novembro de 1900.

Marcar tempo ocasiona descrença

Por isso que passou repetidamente a data marcada, o mundo está hoje em mais positivo estado de incredulidade do que antes, com respeito ao próximo advento de Cristo. Consideram com aborrecimento os fracassos dos que marcaram tempo; e por isso que os homens têm sido assim enganados, dão costas à verdade consubstanciada pela Palavra de Deus, de estar às portas o fim de todas as coisas.— Testemunhos Seletos 1:504. ja tive experiência com pessoa que acredita que devem ser punidos os que pregam que Cristo está as portas.

Entendo que o irmão [E. P.] Daniels tem, por assim dizer, marcado tempo, afirmando que o Senhor virá dentro de cinco anos. Pois bem, espero que não se alastre a impressão de que marcamos tempo. Que não se faça tais comentários. Eles não produzem nenhum benefício. Não procureis obter um reavivamento com base em algo dessa natureza, mas seja usada a devida cautela em toda palavra proferida, para que pessoas fanáticas não se aproveitem de alguma coisa para produzir um avivamento que entristeça assim o Espírito do Senhor.

Não precisamos incitar as paixões das pessoas para provocar agitações em que sejam instigados os sentimentos e os princípios não assumam o controle. Acho que temos de estar de sobreaviso de todos os lados, porque Satanás está em atividade para fazer tudo que estiver ao seu alcance a fim de insinuar seus ardis e artimanhas que sejam um poder para causar dano. Qualquer coisa que cause agitação e produza movimentação por motivos errôneos deve ser temida, pois certamente haverá reação. — Carta 34, 1887.

Sempre haverá movimentos falsos e fanáticos feitos na igreja por pessoas que pretendem ser dirigidas por Deus — pessoas que correrão antes de ser enviadas, e darão dia e data para o cumprimento da profecia não cumprida. O inimigo se agrada de que assim procedam, pois seus sucessivos fracassos e direção em sentido falso, causam confusão e incredulidade.Mensagens Escolhidas 2:84.

Nenhuma profecia de tempo além de 1844

Declarei positivamente na reunião campal de Jackson a esses grupos fanáticos, que estavam fazendo a obra do adversário das almas; achavam-se em trevas. Eles pretendiam possuir grande iluminação quanto ao fim do tempo de graça em Outubro de 1844. Declarei ali em público que o Senhor fora servido de mostrar-me que não haveria nenhum tempo definido na mensagem dada por Deus desde 1844. — Mensagens Escolhidas 2:73.

Nossa posição tem sido a de esperar e vigiar, sem proclamações de algum tempo para interpor-se entre o fim dos períodos proféticos em 1844 e o tempo da vinda de nosso Senhor. — Manuscript Releases 10:270.

O povo não terá outra mensagem sobre um tempo definido. Depois desse período de tempo. (Apocalipse 10:4-6), estendendo-se de 1842 a 1844, não pode haver um traçado definido do tempo profético. A contagem mais longa vai até o outono de 1844.TheS.D.A. Bible Commentary 7:971

Ellen White esperava a volta de Cristo em seu tempo

Foi-me mostrado o grupo de pessoas presentes à Assembléia. Disse o anjo: “Alguns, alimento para os vermes, alguns submetidos às sete últimas pragas, alguns estarão vivos e permanecerão sobre a Terra para serem trasladados por ocasião da vinda de Jesus.”Testemunhos para a Igreja 1:131-132.

O tempo é curto, por isso devemos trabalhar com diligência e redobrada energia. Nossos filhos talvez nunca ingressem na faculdade. — Testemunhos para a Igreja 3:159.

Na realidade não é prudente ter filhos agora. O tempo é curto, os perigos dos últimos dias estão sobre nós, e as criancinhas, em grande parte, serão levadas antes disso.Carta 48, 1876.

Nesse século do mundo, quando as cenas da história terrestre em breve hão de terminar e estamos prestes a entrar no tempo da angústia tal como nunca houve, quanto menor o número de casamentos realizados tanto melhor para todos, homens e mulheres.Testemunhos Seletos 2:124.

Chegará a hora; não está muito distante, e alguns de nós que agora cremos estarão vivos sobre a Terra e verão confirmar-se apredição, e ouvirão a voz do arcanjo e a trombeta de Deus ecoar de montanhas, de planícies e do mar às partes mais longínquas da Terra. — The Review and Herald, 31 de Julho de 1888. (Ellen G. White viu o começo da chuva serôdia em seus dias, ela presenciou o começo do derramamento do Espirito Santo, o alto clamor, a última mensagem, que prepara o mundo para a volta de Jesus Cristo)

O tempo de prova está exatamente diante de nós, pois o alto clamor do terceiro anjo já começou na revelação da justiça de Cristo,o Redentor que perdoa os pecados.Mensagens Escolhidas 1:363

A demora explicada

A longa noite de trevas é probante, mas em misericórdia é adiada a manhã, porque se o Mestre viesse, quantos se achariam desapercebidos! — Testemunhos para a Igreja 2:194.Testemunhos para a Igreja 2:194.

Houvessem os adventistas, depois do grande desapontamento de 1844, sustido firme sua fé e seguido avante unidos, segundo aprovidência de Deus lhes abria o caminho, recebendo a mensagem do terceiro anjo e no poder do Espírito Santo proclamando-a ao mundo, (devemos estudar essa mesma mensagem e saber no que consiste e assim aceita-la, para Deus terminar a obra que a muito retarda). haveriam visto a salvação de Deus, o Senhor teria operado poderosamente com os esforços deles, a obra haveria sido concluída, e Cristo teria vindo antes para receber Seu povo para dar-lhe o seu galardão. ... Não era a vontade de Deus que a vinda de Cristo houvesse sido assim retardada. ...

Por quarenta anos a incredulidade, a murmuração e a rebelião excluíram o antigo Israel da terra de Canaã. Os mesmos pecados têm retardado a entrada do Israel moderna na Canaã celestial. Em nenhum dos casos houve falta da parte das promessas de Deus. É a incredulidade, a mundanidade, a falta de consagração e a contenda entre o professo povo de Deus que nos têm detido neste mundo de pecado e dor por tantos anos.Evangelismo, 695-696.

Houvesse a igreja de Cristo feito a obra que lhe era designada, como Ele ordenou, o mundo inteiro haveria sido antes advertido, e o Senhor Jesus teria vindo à Terra em poder e grande glória. — O Desejado de Todas as Nações, 634.

As promessas de Deus são condicionais

Em suas mensagens aos homens, os anjos de Deus apresentam o tempo como sendo muito breve. Ver Romanos 13:11-12; 1 Coríntios7:29; 1 Tessalonicenses 4:15-17; Hebreus 10:25; Tiago 5:8-9; 1 Pe-dro 4:7; Apocalipse 22:6-7. sempre sido apresentado. Verdade é que o tempo se tem prolongado além do que esperávamos nos primitivos dias desta mensagem. Nosso Salvador não apareceu tão breve como esperávamos. Falhou, porém, a Palavra de Deus? Absolutamente! Cumpre lembrar que as promessas e as ameaças de Deus são igualmente condicionais. Ver Jeremias 18:7-10; Jonas3:4-10. ...

Talvez tenhamos de permanecer muitos anos mais neste mundo por causa de insubordinação, como aconteceu com os filhos de Israel; mas por amor de Cristo, Seu povo não deve acrescentar pecado a pecado, responsabilizando a Deus pela conseqüência de seu próprio procedimento errado. — Evangelismo, 695-696.

Pelo que Cristo está esperando

Cristo aguarda com fremente desejo a manifestação de Si mesmo em Sua igreja. Quando o caráter e Cristo se reproduzir perfeitamente em Seu povo, então virá para reclamá-los como Seus. Justificação pela fé ( a Jujstiça de Crito).

Todo cristão tem o privilégio, não só de esperar a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, como também de apressá-la. Se todos os que professam Seu nome produzissem fruto para Sua glória, quão depressa não estaria o mundo todo semeado com a semente do evangelho! Rapidamente amadureceria a última grande seara e Cristo viria recolher o precioso grão. — Parábolas de Jesus, 69.

Dando o evangelho ao mundo (vivendo como Jesus viveu), está em nosso poder apressar a volta de nosso Senhor. Não nos cabe apenas aguardar, mas apressaro dia de Deus. 2 Pedro 3:12.O Desejado de Todas as Nações,633-634.

Ele... pôs ao nosso alcance, mediante a cooperação com Ele, levar esta cena de miséria a termo. — Educação, 264

Um limite à clemência de Deus

Com infalível precisão, o Ser infinito ainda mantém, por assim dizer, uma conta com todas as nações. Enquanto Sua misericórdia se oferece com convites ao arrependimento, esta conta permanecerá aberta; quando, porém, os algarismos atingem um certo total que Deus fixou, começa o ministério de Sua ira. — Testemunhos Seletos2:63.

Deus mantém um registro das nações. Os números estão se avolumando contra elas nos livros do Céu, e quando se houver tornado uma lei que a transgressão do primeiro dia da semana será enfrentada com punições, então sua medida estará cheia. — The S.D.A. Bible Commentary 7:910.

Deus mantém uma conta com as nações. ... Quando chegar plenamente o tempo em que a iniqüidade terá atingido o prescrito limite da misericórdia de Deus, cessará Sua clemência. Quando os números acumulados nos livros de registro do Céu indicarem que o total da transgressão está completo, virá a ira. — Testemunhos para a Igreja5:524.

Ao mesmo tempo em que a misericórdia de Deus suporta longamente o transgressor, há um limite além do qual os homens não podem ir no pecado. Quando é atingido aquele limite, os oferecimentos de misericórdia são retirados, e inicia-se o ministério do juízo. — Patriarcas e Profetas, 162-165.

Tempo virá em que em suas fraudes e insolências os homens atingirão o ponto que o Senhor não permitirá que transponham, e aprenderão que há um limite para a longanimidade de Jeová. —Testemunhos Seletos 3:281-282.

Há um limite além do qual os juízos de Jeová não podem mais ser detidos. — Profetas e Reis, 417Profetas e Reis, 417.

A transgressão quase atingiu o seu limite

O tempo durará um pouco mais até que os habitantes da Terra tenham enchido a medida de sua iniqüidade, e então a ira de Deus, que por tanto tempo tem estado dormitando, se despertará, e esta terra de luz beberá da taça de Sua ira sem mistura. — Testemunhos para a Igreja 1:363.

A medida da iniqüidade está quase cheia, e a justiça eqüitativa de Deus está prestes a cair sobre os culpados. — Testemunhos para a Igreja 4:489.

A maldade dos habitantes do mundo já quase chegou ao ponto em que Deus há de permitir ao destruidor operar com ela segundo sua vontade.Testemunhos Seletos 3:142.

A transgressão já atingiu quase seus limites. O mundo está cheio de confusão, e em breve apoderar-se-á das criaturas humanas um grande terror. O fim está muito próximo. Nós, que conhecemos averdade, nos devemos estar preparando para o que está prestes arebentar sobre o mundo numa esmagadora surpresa. — Serviço Cristão, 51.

Devemos ter em mente o grande dia de Deus

Precisamos acostumar-nos a pensar e demorar-nos sobre as grandes cenas do julgamento que se acha precisamente diante de nós, e então, ao mantermos diante de nós as cenas do grande dia de Deus em que tudo será revelado, isso influirá sobre o nosso caráter. Um irmão me disse:

“Irmã White, acha que o Senhor virá dentro de dez anos?”

“Que diferença fará para o irmão se Ele vier dentro de dois,quatro ou dez anos?”

“Ora”, disse ele, “penso que, nalguns aspectos, eu agiria de modo diferente do que faço agora, se soubesse que o Senhor viria dentro de dez anos.”

“O que o irmão faria?” perguntei.

“Ora”, disse ele, “eu venderia minha propriedade, começaria a examinar a Palavra de Deus, procuraria advertir as pessoas e levá-las a se prepararem para Sua vinda, e suplicaria a Deus que eu estivesse preparado para o encontro com Ele.”

“Então perguntei: “Se soubesse que o Senhor não viria dentro de vinte anos, viveria de maneira diferente?”

Ele respondeu: “Penso que sim.” ...

Quão egoísta era a expressão de que levaria uma vida diferente caso soubesse que o seu Senhor viria dentro de dez anos! Pois bem, Enoque andou trezentos anos com Deus. Isto é uma lição para nós, a fim de que andemos cada dia com Deus, e não estaremos seguros se não esperarmos e vigiarmos. Manuscrito 10, 1886.

A brevidade do tempo

Que o Senhor, de dia e de noite, não dê descanso aos que são agora descuidados e na causa e obra de Deus! O fim está próximo. Isto é o que Jesus quer que sempre mantenhamos diante de nós — — Carta 97, 1886.

Quando, com os remidos, estivermos em pé sobre o mar de vidro, com harpas de ouro e coroas de glória, tendo à nossa frente a imensurável eternidade, então veremos como foi curto o período de provação e esperaManuscript Releases 10:266

  • Por Fábio Soares

    Mesmo com todos os acontecimentos estampados a nossa frente, ainda temos o hábito de querer marcar tempo para os acontecimentos. Louvado seja Jesus Cristo por ocultar Sua volta. Cristo, na verdade, não está demorando; como é revelado em Sua Palavra, por Sua misericórdia Ele ainda aguarda por nós, Seu povo, para que cada um de nós estejamos prontos para recebê-Lo. Ele espera que os escolhidos cumpram as condições para poder suportar Sua presença, como diz o texto.

    "Não devemos saber o tempo exato para o derramamento do Espírito Santo ou para a vinda de Cristo. ... Por que Deus não nos deu este conhecimento? — Porque se o fizesse, não faríamos correto uso dele. Desse conhecimento resultaria um estado de coisas entre o nosso povo que retardaria consideravelmente a obra de Deus no sentido de preparar um povo que permaneça em pé no grande dia que está para vir. Não devemos viver ansiosos quanto ao tempo...

Capítulo 4 - igreja de Deus nos últimos dias

Imediatamente após o texto frequentemente lembrado que diz que CRISTO, o Verbo, é Deus, lemos que todas as coisas foram feitas por Ele;e sem Ele nada do que foi feito se fez”. João 1:3. Um comentário não poderia tornar esta declaração mais clara do que é, portanto passemos às palavras de Heb. 1:1-4: “DEUS... nestes últimos dias nos falou pelo Filho a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo Qual também fez o universo; Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do Seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do Seu poder,depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas alturas, tendo-se tornado tão superior aos anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles”.

Ainda mais enfático do que estas são as palavras do apóstolo Paulo aos colossenses. Falando de CRISTO como Aquele mediante Quem temos a redenção, descreve a JESUS como Alguém sendo “a imagem do DEUS invisível, o primogênito de toda a criação;pois Nele foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a Terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades.Tudo foi criado por meio Dele e para Ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele tudo subsiste. Col. 1:15-17.

Este maravilhoso texto deveria ser cuidadosamente estudado e frequentemente analisado. Não existe nada no universo que CRISTO não haja criado. Ele fez tudo no céu e tudo sobre a Terra. Fez tudo quanto pode ser visto e tudo quanto não pode ser visto os tronos e dominações e principalidades e potestades no céu, tudo depende Dele para a existência. E sendo Ele antes de todas as coisas e o seu Criador, também por Ele todas as coisas subsistem e se mantém. Isto equivale ao que é dito em Hebreus 1:3, de que Ele sustém todas as coisas pela palavra do Seu poder. Foi por uma palavra que os céus foram feitos, e essa mesma palavra os mantém em seus lugares e são preservados da destruição.

Possivelmente não podemos omitir esta ligação com Isaías 40:25, 26. “A quem, pois, Me comparareis para que Eu lhe seja igual? Diz o Santo. Levantai ao alto os vossos olhos, e vede. Quem criou estas coisas? Aquele que faz sair o Seu exército de estrelas, todas bem contadas, as quais Ele chama pelos seus nomes; por ser Ele grande em força e forte em poder, nem uma só vem a faltar”. Ou, como a tradução judaica mais vividamente traduz: “Dele que é grande em poder, e forte em vigor, nenhuma escapa”. Que CRISTO é o Santo que assim convoca as hostes celestiais pelo nome e as sustém em seu lugar é evidente de outras porções do mesmo capítulo. Ele é Aquele perante quem foi dito: “Preparai o caminho do SENHOR, fazei retas no deserto uma vereda para o nosso DEUS”. Ele é Aquele que vem com uma mão forte, todo o Seu galardão Consigo; Aquele que, como um pastor, alimenta o Seu rebanho, levando os cordeiros em Seu regaço.

Uma declaração a mais com respeito a CRISTO como Criador é suficiente. Trata-se do testemunho do próprio Filho. No primeiro capítulo de Hebreus lemos que DEUS nos falou por intermédio de Seu Filho; que disse a respeito Dele: “E todos os anjos de DEUS O adorem”, e sobre os anjos declarou: “Aquele que a Seus anjos faz ventos, e a Seus ministros, labareda de fogo”, mas sobre o Filho: “O Teu trono, ó DEUS, é para todo o sempre, e: Cetro de equidade é o cetro do Teu reino”. E DEUS diz adicionalmente: “No princípio, SENHOR, lançastes os fundamentos da Terra, e os céus são obras das Tuas mãos”. Heb. 1:8-10. Aqui encontramos o PAI dirigindo-se ao Filho como DEUS, e declarando-Lhe: “Lançastes os fundamentos da Terra, e os céus são obras das Tuas mãos”. Quando o próprio PAI atribui essa honra ao Filho, o que é o homem para impedi-Lo? Com isto todos devemos bem deixar o testemunho direto com respeito à divindade de CRISTO e o fato de que Ele é o Criador de todas as coisas.

Uma palavra de precaução pode ser aqui necessária. Que ninguém imagine que exaltaríamos a CRISTO às expensas do PAI ou ignoraríamos ao PAI. Isso não pode ser, pois os Seus interesses são um só. Honramos ao PAI ao honrar o Filho. Atentamos às palavras de Paulo segundo as quais “há um só DEUS, o PAI, de Quem são todas as coisas, e JESUS CRISTO, pelo qual são todas as coisas, e nós também por Ele” (1 Cor. 8:6); como já citamos, que foi por Ele que DEUS fez os mundos. Todas as coisas, em última instância, procedem do PAI, mas tem agradado ao PAI que Nele habite toda a plenitude, e que deva ser o Agente direto, imediato em todo ato da Criação. Nosso objetivo nesta investigação é estabelecer a legítima posição de CRISTO de igualdade com o PAI, a fim de que o Seu poder para redimir possa ser melhor apreciado.

Capítulo 5 - vida devocional do remanescente

Antes de passarmos a algumas lições práticas que devem ser aprendidas destas verdades, precisamos demorar-nos por uns poucos instantes numa opinião que é honestamente mantida por muitos que não se disporiam em medida alguma a desonrar a CRISTO, mas que, devido a essa opinião, na realidade negam a Sua divindade. Trata-se de idéia de que Cristo é um ser criado, o Qual, por ser do agrado de DEUS, foi elevado a Sua presente exaltada posição. Ninguém que sustenta este entendimento pode possivelmente ter alguma concepção justa da exaltada posição que CRISTO realmente ocupa.

A opinião em questão é formada sobre uma interpretação equivocada de um único texto, Apoc. 3:14: “Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de DEUS”. Isso é erroneamente interpretado como significando que CRISTO é o primeiro ser que DEUS criou e que a obra de DEUS na Criação teve início com Ele. Mas esta opinião contradiz as passagens que declaram que CRISTO a todas as coisas criou. Dizer que DEUS começou Sua obra de Criação coisas criadas. Ele está acima de toda a Criação e dela não faz parte.

As Escrituras declaram que CRISTO é o “unigênito de DEUS”. Ele é gerado, não criado. Quando Ele foi gerado não nos compete indagar, nem nossas mentes poderiam assimilá-lo se nos fosse indicado. O profeta Miquéias nos diz tudo quanto podemos saber sobre isto nestas palavras: “E tu, Belém Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade”. Miquéias 5:2. Houve um tempo em que CRISTO procedeu e veio de DEUS, do seio do PAI (João 8:42; 1:18), mas esse tempo está tão recuado nos dias da eternidade que para a compreensão finita é praticamente sem início.

Mas a questão fundamental é que CRISTO é um Filho gerado, não um súdito criado. Ele tem por herança um nome mais excelente do que o dos anjos; Ele é um “Filho sobre a Sua casa”. E sendo Ele o Filho unigênito de DEUS, é da mesma substância e natureza de DEUS e possui por nossos nascimento todas os atributos de DEUS, pois o PAI agradou-se de que o Seu filho fosse a expressa imagem de Sua pessoa, o fulgor de Sua glória, e repleto de toda a plenitude da Divindade. Assim Ele tem “vida em Si mesmo”. Ele possui imortalidade em Seu próprio direito e pode conferir imortalidade a outros. A vida é-Lhe inerente, assim não pode ser Dele tirada, mas voluntariamente dela dispondo, pode reassumi-la novamente. Suas palavras são estas: “Por isso o PAI Me ama, porque Eu dou a Minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de Mim; pelo contrário, Eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandamento recebi de Meu PAI”. João 10:17, 18.

Se alguém levanta o velho sofisma quanto a se CRISTO é imortal, como poderia morrer? Temos somente que dizer que não sabemos. Não temos a pretensão de sondar o infinito. Não temos como compreender como CRISTO podia ser DEUS no princípio, compartilhando glória igual à do PAI antes que o mundo existisse e ainda antes de ter nascido um bebê em Belém. O mistério da crucifixão e ressurreição é somente o mistério da encarnação. Não podemos entender como Ele pôde criar o mundo do nada, nem como pode levantar os mortos, nem ainda como opera mediante o ESPÍRITO em a próprios corações; contudo cremos e sabemos essas coisas. Deveria ser-nos suficiente aceitar como verdade essas coisas que DEUS tem revelado, sem tropeçar sobre coisas que a mente de um anjo não pode sondar. Assim nos deleitamos no poder e glória infinitos que as Escrituras declaram pertencerem a CRISTO, sem atribularmos nossas mentes finitas numa vã tentativa de explicar o infinito.

Finalmente, conhecemos a unidade divina do PAI e do Filho pelo fato de que ambos têm o mesmo Espírito. Paulo, após dizer que os que vivem segundo a carne não podem agradar a DEUS, prossegue: “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se de fato o ESPÍRITO de DEUS habita em vós. E se alguém não tem o ESPÍRITO de CRISTO, esse tal não é Dele”. Aqui descobrimos que o ESPÍRITO SANTO é tanto o ESPÍRITO de DEUS quanto o ESPÍRITO de CRISTO. CRISTO está “no seio do PAI”, sendo por natureza da mesma substância de DEUS e tendo vida em Si mesmo. Ele é apropriadamente chamado de JEOVÁ, o auto-existente, e é assim proclamado em Jeremias 23:56, onde é dito que o Renovo justo, que executará juízo e justiça sobre a Terra, será conhecido pelo nome de Jehovah-tsidekenu – O SENHOR, JUSTIÇA NOSSA.

Que ninguém, pois, que honra a CRISTO Lhe atribua menor honra do que ao PAI, pois isso seria uma desonra ao PAI. Antes, todos, com os anjos do céu, adoremos ao Filho, não tendo temor de estar adorando e servindo a criatura em lugar do Criador. E agora, enquanto o tema da divindade de CRISTO está fresquinho em nossas mentes, façamos uma pausa para considerar o maravilhoso relato de Sua humilhação.

Capítulo 6 - O estilo de vida e as atividades doremanescente

“E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós”. João 1:14 Nenhuma palavra poderia plenamente revelar que CRISTO foi tanto DEUS quanto homem. Originalmente somente divino, Ele tomou sobre Si a natureza humana e viveu entre os homens como um mortal comum, exceto naquelas ocasiões quando Sua divindade transluzia, como no evento da purificação do Templo, ou quando Suas palavras ardentes de verdade simples forçavam até os Seus inimigos a confessarem que “nunca homem algum falou como esse homem”.

A humilhação que CRISTO voluntariamente assumiu sobre Si é melhor expressa por Paulo aos filipenses: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em CRISTO JESUS, pois Ele, subsistindo em forma de DEUS, não julgou como usurpação o ser igual a DEUS; antes, a Si mesmo Se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-Se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a Si mesmo Se humilhou, tornando-Se obediente até à morte, e morte de cruz”. Filip. 2:5-8.

A versão acima torna este texto muito claro de que, conquanto CRISTO fosse em forma de DEUS, sendo “o resplendor da glória e a expressão exata do Seu Ser” (Heb. 1:3), tendo todos os atributos de DEUS, sendo o Governante do universo, e Aquele a quem todo o Céu se deleitava em honrar, não julgou que qualquer dessas coisas devesse ser desejada enquanto os homens estivessem perdidos e impotentes. Ele não podia desfrutar Sua glória enquanto o homem fosse um pária, sem esperança. Assim, esvaziou-Se, despojou-se de todas as Suas riquezas e glória, e assumiu sobre Si a natureza do homem, a fim de que pudesse redimi-lo. Desse modo podemos conciliar a unidade de CRISTO com o PAI pela declaração “Meu PAI é maior do que Eu”.

É impossível para nós entender como CRISTO podia, como DEUS, humilhar-Se à morte de cruz, e é simplesmente inútil especularmos a respeito disso. Tudo quanto podemos fazer é aceitar os fatos como se apresentam na Bíblia. Se o leitor achar difícil harmonizar algumas das asserções bíblicas concernentes à natureza de CRISTO, tenha em mente que seria impossível expressá-lo em termos que permitissem às mentes finitas assimilar plenamente tal fato. Assim como o enxertar os gentios no tronco de Israel é contrário à natureza, a economia divina é paradoxal à compreensão humana.

Outros textos que citaremos trazem-nos ainda mais perto o fato da humanidade de CRISTO e o que ela significa para nós. Já temos lido que “o Verbo Se fez carne”, e agora leremos o que Paulo diz com respeito à natureza dessa carne: “Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez DEUS enviando o Seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou DEUS, na carne, o pecado. A fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito”. Rom. 8:3, 4.

Um pequeno pensamento será suficiente para revelar a qualquer um que, se CRISTO assumiu sobre Si a semelhança do homem, deve ter sido ao homem pecador que Ele se assemelhou, pois foi ao homem pecador que Ele veio remir. A morte não poderia ter qualquer poder sobre um homem sem pecado, como Adão foi no Éden, e não poderia ter tido qualquer poder sobre CRISTO, se o SENHOR não tivesse disposto sobre Ele a iniquidade de nós todos. Ademais, o fato de que Cristo tomou sobre Si a carne, não de um ser inculpável, mas de um homem pecador, isto é, que a carne que Ele assumiu tinha todas as fraquezas e tendências pecaminosas a que a natureza humana caída está sujeita, é demonstrado pela declaração de que “Ele foi feito da semente de Davi segundo a carne”. Davi tinha todas as paixões da natureza humana. Ele disse a seu próprio respeito: “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu a minha mãe”. Sal. 51:5.

A declaração seguinte do livro de Hebreus é muito clara sobre este ponto: “Pois Ele, evidentemente, não socorre a anjos, mas socorre a descendência de Abraão. Por isso mesmo convinha que, em todas as coisas, Se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a DEUS, e para fazer propiciação pelos pecados do povo. Pois naquilo que Ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados”. Heb. 2:16-18.

Se Ele tivesse sido em todas as coisas semelhantes a Seus irmãos, então deve ter sofrido todas as enfermidades e sido sujeito a todas as tentações deles. Dois textos mais que deixam esta questão bem evidente serão evidência suficiente a respeito disso. Primeiro citamos 2 Coríntios 5:21:

“Aquele que não conheceu pecado [DEUS], Ele O fez pecado por nós; para que Nele fôssemos feitos justiça de DEUS”.

Isto é mais vigoroso do que a declaração de que Ele foi feito em “semelhança da carne pecaminosa”. Ele foi tornado em pecado. Aqui se acha o mesmo mistério quanto ao de que o Filho de DEUS devia morrer. O Cordeiro imaculado de DEUS, que não conhecera qualquer pecado, foi feito pecado. Sem pecado, contudo, não somente contado como um pecador, mas realmente tomando sobre Si mesmo a natureza pecaminosa. Ele foi feito pecado a fim de que pudesse ser feito justiça. Assim, Paulo declara aos gálatas que “DEUS enviou Seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos”. Gál. 4:4, 5.

“Pois naquilo que Ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados”.“Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-Se de nossas fraquezas, antes foi Ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna”. Hebreus 4:15, 16.

Um ponto mais e então podemos aprender toda a lição que devíamos assimilar do fato de que “o Verbo Se fez carne e habitou entre nós”. Como foi que CRISTO pôde assim “compadecer-Se das nossas fraquezas” (Heb. 5:2) e ainda não conhecer pecado? Alguns podem ter pensado, enquanto lendo até este ponto, que estivemos depreciando o caráter de JESUS por trazê-Lo ao nível do homem pecador. Pelo contrário, estamos simplesmente exaltando o “divino poder” de nosso abençoado Salvador, que a Si mesmo voluntariamente desceu ao nível do homem pecador, a fim de que pudesse exaltar o homem à Sua própria natureza imaculada, que Ele reteve sob as circunstâncias mais adversas. Sua humanidade apenas velava Sua divina natureza, pela qual Ele estava inseparavelmente ligado ao DEUS invisível e que era mais do que capaz de resistir com êxito às fraquezas da carne. Havia em toda a Sua vida uma luta. A carne, movida pelo inimigo de toda justiça, tenderia ao pecado, contudo Sua divina natureza nunca por um momento acolheu um desejo maligno nem o Seu divino poder jamais hesitou. Tendo sofrido na carne tudo quanto os homens podem possivelmente sofrer, Ele retornou ao trono do PAI como imaculado do mesmo modo que deixou as cortes de glória. Quando jazia na tumba, sob o poder da morte, “era impossível que ali fosse detido”, porque “não conheceu pecado”.

Mas alguém dirá: “Não encontro nisso nenhum conforto para mim. Na verdade, tenho um exemplo que não posso seguir, pois não possuo o poder que CRISTO teve. Ele foi DEUS mesmo enquanto estava aqui na Terra. Eu, porém, sou um mero homem”. Sim, mas poderá ter o mesmo poder que Ele tinha se o desejar. Ele foi “capaz de condoer-Se” de nossas fraquezas (Heb. 5:2), porém sem “conhecer pecado”, por causa do poder divino que constantemente Nele habitava. Agora, atentemos às inspiradas palavras de Paulo e aprendamos qual é nosso privilégio de possuir.

“Por esta causa me ponho de joelhos diante do PAI, de quem toma o nome toda família, tanto no céu como sobre a terra, para que, segundo a riqueza da Sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o Seu ESPÍRITO no homem interior, e assim habite CRISTO nos vossos corações, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor, a fim de poderdes compreender, como todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de CRISTO, que excede todo crer entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de DEUS”. Efés. 3:14-19.

Quem poderia pedir mais? CRISTO, em Quem habita toda a plenitude da Divindade corporalmente, pode habitar em nosso corações de modo que possamos ser cheios com toda a plenitude de DEUS. Que promessa maravilhosa! Ele Se compadece das nossas fraquezas. Isto é, tendo sofrido tudo quanto a carne pecaminosa herda, sabe tudo a seu respeito e identifica-se com os Seus filhos numa tão íntima empatia que tudo que sobre eles exerce pressão, causa-Lhe idêntica ação e Ele sabe quanto poder divino é necessário para resistir-lhe. E se sinceramente desejarmos negar a “impiedade e paixões mundanas”, Ele é capaz e ansiosamente nos dá força abundante, acima de tudo quanto peçamos ou imaginemos.

Animem-se, pois, as almas cansadas, débeis e oprimidas pelo pecado. Que venham “confiadamente, junto ao trono da graça”, onde com segurança encontrarão graça para ajuda-los em tempo de necessidade, porque essa necessidade é sentida por nosso Salvador no tempo exato em que se faz precisa. Ele pode “compadecer-Se das nossas fraquezas”. Se fosse apenas pelo fato de que sofreu quase dois mil anos atrás, poderíamos temer que houvesse Se esquecido de algumas dessas fraquezas, mas não, a própria tentação que lhe pressiona, a Ele também afeta. Suas feridas estão sempre frescas, e Ele vive sempre para fazer intercessão por você.

Que maravilhosas possibilidades há para o cristão! A que alturas de santidade ele pode alcançar! Não importa quanto Satanás possa guerrear contra ele, atacando-o onde a carne é mais fraca, pode descansar sobre a sombra do Onipotente a ser cheio da plenitude da força de DEUS. Aquele que é mais forte do que Satanás pode habitar o seu coração continuamente e assim, considerando os ataques satânicos como se estivesse firmado sobre uma imponente fortaleza, pode dizer: “Tudo posso Naquele que me fortalece”. Fil. 4:13.

Capítulo 7 - Vida campestre

Não é meramente como uma bela teoria, um mero dogma, que devemos considerar a CRISTO como DEUS e Criador. Toda doutrina bíblica é para nosso benefício prático e deve ser estudada para esse propósito. Vejamos primeiramente que relação esta doutrina tem com o mandamento central da lei de DEUS. Em Gênesis 2:1-3 encontramos estas palavras dando fecho ao registro da Criação: “Assim, pois, foram acabados os céus e a Terra, e todo o Seu exército. E havendo DEUS terminado no dia sétimo a Sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a Sua obra que tinha feito. E abençoou DEUS o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera”. Esta é a mesma linguagem encontrada no quarto mandamento, Êxodo 20:8-11.

Nisso descobrimos, o que é muito natural, que o mesmo Ser que criou, descansou. Ele que trabalhara seis dias criando a Terra, descansou no sétimo e o abençoou e santificou. Mas já aprendemos que DEUS, o PAI, criou os mundos mediante o Seu Filho JESUS CRISTO, e que CRISTO criou tudo quanto tem existência. Desse modo, a inevitável conclusão é de que CRISTO repousou naquele primeiro sétimo dia ao final dos seus dias criativos e que o abençoou e santificou. Desse modo, o sétimo dia o sábado é de modo bem enfático o dia do SENHOR. Quando JESUS declarou aos críticos fariseus “Porque o Filho do homem é senhor do sábado” (Mat. 12:8), Ele expressou o Seu senhorio sobre o dia idêntico ao que eles tinham observado tão escrupulosamente em forma, e o fez em termos que revelam que o considerava o Seu distintivo de autoridade, ao demonstrar o fato de que Ele era maior do que o Templo. Assim, o sétimo dia é o memorial da Criação divinamente designado. É o mais honrado dentre todos os dias, uma vez que sua missão especial é trazer à mente o poder criativo de DEUS, prova básica ao homem de Sua divindade. E assim, quando CRISTO declarou que o Filho do Homem é SENHOR até do sábado, reivindicava uma elevada distinção nada menos do que ser o Criador, de cuja divindade aquele dia permanece como um memorial.

Que diremos, então, da sugestão feita frequentemente de que CRISTO mudou o dia de descanso daquele que comemora a Criação completa para um que não tem tal significação? Simplesmente isto, que para CRISTO mudar ou abolir o sábado destruiria aquilo que traz à mente a Sua divindade. Se CRISTO tivesse abolido o sábado, teria desfeito a obra de Suas próprias mãos e assim teria trabalhado contra Si mesmo, e um reino dividido contra si não pode prevalecer. Mas CRISTO “não pode negar-Se a Si mesmo” e, destarte, não alterou um til daquilo que Ele próprio designara e que, por testificar de Sua divindade, demonstrara-O digno de honra acima de todos os deuses do paganismo. Teria sido igualmente impossível que CRISTO mudasse o sábado como mudar o fato de que Ele criou todas as coisas em seis dias e descansou no sétimo.

Novamente, as declarações frequentemente repetidas de que o SENHOR é Criador objetivam ser uma fonte de força. Note-se como a Criação e a Redenção se integram no primeiro capítulo de Colossenses. Para perceber bem a questão diante de nós, reproduziremos os versos 9-19:

"Por esta razão, também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da Sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual; a fim de viverdes de modo digno do SENHOR, para o Seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra, e crescendo no ple¬no conhecimento de DEUS; sendo fortalecidos com todo o poder, segundo a força da Sua glória, em toda a perse¬verança e longanimidade; com alegria, dando graças ao PAI que vos fez idôneos à parte que vos cabe da herança dos santos na luz. Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do filho do Seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados. Ele é a imagem do DEUS invisível, o primogênito de toda a Cria¬ção; pois Nele foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio Dele e para Ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter primazia, porque aprouve a DEUS que Nele residisse toda a plenitude"

Não é por acaso que a maravilhosa declaração concernente a CRISTO como Criador esteja relacionada com a declaração de que Nele temos a redenção. Não. Quando o apóstolo torna conhecido o seu desejo de que sejamos "fortalecidos com todo poder, segundo o Seu glorioso poder", ele nos faz saber que glorioso poder é esse. Quan¬do nos fala sobre sermos livrados do poder das trevas, faz-nos saber algo do poder do Libertador. É para nosso conforto que nos é dito que a Cabeça da igreja é o Criador de todas as coisas. É-nos dito que Ele sustém todas as coisas pela palavra de Seu poder (Heb. 1:3) a fim de que possamos descansar na segurança de que a mão que sus¬tenta toda a natureza guardará igualmente a Seus filhos.

Observe a relação com Isaías 40:26. O capítulo apresenta a maravilhosa sabedoria e poder de CRISTO, ao chamar todas as hostes do céu por nomes e mantê-las todas em seus lugares, pela grandeza e força de Seu poder, e então indaga: "Por que, pois, dizes, ó Jacó, e falas, ó Israel: o meu caminho está encoberto ao SENHOR, e o meu direito passa despercebido ao meu DEUS? Não sabes, não ouviste que o eterno DEUS, o SENHOR, o Criador dos fins da Terra, nem Se cansa nem Se fatiga? Não se pode esquadrinhar o Seu entendimento". Ao contrário, Ele faz "forte ao cansado, e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor". O Seu poder, de fato, é a habilidade de criar tudo do nada; portanto, Ele pode operar maravilhas por meio daqueles que não dispõem de força. Ele pode produzir força da fraqueza. Seguramente, então, qualquer coisa que sirva para manter diante da mente o poder criativo de CRISTO deve tender a renovar nossa força e coragem espirituais.

E é este exatamente o objetivo do sábado. Leia o Salmo 92, que é intitulado o salmo para o dia de sába¬do. Os primeiros quatro versos assim rezam:

"Bom é render graças ao SENHOR, e cantar louvores ao Teu nome, ó Altíssimo, anunciar de manhã a Tua misericórdia, e, durante as noites, a Tua fidelidade, com instrumentos de dez cordas, com saltério, e com a sole¬nidade da harpa. Pois me alegraste, SENHOR, com os Teus feitos; exultarei nas obras das Tuas mãos".

O que isso tem a ver com o sábado? Apenas isto: O sábado é o memorial da Criação. Diz o SENHOR: "Também lhes dei os Meus sábados, para servirem de sinal entre Mim e eles, para que soubessem que Eu sou o SENHOR que os santifica". Ezeq. 20:12. O salmista observava o sábado como DEUS designou que fosse ob¬servado--em meditação sobre a Criação e o maravilhoso poder e bondade de DEUS nela revelados. E então, pen¬sando nisso, ele considerou que o DEUS que veste os lírios com a glória que ultrapassa a de Salomão cuida muito mais de suas criaturas inteligentes, e ao considerar os céus, que revelam o poder e glória de DEUS, e considerar que foram trazidos à existência desde o nada, o pensamento encorajador lhe veio de que esse mesmo poder opera¬ria nele para livrá-lo das fraquezas humanas. Portanto, regozijava-se, e triunfou na obra das mãos de DEUS. O conhecimento do poder de DEUS que lhe veio mediante a contemplação da Criação encheu-o de ânimo ao reconhe¬cer que o mesmo poder estava ao seu dispor, e, apegando-se pela fé a tal poder, obteve vitórias mediante Ele. É este o desígnio do sábado; levar o homem a um conhecimento salvador de DEUS.

O argumento, de modo conciso, é este: (1) A fé em DEUS é gerada por um conhecimento do Seu poder; deixar de confiar Nele implica ignorância de Sua capacidade de cumprir as Suas promessas; nossa fé Nele deve ser proporcional ao nosso real conhecimento de Seu poder. (2) Uma contemplação inteligente da Criação divina nos dá uma concepção verdadeira de Seu poder, pois o Seu eterno poder e a Divindade são entendidos pelas coi¬sas que fez. Rom. 1:20. (3) É a fé que concede vitória (I João 5:4); portanto, sendo que a fé vem por aprender o poder de DEUS de Sua palavra e das coisas que Ele criou, obtemos a vitória ou o triunfo mediante as obras de Suas mãos. O sábado, portanto, que é o memorial da Criação, é, se apropriadamente observado, uma fonte do maior reforço do cristão em batalha.

Esta é a ênfase de Ezequiel 20:12: "Também lhes dei os Meus sábados, para servirem de sinal entre Mim e eles, para que soubessem que Eu sou o SENHOR que os santifica". Ezeq. 20:12. Noutras palavras, se nossa santi¬ficação é a vontade de DEUS (I Tess. 4:3; 5:23,24), aprendemos, por meio do sábado, apropriadamente emprega¬do, que poder de DEUS é esse exercido para nossa santificação. O mesmo poder que foi exercido para criar os mundos é posto à nossa disposição para a santificação daqueles que se submetem ao poder de DEUS. Certamente este pensamento, quando plenamente assimilado, deve trazer alegria e conforto em DEUS à alma anelante. à luz disso, podemos apreciar a força de Isaías 58:13,14:

"Se desviares o teu pé de profanar o sábado, e de cuidar dos teus próprios interesses no Meu santo dia, mas se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do SENHOR digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs, então te deleitarás no SENHOR. Eu te farei cavalgar sobre os altos da Terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do SENHOR o disse".

Ou seja, se o sábado é observado segundo o plano de DEUS, como um memorial de Seu poder criador, como trazendo à mente o divino poder que é exercido para a salvação do Seu povo, a alma, triunfando na obra de Suas mãos, deve deleitar-se no SENHOR. E assim o sábado é o grande apoio para a alavanca da fé, que ergue a alma às alturas do trono de DEUS, para manter comunhão com Ele

Para sumariar a questão toda, pode-se declará-la assim: O eterno poder e Divindade do SENHOR são reve¬lados na Criação (Rom. 1:20); é a habilidade de criar que mede o poder de DEUS. Mas o Evangelho é o poder de DEUS para a salvação. Rom. 1:16. Portanto, o Evangelho simplesmente nos revela o poder que foi usado para tra¬zer os mundos à existência, agora exercido para a salvação dos homens. É o mesmo poder em cada caso.

Å luz desta grande verdade, não há lugar para a controvérsia a respeito da Redenção ser maior do que a criação, porque a redenção é criação. Ver 2 Cor. 5:17; Efés. 4:24. O poder da redenção é o poder da criação; o poder de DEUS para a salvação é o poder que pode tirar o homem do nada e torná-lo aquilo que ele será pelas eras eternas para o louvor da glória da graça de DEUS. "Por isso também os que sofrem segundo a vontade de DEUS encomendem as suas almas ao fiel Criador, na prática do bem". I Pedro 4:19.

Å luz desta grande verdade, não há lugar para a controvérsia a respeito da Redenção ser maior do que a criação, porque a redenção é criação. Ver 2 Cor. 5:17; Efés. 4:24. O poder da redenção é o poder da criação; o poder de DEUS para a salvação é o poder que pode tirar o homem do nada e torná-lo aquilo que ele será pelas eras eternas para o louvor da glória da graça de DEUS. "Por isso também os que sofrem segundo a vontade de DEUS encomendem as suas almas ao fiel Criador, na prática do bem". I Pedro 4:19.

"Lembre-se" de nosso Criador ("lembre-se Dele como nosso Redentor, nossa Santificação, nossa Justifi¬cação, nossa Fé, nossa Lei, nossa vida, nosso Amor, nosso DEUS, nosso SENHOR).

Cápitulo 8 - As cidades

"Porque o SENHOR é o nosso juiz; o SENHOR é o nosso legislador, o SENHOR é o nosso rei; Ele nos salvará". Isaías 33:22.

Temos agora que considerar a CRISTO em outro personagem, mas não outro. É o que naturalmente resulta de Sua posição como Criador, pois Aquele que cria deve certamente ter autoridade de guiar e controlar. Lemos em João 5:22,23 as palavras de CRISTO, segundo as quais "o PAI a ninguém julga, mas ao Filho confiou todo o jul¬gamento, a fim de que todos honrem o Filho, do modo por que honram o PAI. Quem não honra o Filho não honra o PAI". Sendo CRISTO a manifestação do PAI na Criação, assim Ele é a manifestação do PAI em dar e executar a lei. Alguns textos escriturísticos são suficientes para provar isto.

Em Números 21:4-6 temos o registro parcial de um incidente que teve lugar enquanto os filhos de Israel estavam no deserto. Leiamo-lo: "Então partiram do monte Hor, pelo caminho do Mar Vermelho, a rodear a terra de Edom; porém o povo se tornou impaciente no caminho. E falou contra DEUS e contra Moisés: Por que nos fi¬zestes subir do Egito, para que morramos neste deserto, onde não há pão nem água? E a nossa alma tem fastio deste pão vil. Então o SENHOR mandou entre o povo serpentes abrasadoras, que mordiam o povo; e morreram mui¬tos do povo de Israel". O povo falou contra DEUS e contra Moisés, dizendo: Por que nos trouxeste para este deser¬to? Acharam falta no seu líder. É por isso que foram destruídos por serpentes. Agora, leiamos as palavras do a¬póstolo Paulo com respeito ao mesmo evento:

"Não ponhamos o SENHOR à prova, como alguns deles já fizeram, e pereceram pelas mordeduras das ser¬pentes". I Cor. 10:9.

O que isto prova? Que o Líder contra quem eles murmuravam era CRISTO. Isto é adicionalmente demons¬trado pelo fato de que quando Moisés lançou sua sorte por Israel, recusando ser chamado o filho da filha de Fara¬ó, ele considerou o opróbrio de CRISTO de maior valor do que as riquezas do Egito. Heb. 11:26. Leia também 1 Coríntios 10:4, onde Paulo declara que os pais "beberam da mesma fonte espiritual; porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguira. E a pedra era CRISTO". Assim, pois, CRISTO era o Líder de Israel saído do Egito.

O terceiro capítulo de Hebreus torna claro este mesmo fato. Ali é-nos dito para considerar o "Apóstolo e Sumo Sacerdote de nossa profissão, CRISTO JESUS, o qual é fiel àquele que O constituiu, como também o era Moi¬sés em toda a casa de DEUS". Versos 1-6. A seguir nos é dito que nós somos Sua casa se nos firmarmos em nossa confiança até o fim. Portanto, somos exortados pelo ESPÍRITO SANTO a ouvir Sua voz e não endurecer nossos cora¬ções, como na provocação do deserto por nossos pais. "Porque nos temos tornado participantes de CRISTO, se de fato guardarmos firme até ao fim a confiança que desde o princípio tivemos. Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a Sua voz, não endureçais os vossos corações como foi na provocação. Ora, quais os que, tendo ouvido se rebela¬ram? Não foram, de fato, todos os que saíram do Egito por intermédio de Moisés? E contra quem se indignou por quarenta anos? Não foi contra os que pecaram, cujos cadáveres caíram no deserto?"

A mesma coisa é demonstrada em Josué 5:13-15, onde nos é dito que o homem a quem Josué viu perto de Jericó, tendo uma espada nua na mão, em resposta à pergunta de Josué: "És tu dos nossos, ou dos nossos ad¬versários?" declarou: "Não; sou príncipe do exército do SENHOR, e acabo de chegar". Na verdade, ninguém se achará que dispute que CRISTO era o real Líder de Israel, conquanto invisível.

Moisés, o líder visível do povo de Israel, "resistiu como vendo Aquele que é invisível". Fora CRISTO quem comissionara Moisés a ir e libertar o Seu povo. Lemos em sxodo 20:1-3:

"Então falou DEUS todas estas palavras: Eu sou o SENHOR teu DEUS, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de Mim." Quem pronunciou estas palavras? Aquele que os trouxe do Egito. E quem foi o Líder de Israel no Egito? Foi CRISTO. Então quem pronunciou a lei no Monte Sinai? Foi CRISTO, o resplendor da glória do PAI e a expressa imagem de Sua pessoa, que é a manifestação de DEUS ao homem. Foi o Criador de todas as coisas criadas e Aquele a Quem todo juízo foi confiado.

Este ponto pode ser demonstrado doutro modo. Quando o SENHOR vier, será com um clamor (1 Tess. 4:16), que penetrará as tumbas e despertará os mortos (João 5:28, 29). "O SENHOR lá do alto rugirá, e da Sua santa morada fará ouvir a Sua voz; rugirá fortemente contra a Sua malhada, com brados contra todos os moradores da Terra, como o eia! dos que pisam as uvas. Chegará o estrondo até à extremidade da Terra, porque o SENHOR tem contenda com as nações, entrará em juízo contra toda carne; os perversos entregará à espada, diz o SENHOR". Je¬remias 25:30,31. Comparando isto com Apocalipse 19:11-21, onde CRISTO como o Líder dos exércitos dos céus, o Verbo de DEUS, Rei dos reis, e SENHOR dos senhores, sai para pisar o lagar da ira e ferocidade do DEUS Todo-po¬deroso, destruindo todos os ímpios, verificamos que é CRISTO que "brama de Sião, e Se fará ouvir de Jerusalém, e os céus e a Terra tremerão; mas o SENHOR será o refúgio do Seu povo, e a fortaleza dos filhos de Israel". Joel 3:16.

Destes textos, ao qual outros poderiam ser acrescentados, aprendemos que, em relação com a vinda do SENHOR para livrar o Seu povo, é Ele que fala com uma voz que sacode a Terra e os céus--"A Terra cambaleia como um bêbado, e balanceia como rede de dormir" (Isa. 24:20), e "os céus passarão com estrepitoso estrondo" (2 Pedro 3:10). Agora leiamos Hebreus 12:25,26:

"Tende cuidado, não recuseis ao que fala. Pois, se não escaparam aqueles que recusaram ouvir quem divinamente os advertia sobre a Terra, muito menos nós, os que nos desviamos Daquele que dos céus nos adverte, Aquele, cuja voz abalou, então, a Terra; agora, porém, Ele promete, dizendo: Ainda uma vez por todas farei abalar não só a Terra, mas também o céu".

A ocasião em que a Voz falando sobre a Terra a abalou foi quando a lei foi proferida no Sinai (sxo. 19:18-20; Heb. 12:18-20), um evento que jamais teve paralelo em impacto e jamais terá até que o SENHOR venha com todos os anjos celestiais para salvar o Seu povo. Mas, observemos: A mesma voz que então abalou a Terra, no porvir abalará não somente a Terra, mas também o céu, e temos visto que é a voz de CRISTO que soará com tal vigor ao ponto de abalar o céu e a Terra quando de Sua controvérsia com as nações. Portanto, está demonstrado que foi a voz de CRISTO que se fez ouvir no Sinai, proclamando os dez mandamentos. Isto não é mais do que natu¬ralmente se poderia concluir do que temos aprendido com respeito a CRISTO como Criador e Autor do sábado. Na verdade, o fato de que CRISTO é parte da Divindade, possuindo todos os atributos da divindade, sendo igual ao PAI em todos os aspectos, como Criador e Legislador, é a única força que há na expiação. É isto somente que torna a redenção uma possibilidade. CRISTO morreu "para conduzir-nos a DEUS" (I Pedro 3:18), mas se Lhe faltasse um jota de igualdade com DEUS, não poderia conduzir-nos a Ele. A divindade significa ter os atributos da deidade. Se CRISTO não fosse divino, então somente poderíamos ter um sacrifício humano. Não importa, mesmo que se conce¬da que CRISTO foi a mais elevada inteligência do Universo; nesse caso Ele seria um súdito, devendo aliança à lei, sem habilidade de cumprir mais do que o Seu próprio dever. Ele não poderia dispor de justiça para comunicar a outros. Há uma distância infinita entre o mais elevado anjo já criado e DEUS; portanto, o mais elevado anjo não poderia soerguer o homem caído e torná-lo participante da natureza divina. Os anjos podem ministrar; DEUS so¬mente pode remir. Graças damos a DEUS por sermos salvos, "mediante a redenção que há em CRISTO JESUS", em quem habita toda a plenitude da divindade corporalmente e que é, portanto, capaz de salvar plenamente aqueles que vêm a DEUS por Ele.

Esta verdade ajuda a obtermos uma compreensão mais perfeita da razão por que CRISTO é chamado o Verbo de DEUS. Ele é Aquele mediante Quem a vontade e poder divinos são tornados conhecidos aos homens. Ele é, por assim dizer, o porta-voz da Divindade, a manifestação da Divindade. Ele declara ou torna DEUS conhe¬cido ao homem. É do agrado do PAI que Nele habitasse toda a plenitude; e, portanto, o PAI não é relegado a uma posição secundária, como alguns imaginam, quando CRISTO é exaltado como Criador e Legislador, pois a glória do PAI fulgura mediante o Filho. Uma vez que DEUS é conhecido somente mediante CRISTO, é evidente que o PAI não pode ser honrado como Ele deve ser honrado, por aqueles que não exaltam a CRISTO. Como o próprio CRISTO disse: "Quem não honra o Filho não honra o PAI que O enviou". João 5:23. Indaga-se como CRISTO poderia ser o Media¬dor entre DEUS e o homem e também o Legislador? Não temos de explicar como isso pode ser, mas somente acei¬tar as Escrituras no que dão testemunho de que assim é. E o fato de assim ser é o que dá força à doutrina da expi¬ação. A segurança do pecador de pleno e perfeito perdão jaz no fato de que o próprio Legislador, Aquele contra quem Ele havia se rebelado e ao qual havia desafiado, é o que Se deu por nós. Como é possível para quem quer que seja duvidar da honestidade do propósito de DEUS ou de Sua perfeita boa vontade para com os homens, quan¬do deu-Se por Sua redenção? Que não se imagine que o PAI e o Filho foram separados nessa transação. Foram um nisto, bem como em tudo o mais. O conselho de paz foi entre Eles ambos (Zac. 6:12,13), e mesmo enquanto aqui na Terra, o Filho unigênito estava no seio do PAI.

Que maravilhosa manifestação de amor! O Inocente sofria pelo culpado; o Justo pelo injusto; o Criador pela criatura; o Autor da lei pelo transgressor dessa lei; o Rei por seus rebeldes súditos. Uma vez que DEUS não poupou a Seu próprio Filho, mas livremente O entregou por nós todos--uma vez que CRISTO voluntariamente Se deu por nós--como não irá com Ele livremente nos conceder todas as coisas?

O amor infinito não poderia encontrar maior manifestação de si mesmo. Bem pode o SENHOR dizer: "Que mais se podia fazer ainda à Minha vinha que Eu lhe não tenha feito?"

Capítulo 9 -Leis dominicais

"Buscai, pois, em primeiro lugar o Seu reino e a Sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescenta¬das". Mat. 6:33.

A justiça de DEUS, declara JESUS, é o objetivo a ser buscado nesta vida. Alimentação e vestuário são ques¬tões de menor monta em comparação com ela. DEUS as suprirá no devido tempo, de modo que o cuidado e preo¬cupação excessivos não precisam direcionar-se nesse rumo; mas assegurar que o Reino de DEUS e Sua justiça se¬jam o único objetivo da vida.

Em I Coríntios 1:30 é-nos dito que CRISTO foi feito a nós justiça, bem como sabedoria, e uma vez que CRISTO é a sabedoria de DEUS e Nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade, é evidente que a justiça que se nos está disponível é a de DEUS. Vejamos o que esta justiça é:

No Salmo 119:172 o salmista assim se dirige ao SENHOR: A Minha língua celebre a Tua lei, pois todos os Teus mandamentos são justiça". Os mandamentos são justiça, não simplesmente no abstrato, mas são a justi¬ça de DEUS. Como comprovação, leia o seguinte:

"Levantai os vossos olhos para os céus, e olhai para a Terra em baixo, porque os céus desaparecerão como o fumo, e a Terra envelhecerá como um vestido, e os Seus moradores morrerão como mosquitos, mas a Minha salvação durará para sempre, e a Minha justiça não será anulada. Ouvi-Me, vós que conheceis a justiça, vós, povo, em cujo coração está a Minha lei; não temais o opróbrio dos homens, nem vos turbeis por causa das Suas injúrias". Isaías 51:6,7.>

O que aprendemos disso? Que aqueles que conhecem a justiça de DEUS são as pessoas em cujo coração está a Sua lei, e, portanto, que a lei de DEUS é a justiça de DEUS.

Isso pode ser provado novamente, como segue: "Toda injustiça é pecado". I João 5:17. "Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei: porque o pecado é transgressão da lei". I João 3:4. Pecado é transgres¬são da lei, e é também injustiça; portanto pecado e injustiça são idênticos. Mas se injustiça é transgressão da lei, justiça deve ser obediência à lei. Ou, para colocar a proposição em fórmula matemática:

  • INJUSTIÇA = PECADO. 1 JOão 5:17.
  • TRANSGRESSÃO DA LEI = PECADO. 1 JOão 3:4

Portanto, segundo o axioma de que duas coisas iguais à mesma coisa são idênticas entre si, temos:

  • INJUSTIÇA = TRANSGRESSÃO DA LEI, que vem a ser uma equação negativa. A mesma coisa, declarada em termos positivos, seria:
  • JUSTIÇA = OBEDIENCIA à LEI.

Agora, que lei tem sua obediência representando justiça, com a desobediência a ela significando pecado? Trata-se daquela lei que declara: "Não cobiçarás", pois o apóstolo Paulo nos diz que esta lei o convenceu do pe¬cado. Rom. 7:7. A lei dos dez mandamentos, pois, é a medida da justiça de DEUS. Sendo ela a lei de DEUS e cons¬tituindo a justiça, a rebelião contra a lei de DEUS é rebelião contra a justiça de DEUS.

Uma vez que a lei é a justiça de DEUS--uma transcrição de Seu caráter--é fácil ver que temer a DEUS e guardar os Seus mandamentos é "o dever de todo homem". Ecles. 12:13. Que ninguém pense que o seu dever será restringido se confinado aos dez mandamentos, pois eles são bastante amplos. "A lei é espiritual", e abrange muito mais do que pode ser discernido por um leitor comum. "Ora, o homem natural não aceita as coisas do ESPÍRITO de DEUS, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las porque elas se discernem espiritualmente". I Cor. 2:14. A extraordinária abrangência da lei de DEUS pode ser reconhecida somente por aqueles que com oração meditam sobre ela. Alguns poucos textos bíblicos serão suficientes para mostrar-nos algo de sua amplitude.

No Sermão do Monte, CRISTO declarou: "Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo". Mateus 5:21, 22. E novamente: "Ouviste que foi dito: Não adul¬terarás. Eu, porém, vos digo: Qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração já adulterou com ela".

Isto não significa que os mandamentos "Não matarás" e "Não adulterarás" são imperfeitos, ou que DEUS agora requeira um grau maior de moralidade de parte dos cristãos do que o fazia quanto ao Seu povo que eram os judeus. Ele requer a mesma coisa de todos os homens em todas as épocas. O Salvador simplesmente explicou es¬ses mandamentos e revelou-lhes a espiritualidade. Ante a acusação não expressa dos fariseus de que Ele estava ignorando e solapando a lei moral, Ele respondeu declarando que veio para estabelecer a lei, e que ela não pode¬ria ser abolida, e daí expôs o verdadeiro significado da lei de um modo que os convenceu de que a estavam igno¬rando e desobedendo. Ele revelou que mesmo um olhar ou um pensamento podem ser uma violação da lei e que ela é realmente uma discernidora dos pensamentos e intenções do coração.

Nisso CRISTO não revelou uma nova verdade, mas somente trouxe à luz e desdobrou uma antiga. A lei tinha exatamente o mesmo caráter quando Ele a proclamou do Sinai e quando a expunha sobre a montanha da Judéia. Quando, em tons que abalaram a Terra, Ele declarou: "Não matarás", queria dizer: "Não abrigueis rancor no coração; não permitais a inveja, nem a contenda, nem qualquer coisa que seja remotamente relacionada com o assassinato". Tudo isso e muito mais está contido nas palavras: "Não matarás". E isto era ensinado nas palavras inspiradas do Velho Testamento, pois Salomão demonstrou que a lei trata de coisas invisíveis, bem como de coi¬sas visíveis, quando escreveu: "De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a DEUS e guarda os Seus man¬damentos; porque isto é o dever de todo homem. Porque DEUS há de trazer a juízo todas as obras até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más". Ecle. 12:13,14.

O argumento é este: O juízo repassa toda coisa secreta; a lei de DEUS é o padrão no juízo--determina a qualidade de cada ato, se bom ou mau; portanto, a lei de DEUS proíbe o mal em pensamento, bem como em ação. Assim, a conclusão de toda a questão é de que os mandamentos de DEUS contêm o dever todo do homem.

Tomemos o primeiro mandamento: "Não terás outros deuses diante de Mim". O apóstolo nos fala sobre alguns cujo "deus . . . é o ventre". Fil. 3:19. Mas a glutonaria e a intemperança são suicídio, e assim descobri¬mos que o primeiro mandamento perpassa o sexto. Isto, porém, não é tudo, pois ele também nos fala que a cobiça é idolatria. Col. 3:5. O décimo mandamento não pode ser violado sem a violação do primeiro e do segundo. Em outras palavras, os dez mandamentos coincidem com o primeiro, e descobrimos que o Decálogo é um círculo ten¬do uma circunferência tão grande quanto o universo, e contendo em si o dever moral de cada criatura. Em resu¬mo, é a medida da justiça de DEUS, que habita a eternidade.

Sendo esse o caso, a correção da declaração de que "os que praticam a lei hão de ser justificados" é ób¬via. Justificar significa tornar justo ou revelar-se alguém como sendo justo. Agora, é evidente que a perfeita obe¬diência a uma lei perfeitamente justa constituiria alguém como uma pessoa justa. DEUS designou que tal obediência devesse ser prestada à lei por todas as Suas criaturas, e desse modo a lei foi ordenada para a vida. Rom. 7:10.

Mas para alguém ser julgado um praticante da lei seria necessário que tivesse observado a lei em sua medida plena a cada instante de sua vida. Se ficasse aquém disso, não poderia ter dito que praticara a lei. Não poderia ser um praticante da lei se a tivesse cumprido somente em parte. É um triste fato, portanto, que em toda a raça humana não haja cumpridores da lei, pois tanto judeus quanto gentios estão todos "debaixo do pecado; como está escrito: Não há justo, nem sequer um, não há quem entenda, não há quem busque a DEUS; todos se extravia¬ram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer". Rom. 3:9-12. A lei fala a todos que estão dentro de sua esfera, e em todo o mundo não há ninguém que possa abrir a boca para livrar-se da acusa¬ção de pecado que ela levanta contra si. Toda boca é calada e todo o mundo se apresenta culpado diante de DEUS (verso 19), "pois todos pecaram e carecem da glória de DEUS" (verso 23).

Portanto, embora "os que praticam a lei hão de ser justificados", é também verdade que "ninguém será justificado diante Dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado" (verso 20). A lei, sendo "santa, justa, e boa", não pode justificar um pecador. Noutras palavras, uma lei justa não pode declarar que aquele que a viola é inocente. Uma lei que justificasse um homem ímpio seria uma lei ímpia. A lei não deve ser desprezada por não justificar pecadores. Pelo contrário, deve ser exaltada por tal respeito. O fato de que a lei não declare os pecadores justos--o não dizer que os homens a guardaram e quando eles a violaram--é em si evidência suficiente de ser boa. Os homens aplaudem um juiz terreno incorruptível. Seguramente, eles deveri¬am magnificar a lei de DEUS, que não dará falso testemunho. A lei é a perfeição da justiça e, portanto, é forçada a declarar o triste fato de que nenhum representante da raça de Adão cumpriu os seus requisitos.

Ademais, o fato de que cumprir a lei é simplesmente o dever do homem demonstra que quando ele fica aquém dela num simples requisito nunca a poderá preencher. As exigências de cada preceito da lei são assim am¬plos--a lei inteira é tão espiritual--que um anjo não poderia prestar-lhe mais do que obediência. Sim, adicional¬mente, a lei é a justiça de DEUS--uma transcrição de Seu caráter--e uma vez que o Seu caráter não pode ser dife¬rente do que é, segue-se que mesmo o próprio DEUS não pode ser melhor do que a medida da bondade requerida por Sua lei. Ele não pode ser melhor do que é e a lei declara que é. Que esperança, pois, de que alguém que haja falhado, mesmo num único preceito, possa acrescentar bondade extra para preencher a medida plena? Aquele que tenta fazê-lo estabelece diante de si a tarefa impossível de ser melhor do que DEUS exige, sim, até mesmo melhor do que DEUS.

Mas não é simplesmente num particular que os homens falharam. Eles ficaram aquém em toda extensão. "Todos se extraviaram, a uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer". Não somente é assim, mas é impossível que homens caídos, com suas faculdades enfraquecidas, façam até mesmo um simples ato que corresponda ao perfeito padrão. Esta proposição não requer prova adicional, a não ser uma reiteração do fato que a lei é a medida da justiça de DEUS. Certamente não existe ninguém tão presumido para reivindicar que qualquer ato de suas vidas tenha sido ou poderia ser tão bom como se feito pelo próprio SENHOR. Todos precisam dizer com o salmista: "Outro bem não possuo, senão a Ti somente". Sal. 16:2.

Este fato é contido em declarações diretas das Escrituras. CRISTO, que "não precisava de que alguém Lhe desse testemunho a respeito do homem" (João 2:25), declarou: "Porque de dentro do coração dos homens é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o do¬lo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura: Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem". Mar. 7:21-23. Em outras palavras: é mais fácil praticar o mal do que fazer o bem, e as coisas que as pessoas fazem naturalmente são más. A maldade jaz no íntimo, e é parte do ser. Portanto, declara o apóstolo: "Por isso o pendor da carne é inimizade contra DEUS, pois não está sujeita à lei de DEUS, nem mesmo pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a DEUS". Rom. 8:7,8. E outra vez: "Porque a carne milita contra o Espírito, e o ESPÍRITO contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que porventura seja do vosso querer". Gál. 5:17. Sendo que a maldade é parte da própria natureza humana, sendo herdada por cada indivíduo de uma longa linha de ancestrais pecadores, é muito evidente que, seja qual for a quantidade de justiça que brote dele, deve ser somente "trapo da imundície" (Isa. 64:6), comparada com a imaculada veste da justiça de DEUS.

A impossibilidade de boas ações procedentes de um coração pecaminoso é assim ilustrado vividamente pelo Salvador. "Porquanto cada árvore é conhecida pelo seu próprio fruto. Porque não se colhem figos de espi¬nheiros, nem dos abrolhos se vindimam uvas. O homem bom, do bom tesouro do coração tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração". Lucas 6:44,45. Isto equivale a dizer que um homem não pode fazer o bem até que primeiro se torne bom. Portanto, as ações praticadas por uma pessoa pecadora não têm efeito algum para torná-lo justo, mas, ao contrário, procedendo de um coração mau, elas são más e somente são acrescidas ao montante de sua pecaminosidade. Somente o mal pode proceder de um cora¬ção iníqüo, e a maldade multiplicada não pode realizar uma ação boa; destarte, é inútil que uma pessoa má pense em tornar-se boa por seus próprios esforços. Tal pessoa deve, primeiramente, ser tornada justa antes de poder praticar qualquer bem dela requerido e que deseje cumprir.

Assim, pois, fica o caso: (1) A lei de DEUS é justiça perfeita, e perfeita conformidade a ela é requerida de todos que entrarem no Reino do céu. (2) Mas a lei não tem uma única partícula de justiça para ser concedida a qualquer homem, porque todos são pecadores e incapazes de atender a seus requisitos. Não importa quão diligen¬temente nem quão zelosamente um homem aja, nada que faça alcançará a plena medida dos requisitos da lei. Ela é por demais elevada para que o alcance; não pode obter justiça pela lei. "Pelas obras da lei nenhuma carne será justificada". Que condição deplorável! Precisamos ter a justiça da lei ou não podemos entrar no céu, e contudo a lei não tem justiça para um sequer de nós. Ela não produzirá ante nossos esforços mais decididos e persistentes a mínima porção daquela santidade sem a qual nenhum homem pode ver o SENHOR

Quem, então, pode ser salvo? Pode, então, haver tal coisa como uma pessoa justa? Sim, pois a Bíblia frequentemente fala de tais. Menciona Ló como "este justo" 2 Ped. 2:8. Declara: "Dizei aos justos que bem lhes irá; porque comerão do fruto das suas ações" (Isa. 3:10), indicando assim que haverá pessoas justas que receberão a recompensa, e claramente é dito que haverá uma nação justa afinal, nas palavras: "Naquele dia se entoará este cântico na terra de Judá: Temos uma cidade forte: DEUS lhe põe a salvação por muros e baluartes. Abri vós as portas, para que entre a nação justa, que guarda a fidelidade". Isaías 26:1,2. Davi diz: "Tua lei é a verdade". Sal. 119:142. Não é apenas a verdade, mas é a somatória de toda a verdade; conseqüentemente, a nação que observa a verdade será uma nação que observa a lei de DEUS. Tais serão os cumpridores de Sua vontade, e eles entrarão no reino do céu. Mat. 7:21. [JESUS é "o caminho, a verdade, e a vida" (João 14:6), "o Verbo de DEUS" (João 1 e Apoc. 19:13); portanto, JESUS é a perfeita encarnação da verdade da lei dos dez mandamentos, a expressa imagem de Seu pai celestial; portanto, JESUS é a lei dada {proferida pelo Verbo de DEUS} e JESUS é o que entrega a lei {o Criador}].

Capítulo 10 - O pequeno tempo de angústia

A questão, portanto, é, como pode ser obtida a justiça necessária para que alguém entre naquela cidade? Responder a esta pergunta é a grande tarefa do evangelho. Obtenhamos primeiramente uma lição objetiva sobre justificação ou concessão de justiça. O fato pode ajudar-nos a uma melhor compreensão da teoria. O exemplo é dado em Lucas 18:9-14, nestes dizeres:

"Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos por se considerarem justos, e des¬prezavam os outros: Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um fariseu e o outro publicano. O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Oh DEUS, graças Te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: DEUS, sê propício a mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta, será humilhado; mas o que se humilha, será exaltado".

Isto foi dado para demonstrar como podemos, e como não podemos, alcançar a justificação. Os fariseus não estão extintos; há muitos nestes dias que esperam obter justificação por seus próprios atos bons. Eles confiam em si mesmos de que são justos. Nem sempre se gabam tão abertamente quanto a sua justiça, mas revelam doutros modos que estão confiando em sua própria justiça. Talvez o espírito do fariseu o espírito que relata a DEUS as próprias boas ações da pessoa como razão para obter-Lhe favor é tão freqüente como em qualquer outra parte entre professos cristãos que se sentem encurvados sob o peso de seus pecados. Sabem que pecaram, e sentem-se condenados. Lamentam o seu estado pecaminoso e deploram sua fraqueza. Os testemunhos deles nunca se elevam acima desse nível. Freqüentemente evitam, por mera vergonha, falar na reunião social, e muitas vezes não ousam aproximar-se de DEUS através da oração. Após terem pecado em grau maior do que o costumeiro, às vezes deixam a oração por algum tempo até que o vívido senso de sua falha tenha passado ou até que imaginem que tenham feito uma compensação para tanto por especial bom comportamento. De que é isso uma manifestação? Daquele espírito farisaico que exibiria a justiça própria diante de DEUS; de que não virá diante Dele a menos que possa apoiar-se sobre a falsa noção de sua suposta bondade. Desejam ser capazes de dizer ao SENHOR: "Vê quão bom eu tenho sido nos últimos dias; certamente me aceitarás agora".

Mas qual é o resultado? O homem que confiou em sua própria justiça não dispunha de nenhuma, enquanto o homem que orou, em profunda contrição, "DEUS, tem misericórdia de mim, pecador", (Luc. 18:13) dirigiu-se para sua casa como um homem justificado. CRISTO declarou que ele foi justificado".

Observe que o publicano fez mais do que remoer sua pecaminosidade; ele suplicou misericórdia. O que é misericórdia? É um favor imerecido. É a disposição de tratar um homem melhor do que ele merece. Agora a Palavra da Inspiração declara que "quanto o céu se alteia acima da Terra, assim é grande a Sua misericórdia para com os que O temem". Salmo 103:11. Isto é, a medida pela qual DEUS nos trata melhor do que merecemos quando humildemente vamos a Ele é a distância entre a Terra e o mais alto céu. E em que respeito Ele nos trata melhor do que merecemos? Em remover de nós os nossos pecados, pois o verso seguinte diz: "Quanto dista o Orien¬te do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões". Com isto concordam as palavras do discípulo amado: "Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça". I João 1:9.

Para obter uma declaração adicional da misericórdia de DEUS, e de como é manifestada, leia Miquéias 7:18,19: "Quem, ó DEUS, é semelhante a Ti, que perdoas a iniqüidade e Te esqueces da transgressão do restante da Tua herança? O SENHOR não retém a Sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia. Tornará a ter compaixão de nós; pisará aos pés as nossas iniqüidades, e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar". Leiamos agora a declaração escriturística de como a justiça é concedida:

O apóstolo Paulo, tendo demonstrado que todos pecaram e estão destituídos da glória de DEUS, de modo que pelas obras da lei nenhuma carne será justificada à vista Dele, prossegue dizendo que somos "justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em CRISTO JESUS; a quem DEUS propôs, no Seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a Sua justiça, por ter DEUS, na Sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; e tendo em vista a manifestação da Sua justiça no tempo presente, para Ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em JESUS".

"Sendo justificados gratuitamente", como mais poderia ser? Uma vez que os melhores esforços de um homem pecador não têm o menor efeito para a produção de justiça, é evidente que a única maneira em que lhe pode alcançar é como uma dádiva. Que a justiça é um dom está claramente especificado por Paulo em Romanos 5:17: "Se pela oferta de um, e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça, reinarão em vida por meio de um só, a saber, JESUS CRISTO". É porque a justiça é um dom, que a vida eterna, a recompensa da justiça, é o dom de DEUS, mediante JESUS CRISTO, nosso SENHOR.

CRISTO foi estabelecido por DEUS como Aquele mediante Quem o perdão dos pecados deve ser obtido; e o Seu perdão consiste simplesmente na declaração de Sua justiça (que é a justiça de DEUS) para a remissão deles. DEUS, "que é rico em misericórdia" (Efés. 2:4) e que nela Se deleita, coloca a Sua própria justiça sobre o pecador que crê em JESUS, como um substituto para os seus pecados. Certamente, este é um intercâmbio proveitoso para o pecador, mas não é perda para DEUS, pois Ele é infinito em santidade e o suprimento nunca poderá ser diminuído.

A passagem que acabamos de considerar (Rom. 3:24-26) é somente outra declaração dos versos 21, 22, seguindo-se à declaração de que pelas obras da lei nenhuma carne será justificada. O apóstolo acrescenta: "Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de DEUS testemunhada pela lei e pelos profetas; justiça de DEUS mediante a fé em JESUS CRISTO, para todos (e sobre todos) os que crêem". DEUS coloca a Sua justiça sobre o crente. Ele o co¬bre com ela, de modo que o seu pecado não mais aparece. Então o perdoado pode exclamar com o profeta:

"Regozijar-me-ei muito no SENHOR, a minha alma se alegra no meu DEUS; porque me cobriu de ves¬tes de salvação, e me envolveu com o manto de justiça, como noivo que se adorna de turbante, como noiva que se enfeita com as suas jóias". (Isa. 61:10).

Mas que dizer da justiça de DEUS que "sem lei, se manifestou"? Como se harmoniza isto com a declaração de que a lei é a justiça de DEUS, e que fora de seus requisitos não há justiça? Não ocorre contradição aqui. A lei não é ignorada por este processo. Observe cuidadosamente: Quem deu a lei? CRISTO. Como Ele a proferiu? Como Alguém que tem autoridade, sendo o próprio DEUS. A lei deriva Dele tanto quanto do PAI e é simplesmente a declaração da justiça de Seu caráter. Portanto, a justiça que vem pela fé de JESUS CRISTO é a mesma justiça sinte¬tizada na lei, e isto é provado adicionalmente pelo fato de que é "testemunhada pela lei".

Que o leitor imagine a cena. Aqui está a lei como implacável testemunha contra o pecador. Ela não pode mudar, e não chamará um pecador de homem justo. O pecador convencido tenta vez após vez obter a justiça da lei, mas ela resiste a todas as suas iniciativas. Não pode ser subornada por qualquer montante de penitência ou supostas boas obras. Mas aqui Se apresenta CRISTO, "cheio de graça" (João 1:14) bem como de verdade, chamando para Si o pecador. Finalmente, o pecador, cansado da luta vã para obter justiça da lei, ouve a voz de CRISTO e foge para os Seus braços estendidos. Escondendo-se em CRISTO, é coberto com a Sua justiça, e agora, observe: ele obteve, mediante fé em CRISTO, aquilo por que estivera inutilmente se batendo. Obtém a justiça requerida pela lei, e é o artigo genuíno, porque a obteve da Fonte da Justiça, do próprio lugar de onde procedeu a lei. E a lei testemunha da genuinidade dessa justiça. Ela declara que na medida em que o homem retém isso ele é um homem justo. Com a justiça que é "mediante a fé em CRISTO, a justiça que procede de DEUS, baseada na fé" (Fil. 3:9) Paulo ti¬nha certeza de que permaneceria seguro no dia de CRISTO.

Na transação não há base para encontrar falta. DEUS é justo e ao mesmo tempo o Justificador daquele que crê em JESUS. Em JESUS habita toda a plenitude da Divindade. Ele é igual ao PAI em todo atributo. Conseqüentemente, a redenção que Nele está a capacidade de resgatar o homem perdido--é infinita. A rebelião do homem é tanto contra o Filho como contra o PAI, uma vez que ambos são um. Portanto, quando CRISTO, que "Se entregou a Si mesmo pelos nosso pecados" (Gál. 1:4) era o Rei sofrendo pelos rebeldes súditos Aquele que foi ferido desconsiderando a ofensa do ofensor. Nenhum cético negará que qualquer homem tem o direito e privilégio de perdoar qualquer ofensa cometida contra Ele; não há por que objetar quando DEUS exerce o mesmo direito? Certamente se Ele quiser perdoar a injúria contra Ele cometida, tem tal direito, e mais ainda porque Ele reivindica a integridade de Sua lei submetendo-Se em Sua própria pessoa à penalidade devida ao pecador. Mas "o inocente sofreu pelo culpado". É verdade, mas o sofredor inocente faz o que o Seu amor promove, ou seja, desconsidera a ofensa feita a Si como Rei do universo

Agora leiamos a própria declaração de DEUS com respeito ao Seu nome uma declaração feita em face de um dos piores casos de desprezo que já se Lhe demonstrou:

"Tendo o SENHOR descido na nuvem, ali esteve junto dele, e proclamou o nome do SENHOR. E, passando o SENHOR por diante dele, clamou: SENHOR, SENHOR DEUS compassivo, clemente e longânimo, e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocente o culpado". sxo. 34: 5-7.

Esse é o nome de DEUS. É o caráter em que Ele Se revela ao homem, a luz sob que deseja que os homens O considerem. Mas que dizer da declaração de que "não inocenta o culpado"? Isto está em perfeita harmonia com a Sua longanimidade, abundante bondade e desconsideração das transgressões de Seu povo. É verdade que DEUS não irá de modo algum inocentar o culpado. Ele não poderia fazê-lo e ainda ser um DEUS justo. Mas Ele faz algo ainda melhor. Remove a culpa de modo que aquele anteriormente culpado não precisa ser inocentado--é justifica¬do e contado como se nunca houvesse pecado.

Que ninguém sofisme sobre a expressão: "revestir-se de justiça" como se tal coisa fosse hipocrisia. Al¬guns, com uma singular falta de apreciação do valor do dom da justiça têm dito que não desejavam a justificação que lhes fosse "revestida", mas desejavam somente aquela justiça que procede da vida, assim depreciando a justiça de DEUS, que é mediante fé em JESUS CRISTO a todos e sobre todos os que crêem. Concordamos com a idéia deles na medida que representa um protesto contra a hipocrisia, uma forma de santidade sem o poder, mas deseja¬mos que o leitor tenha em mente este pensamento: Faz uma vasta diferença quem reveste com a justiça. Se ten¬tarmos nos revestir dela por nós mesmos, então realmente nada obtemos, senão vestes imundas, não importando quão belas possam parecer-nos. Mas quando CRISTO nos cobre com elas, trata-se de justiça que obtém a aprovação de DEUS, e se DEUS está satisfeito com ela, certamente os homens não devem tentar achar nada melhor.

Mas prosseguiremos na ilustração um pouco mais e isso removerá da questão toda dificuldade. Zacarias 3:1-5 fornece a solução. Assim reza:

"DEUS me mostrou o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do anjo do SENHOR, e Satanás estava à mão direita dele, para se lhe opor. Mas o SENHOR disse a Satanás: O SENHOR te repreende, ó Satanás: sim, o SENHOR que escolheu Jerusalém te repreende; não é este um tição tirado do fogo? Ora, Josué, trajado de vestes sujas, estava diante do anjo. tomou este a palavra, e disse aos que estavam diante dele: Tirai-lhe as vestes sujas. A Josué disse: Eis que tenho feito que passe de ti a tua iniqüidade, e te vestirei de finos trajes. E disse eu: Ponham-lhe um turbante limpo sobre a cabeça. Puseram-lhe, pois, sobre a cabeça um turbante limpo e o vestiram com trajes próprios; e o anjo do SENHOR estava ali".

Observem no relato acima que a remoção das vestes sujas é a mesma que faz com que a iniqüidade seja removida da pessoa. E assim descobrimos que quando CRISTO nos cobre com a veste de Sua própria justiça, não fornece um disfarce para o pecado, mas elimina o pecado. E isso mostra que o perdão dos pecados é algo mais do que uma mera forma, algo mais do que um mero registro nos livros de registro dos céus, ao ponto de ser o pecado cancelado. O perdão dos pecados é uma realidade; é algo tangível, algo que afeta vitalmente o indivíduo. Na verdade, isenta-o de culpa, e se ele é livrado de culpa, está justificado, é tornado justo e certamente passou por uma mudança radical. Ele é, na verdade, uma outra pessoa, pois obteve essa justiça para a remissão dos pecados, em CRISTO. Foi obtida somente por revestir-se de CRISTO. Mas "se alguém está em CRISTO, é nova criatura". E as¬sim o pleno e livre perdão dos pecados traz consigo essa maravilhosa e miraculosa mudança conhecida como novo nascimento, pois um homem não pode tornar-se nova criatura, exceto por novo nascimento. Isso representa o mesmo que ter um novo e purificado coração.

O novo coração é um que ama a justiça e odeia o pecado. É um coração disposto a ser conduzido nas veredas da justiça. É um coração tal que o SENHOR desejava que Israel tivesse quando declarou: "Quem dera que eles tivessem tal coração que me temessem, e guardassem em todo o tempo todos os Meus mandamentos, para que bem lhes fosse a eles e a seus filhos para sempre." Em suma, é um coração livre do amor do pecado, bem como da culpa do pecado. Mas o que faz um homem desejar sinceramente o perdão de seus pecados? É simples¬mente o seu ódio aos mesmos e seu desejo de justificação. tdio e desejo estes que foram-lhe despertados por ação do ESPÍRITO SANTO.

O ESPÍRITO luta com todos os homens. Vem como um reprovador. Quando sua voz de reprovação é leva¬da em conta, então imediatamente assume o papel de confortador. A mesma disposição submissa que conduz a pessoa a aceitar a reprovação do ESPÍRITO também conduzi-lo-á a seguir os ensinos do ESPÍRITO SANTO, e Paulo de¬clara que "todos os que são guiados pelo ESPÍRITO de DEUS são filhos de DEUS". Rom. 8:14.

Novamente, o que traz justificação ou o perdão dos pecados? É a fé, pois Paulo declara: "Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com DEUS, por meio de nosso SENHOR JESUS CRISTO". Rom. 5:1. A "justiça de DEUS mediante a fé em JESUS CRISTO, para todos [e sobre todos] os que crêem". Rom. 3:22. Mas este mesmo exercício de fé torna a pessoa um filho de DEUS; pois, diz novamente o apóstolo: "Todos vós sois filhos de DEUS mediante a fé em CRISTO JESUS". Gál. 3:26.

O fato de que todo aquele cujos pecados são perdoados é imediatamente um filho de DEUS é demonstrado na epístola de Paulo a Tito. Primeiramente ele traz à lembrança a ímpia condição em que outrora estivemos e em seguida declara (Tito 3:4-7):

"Quando, porém, se manifestou a benignidade de DEUS, nosso Salvador, e o Seu amor para com os homens, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo Sua misericórdia, Ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do ESPÍRITO SANTO, que Ele derramou sobre nós ricamente, por meio de JESUS CRISTO nosso Salvador, a fim de que, justificados por graça, nos tornemos Seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna".

Observe que é por ser justificado pela graça que somos tornados herdeiros. Temos já aprendido de Romanos 3:24, 25 que essa justificação pela Sua graça é mediante nossa fé em CRISTO. Mas Gálatas 3:26 nos diz que essa fé em CRISTO JESUS nos faz filhos de DEUS; portanto, sabemos que quem quer que tenha sido justificado pela graça de DEUS foi perdoado né um filho e um herdeiro de DEUS.

Isso mostra que não há base para a idéia de que uma pessoa deve passar por uma espécie de tempo de graça de santidade diante de DEUS antes que DEUS a adote como Seu filho. Ele nos recebe tal como somos. Não é por nossa bondade que Ele nos ama, mas devido à nossa necessidade. Ele nos recebe, não devido a algo que veja em nós, mas por Sua própria causa e pelo que sabe o que pode ser feito de nós por Seu divino poder. É somente quando reconhecemos a maravilhosa exaltação e santidade de DEUS e o fato de que Ele vem a nós em nossa condição pecaminosa e degradada para adotar-nos em Sua família que podemos apreciar a força da exclamação do após¬tolo: "Vede que grande amor nos tem concedido o PAI, ao ponto de sermos chamados filhos de DEUS". I João 3:1. Todos quantos receberam esta honra purificar-se-ão, tal como Ele é puro.

DEUS não nos adota como Seus filhos devido a sermos bons, mas a fim de que Ele possa tornar-nos bons. Declara Paulo: "Mas DEUS, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com CRISTO, pela graça sois salvos, e juntamente com Ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais em CRISTO JESUS; para mostrar nos séculos vindouros a suprema riqueza da Sua graça, em bondade para conosco, em CRISTO JESUS". Efés. 2:4-7. E então acrescenta: "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de DEUS; não de obras, para que nin¬guém se glorie. Pois somos feitura Dele, criados em CRISTO JESUS para boas obras, as quais DEUS de antemão pre¬parou para que andássemos nelas". Versos 8-10. Esta passagem demonstra que DEUS nos amou enquanto ainda estávamos mortos em pecados. Ele nos dá o Seu ESPÍRITO para nos tornar vivos em CRISTO, e o mesmo ESPÍRITO as¬sinala nossa adoção na família divina, e Ele assim nos adota para que, como novas criaturas em CRISTO, possamos realizar as boas obras que DEUS tem ordenado.

Capítulo 11 - Enganos satânicos nos últimos dias

Muitas pessoas hesitam em iniciar o processo de servir ao SENHOR, porque temem que DEUS não as aceitará, e milhares que têm professado ser seguidores de CRISTO por anos ainda estão a duvidar de sua aceitação junto a DEUS. Para benefício de tais é que escrevo, e não quero perturbar lhes a mente com especulações, mas me empe¬nharei em dar-lhes as simples garantias da Palavra de DEUS.

"Irá o SENHOR receber-me?" Respondo com outra pergunta: Irá o homem receber aquilo que ele próprio adquiriu? Se você vai a uma loja e faz uma compra, receberá os bens quando forem entregues? Logicamente que sim; não há lugar para dúvida quanto a isso. O fato de que você comprou tais mercadorias e pagou o devido preço por elas é prova suficiente, não apenas de que está disposto, mas também ansioso por recebê-las. Se não as dese¬ja, não as teria adquirido. Ademais, quanto mais tenha pago por elas, mais ansioso estará em recebê-las. Se o preço foi bem elevado e quase entregou a vida para obtê-lo, então não haverá dúvida de que aceitará as encomen¬das quando lhe forem entregues. Sua grande ansiedade é sobre a possibilidade de haver alguma falha na sua entrega.

Agora, apliquemos esta ilustração simples e natural ao caso do pecador que vai a CRISTO. Em primeiro lugar, Ele nos comprou. "Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do ESPÍRITO SANTO que está em vós, o qual tendes da parte de DEUS, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a DEUS no vosso corpo". I Cor. 6:19,20.

O preço que foi pago por nós foi o Seu próprio sangue Sua vida. Paulo disse aos anciãos de Éfeso: "Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o ESPÍRITO SANTO vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de DEUS, a qual Ele comprou com o Seu próprio sangue". Atos 20:28. "Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, de cordeiro sem defeito e sem mácula". I Ped. 1:18, 19. Ele "a Si mesmo Se deu por nós". Tito 2:14. Ele "Se entregou a Si mesmo pelos nossos pecados". Gál. 1:4.

Ele não adquiriu uma certa classe, mas todo o mundo de pecadores. "Porque DEUS amou ao mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna". João 3:16. JESUS disse: "O pão que Eu darei pela vida do mundo é a Minha carne". João 6:51. "Porque CRISTO, quando nós éramos fracos, morreu a Seu tempo pelos ímpios". "Mas DEUS prova o Seu amor para conosco, pelo fato de ter CRISTO morrido por nós, sendo nós ainda pecadores". Rom. 5:6,8.

O preço pago foi infinito, portanto. Sabemos que Ele muito desejava aquilo que adquirira. Tinha o Seu coração orientado em obtê-lo. Ele não podia satisfazer-se sem isso. Ver Fil. 2:6-8; Heb. 12:2; Isa. 53:11.

"Mas eu não sou digno". Isso significa que você não vale o preço e, portanto, teme vir a CRISTO imaginando que poderia repudiar Sua aquisição. Agora, talvez pudesse ter algum temor nesse aspecto caso o negócio não tivesse sido selado e o preço não houvera sido já pago. Se Ele recusasse aceitá-lo com base no fato de ser indigno do preço, não só o perderia, mas também o montante pago. Conquanto os bens pelos quais você pagou não valham a quantia que lhes dedicou, não seria tão tolo de lançá-los fora. Preferiria certamente obter algum retorno por seu dinheiro, antes que nada conseguir.

Mas, além disso, nada terá a fazer com a questão de valor. Quando CRISTO esteve sobre a Terra no interesse da aquisição, Ele "não precisava de que alguém Lhe desse testemunho a respeito do homem, porque Ele mesmo sabia o que era a natureza humana". João 2:25. Realizou a compra com os olhos abertos, e sabia o valor exato daquilo que comprara. Ele não fica em absoluto desapontado quando você vai a Ele e Ele percebe que não tem nenhum valor. Não precisa preocupar-se com a questão de valor. Se Ele, com o Seu perfeito conhecimento do caso, estivesse satisfeito em fazer o negócio, deveria ser o último a queixar-se.

Pois, a maior de todas as maravilhas é que Ele comprou você pela própria razão de você não ser de nenhum valor. Seus olhos eficientes viram em você grandes possibilidades, e o comprou, não pelo que então valesse ou vale agora, mas pelo que poderia fazer de você. Ele declara: "Eu, Eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de Mim, e dos teus pecados não Me lembro". Isaías 43:25. Não temos qualquer justiça, portanto Ele nos adquiriu, "para que pudéssemos ser feitos justiça de DEUS Nele". Declara Paulo: "Nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade. Também Nele estais aperfeiçoados. Ele é o cabeça de todo principado e potestade". Col. 2:9,10. Eis aqui o processo inteiro:

"... éramos por natureza filhos da ira, como também os demais. Mas DEUS, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com CRISTO, pela graça sois salvos, e juntamente com Ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais em CRISTO JESUS; para mostrar nos séculos vindouros a suprema riqueza da Sua graça, em bondade para conosco, em CRISTO JESUS. Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de DEUS; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura Dele, criados em CRISTO JESUS para boas obras, as quais DEUS de antemão preparou para que andássemos nelas".

Devemos ser "para louvor da glória de Sua graça". Isso não poderíamos ser se originalmente valêssemos tudo quanto Ele pagou por nós. Nesse caso não haveria glória para Ele na transação. Ele não poderia, nas eras vindouras, mostrar-nos as riquezas de Sua graça. Mas quando Ele nos toma, nós nada valendo, e finalmente nos apresenta imaculados perante o trono, isso será para a Sua eterna glória. E então não haverá ninguém para atribuir-se valor. Através da eternidade, as hostes santificadas se unirão em dizer a CRISTO: "Digno és... porque foste morto, e com o Teu sangue compraste para DEUS os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação; e para o nosso DEUS os constituíste reino e sacerdotes". "Digno é o Cordeiro que foi morto, de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor". Apoc. 5:9,10,12.

Certamente toda dúvida quanto à aceitação com DEUS deve ser posta de lado. Mas isso não se dá. O coração maligno da descrença ainda sugere dúvidas. "Creio nisso tudo, mas..." Pare exatamente aí. Se você cresse, não haveria de dizer, "mas". Quando as pessoas acrescentam um "mas" à declaração de que crêem, estão na realidade declarando: "Eu creio, mas não creio". Contudo, você continua: "Talvez tenha razão, mas preste atenção no que digo. O que eu pretendi dizer é que creio nas declarações escriturísticas que citou, mas a Bíblia ensina que se somos filhos de DEUS, teremos o testemunho do ESPÍRITO e tal testemunho em nós mesmos, e eu não sinto nenhum tal testemunho". Entendo a sua dificuldade. Deixe-me ver se não pode ser removida.

Quanto a pertencer a CRISTO, você mesmo pode estabelecer isto. Você viu o que Ele Lhe entregou. Agora a questão é, você entregou-se a Ele? Se o fez, pode estar certo de que Ele o aceitou. Se você não for Dele, é somente porque recusou entregar-Lhe aquilo que Ele adquiriu. Você O está defraudando. Ele diz: "Todos os dias, estendi as Minhas mãos a um povo rebelde e contradizente". Rom. 10:21. Ele lhe roga que Lhe confie aquilo que adquiriu e pagou, contudo recusa fazê-lo e O acusa de não estar disposto a recebê-lo. Mas se de coração dedicou-se a Ele para ser o Seu filho, pode estar seguro de que Ele o recebeu. Agora, quanto a crer em Suas palavras, embora tendo dúvidas se Ele o aceitará por não sentir o testemunho em seu coração, insisto ainda em que você não crê. Se o fizesse, teria o testemunho. Ouça a Suas palavras: "Aquele que crê no Filho de DEUS tem em si o testemunho. Aquele que não dá crédito a DEUS, o faz mentiroso, porque não crê no testemunho que DEUS dá acerca do Seu filho". I João 5:10. Crer no Filho é simplesmente crer em Sua palavra e no registro a Seu respeito.

E "aquele que crê no Filho de DEUS tem em si o testemunho". Você não pode ter o testemunho até crer; e tão cedo creia, você tem o testemunho. Como é isso? Porque a sua crença na Palavra de DEUS é o testemunho. DEUS assim o diz

"Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem". Heb. 11:1.

Se ouvisse DEUS dizer com voz audível que você é Seu filho, deveria considerar isso testemunho suficiente. Bem, quando DEUS fala em Sua palavra, é o mesmo como se Ele falasse com voz audível, e sua fé é evidência de que você ouve e crê.

Esta é uma questão tão importante que merece cuidadosa consideração. Leiamos um pouco mais do registro. Primeiro, lemos que somos "filhos de DEUS mediante a fé em CRISTO JESUS". Gál. 3:26. Esta é uma confirmação positiva do que eu digo com respeito a sua descrença no testemunho. Nossa fé nos torna filhos de DEUS. Mas como obtemos essa fé? "A fé vem pela pregação e a pregação pela Palavra de CRISTO". Rom. 10:17. Mas como podemos obter fé na Palavra de DEUS? Apenas crendo em que DEUS não pode mentir. Dificilmente chamaria a DEUS de mentiroso diretamente, mas é isso que está fazendo se não crê em Sua Palavra. Tudo quanto precisa fazer para crer é crer. "A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração; isto é, a palavra da fé que pregamos. Se com a tua boa confessares a JESUS como SENHOR, e em teu coração creres que DEUS O ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça, e com a boca se confessa a respeito da salvação. Porquanto a Escritura diz: Todo aquele que Nele crê não será confundido". Rom. 10:8-11.

Tudo isso está em harmonia com o registro dado mediante Paulo. "O próprio ESPÍRITO testifica com o nosso espírito que somos filhos de DEUS. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de DEUS e co-herdeiros com CRISTO". Rom. 8:16,17. Esse ESPÍRITO que testemunha com o nosso espírito é o Consolador que JESUS prometeu. João 14:16. E sabemos que o Seu testemunho é verdadeiro, pois é o "ESPÍRITO da verdade". Agora, como dá testemunho? Trazendo-nos à lembrança a Palavra que foi registrada. Ele inspirou aquelas palavras (I Cor. 2:13; 2 Ped. 1:21), e, portanto, quando lhes traz a nossa lembrança é o mesmo como se nos falasse diretamente. Ela apresenta-nos à mente o registro, uma parte do qual citamos. Sabemos que o registro é verdadeiro, pois DEUS não pode mentir. Mandamos que Satanás se vá com o seu falso testemunho contra DEUS, e cremos nes¬se registro, mas se cremos no registro, sabemos que somos filhos de DEUS, e clamamos: "Abba, PAI". Então a gloriosa verdade apresenta-se mais plenamente à alma. A repetição das palavras torna-a uma realidade a nós. Ele é nosso PAI; somos Seus filhos. Que alegria tal pensamento traz! Assim vemos que o testemunho que temos em nós mesmos não é uma simples impressão ou emoção. DEUS não nos pede para confiar em testemunho tão pouco confiável como os nossos sentimentos. Aquele que confia em seu próprio coração é um tolo, declaram as Escrituras. Mas o testemunho no qual devemos confiar é a imutável Palavra de DEUS, e esse testemunho podemos ter mediante o ESPÍRITO em nossos próprios corações. "Graças a DEUS por Seu dom inefável".

Essa segurança não nos permite relaxar em nossa diligência e em contentar-nos, como se houvéssemos atingido a perfeição. Devemos lembrar que CRISTO nos aceita, não por causa de nós, mas por causa Dele próprio, não por sermos perfeitos, mas Nele podemos prosseguir até à perfeição. Ele nos abençoa, não porque somos tão bons a ponto de merecermos uma bênção, mas a fim de que na força da bênção possamos volver-nos de nossas iniqüidades. Atos 3:26. A todo o que crê em CRISTO, o poder direito ou privilégio é dado de tornar-se filho de DEUS. João 1:12. É pelas "preciosas e mui grandes promessas" de DEUS mediante CRISTO que somos tornados "co-participantes da natureza divina". 2 Pedro 1:4.

Consideremos brevemente a aplicação prática de algumas dessas passagens.

Capítulo 12 - A sacudidura

A Bíblia diz que "o justo viverá pela fé". A justiça de DEUS é "revelada de fé em fé". Rom. 1:17. Nada pode melhor ilustrar a operação da fé do que alguns exemplos registrados para nossa aprendizagem, "a fim de que, pela paciência, e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança". Rom. 15:4. Analisaremos primeira¬mente um notável evento registrado em 2 Crônicas 20. O leitor deve seguir o comentário com sua Bíblia.

"Depois disto, os filhos de Moabe e os filhos de Amom, com alguns dos amonitas, vieram à peleja contra Josafá. Então vieram alguns que avisaram a Josafá, dizendo: Grande multidão vem contra ti dalém do mar e da Síria; eis que já estão em Hazazom-Tamar, que é En-Gedi". Versos 1,2.

Essa grande hoste levou o rei e o seu povo a temer, mas tomaram a sábia iniciativa de reunir-se e "buscar ao SENHOR . . . também de todas as cidades de Judá veio gente para buscar ao SENHOR". Versos 3 e 4. Segue-se então a oração de Josafá, como líder da congregação, e ela merece estudo especial, uma vez que foi uma oração de fé e continha nela o início da vitória:

"Pôs-se Josafá em pé, na congregação de Judá e de Jerusalém, na casa do SENHOR, diante do pátio novo, e disse: Ah! SENHOR, DEUS de nossos pais, porventura não és Tu DEUS nos céus? Não és Tu que dominas sobre todos os reinos dos povos? Na Tua mão está a força e o poder, e não há quem te possa resistir". Versos 5 e 6.

Esse foi um excelente começo de oração. Ela começa com um reconhecimento de DEUS no céu. Assim, a oração modelo começa: "PAI nosso que estás no céu". Mat. 6:9; Lucas 11:2. O que isto significa? Que DEUS, como DEUS no céu, é o Criador. Ela contém em si o reconhecimento de Seu poder sobre todos os reinos do mundo e dos poderes das trevas; o fato de que Ele está no céu, o Criador, mostra que em Sua mão há poder e força, de modo que ninguém é capaz de detê-Lo. Porque o homem que pode começar sua oração na hora de necessidade com tal reconhecimento do poder de DEUS, tem a vitória já do seu lado. Pois, observe, Josafá não só declarou sua fé no maravilhoso poder de DEUS, mas reivindicou a força de DEUS como sua própria, dizendo: "Não és Tu o nosso DEUS? Ele cumpriu o requisito escriturístico: "aquele que se aproxima de DEUS creia que Ele existe e que se torna galardoador dos que O buscam". Hebreus 11:6.

Josafá prossegue, então, recapitulando como o SENHOR os havia estabelecido naquela terra, e como, conquanto não permitisse que invadissem Moabe e Maom, aquelas nações tinham chegado a expulsá-los da sua herança concedida pelo SENHOR. Versos 7-11. E daí concluiu: "Ah! nosso DEUS, acaso não executarás Tu o Teu julgamento contra eles? Porque em nós não há força para resistirmos a essa grande multidão que vem contra nós, e não sabemos nós o que fazer; porém os nossos olhos estão postos em Ti". Verso 12. Nada há sem o SENHOR para ajudar, seja com muitos ou com os que não têm poder (2 Crôn. 14:11), e uma vez que os olhos do SENHOR percorrem toda a Terra para mostrar-Se forte em benefício daqueles cujos corações são íntegros perante Ele (2 Crôn. 16:9), bem se tornam aqueles que estão em necessidade de somente Nele confiar. Esta posição de Josafá e de seu povo estava em consonância com a injunção apostólica: "Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, JESUS". Heb. 12:2. Ele é o princípio e o fim, e todo poder no céu e na Terra está em Suas mãos.

Agora, qual foi o resultado? O profeta do SENHOR veio no poder do ESPÍRITO SANTO, "e disse: Dai ouvidos, todo o Judá, e vós, moradores de Jerusalém, e tu, ó rei Josafá, ao que vos diz o SENHOR. Não temais, nem vos assusteis por causa desta grande multidão, pois a peleja não é vossa, mas de DEUS". Verso 15.

E então veio a ordem para ir pela manhã para encontrar o inimigo, e deviam ver a salvação do SENHOR, pois Ele com eles estaria. Agora vem a parte mais importante:

"Pela manhã cedo se levantaram e saíram ao deserto de Tecoa; ao saírem eles, pôs-se Josafá em pé, e disse: Ouvi-me, ó Judá, e vós, moradores de Jerusalém! Crede no SENHOR vosso DEUS, e estareis seguros; crede nos Seus profetas, e prosperareis. Aconselhou-se com o povo, e ordenou cantores para o SENHOR, que, vestidos de ornamentos sagrados, e marchando à frente do exército, louvassem a DEUS, dizendo: Rendei graças ao SENHOR, porque a Sua misericórdia dura para sempre". Versos 20, 21.

Seguramente, essa foi uma estranha maneira de sair para a batalha. Poucos exércitos têm ido para a bata¬lha com tal vanguarda. Mas qual foi o resultado?

"E quando começaram a cantar e a dar louvores, pôs o SENHOR emboscadas contra os filhos de Amom e de Moabe, e os do monte de Seir que vieram contra Judá, e foram desbaratados. Porque os filhos de Amom e de Moabe se levantaram contra os moradores do monte Seir, para os destruir e exterminar; e, tendo eles dado cabo dos moradores de Seir, ajudaram uns aos outros a destruir-se. Tendo Judá chegado ao alto que olha para o deserto, procurou ver a multidão, e eis que eram corpos mortos, que jaziam em terra, sem nenhum sobrevivente". Versos 22-24.

Se tem havido poucos exércitos que saem à batalha com tal vanguarda, como se deu com o exército de Josafá, é igualmente certo que poucos exércitos têm sido recompensados por tão assinalada vitória. E pode bem ser apropriado estudar um pouco a filosofia da vitória da fé, como ilustrado neste exemplo. Quando o inimigo, que havia sido confiante em sua superioridade numérica, ouviu os israelitas saindo naquela manhã, cantando e exultando, que devem ter concluído? Nada mais senão que os filhos de Israel tinham recebido reforços e estavam de tal modo fortalecidos que seria inútil tentar opor-se-lhes. Também um pânico os dominou, e cada qual via o seu semelhante como um inimigo.

E não estariam corretos em sua conclusão, de que Israel tinha recebido reforços? Verdadeiramente assim se dera, pois o registro assim reza: "Tendo eles começado a cantar e dar louvores, pôs o SENHOR emboscadas contra os filhos de Amom e de Moabe, e os do monte Seir". 2 Crôn. 20:22. A hoste do SENHOR, em quem Josafá e seu povo confiava, lutou por eles. Tinham reforços e indubitavelmente se os seus olhos pudessem ter sido abertos para vê-los, teriam visto, como se dera com o servo de Eliseu numa ocasião, que os que estiveram com eles foram em maior número do que seus inimigos.

Mas o ponto que deve ser notado especialmente é que foi quando Israel começou a cantar e louvar que o SENHOR estabeleceu emboscadas contra o inimigo. O que significa isso? Significa que a fé deles era real. A pro¬messa de DEUS foi considerada como o concreto cumprimento do fato. Assim eles creram no SENHOR ou, mais literalmente, construíram sobre o SENHOR, e desse modo foram estabelecidos, ou edificados. Destarte comprovaram a verdade nas palavras: "Esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé". I João 5:4.

Apliquemos agora esta ilustração num caso de conflito contra o pecado. Vem uma grande tentação para fazer algo sabidamente errado. Temos freqüentemente experimentado para nosso sofrimento a força da tentação, porque esta nos domina, de modo que sabemos que não dispomos de força contra ela. Mas agora nossos olhos estão fixos no SENHOR, que nos disse para irmos com ousadia ao trono da graça a fim de obtermos misericórdia e acharmos graça para ajudar em tempo de necessidade. Assim começamos a orar a DEUS pedindo auxílio. E ora¬mos ao DEUS que nos é revelado na Bíblia como o Criador do céu e da Terra. Começamos, não com uma chorosa declaração de nossa fraqueza, mas com um alegre reconhecimento do extraordinário poder de DEUS. Isso feito, podemos aventurar-nos a expor nossa dificuldade e nossa fraqueza. Se declaramos primeiramente nossa fraqueza e nossa situação desencorajadora, estamos nos pondo antes de DEUS. Nesse caso, Satanás magnificará a dificuldade e lançará suas trevas ao nosso derredor para que nada mais possamos ver, a não ser nossa fraqueza, e assim, conquanto nossos clamores e petição possam ser fervorosos e agonizantes, serão em vão, por faltar o elemento essencial da crença no que DEUS é e que é tudo quanto revelou-Se ser. Mas quando começamos com pleno conhecimento do poder de DEUS, então podemos seguramente declarar nossa fraqueza, pois então estamos simplesmente colo¬cando nossas fraquezas ao lado de Seu poder, e o contraste tende a gerar coragem.

Daí, à medida que oramos, a promessa de DEUS vem à nossa mente, ali levada pelo ESPÍRITO SANTO. Pode dar-se que não pensemos sobre nenhuma promessa em especial que se ajuste ao caso, mas podemos nos lembrar que "Fiel é a palavra e digna de toda aceitação, que CRISTO JESUS veio ao mundo para salvar os pecadores" (I Tim. 1:15), e que "Se entregou a Si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso DEUS e PAI" (Gál. 1:4), e podemos saber que isto levava consigo toda promessa, pois "Aquele que não poupou a Seu próprio Filho, antes, por todos nós O entregou, porventura não nos dará graciosamente com Ele todas as coisas?" Rom. 8:32.

Então nos lembramos que DEUS pode falar daquelas coisas que não são como se fossem. Ou seja, se DEUS dá uma promessa, ela é tão certa quanto se já tivesse sido cumprida. E assim, sabendo que nosso livramento do mal está de acordo com a vontade de DEUS (Gál. 1:4), contamos a vitória como já sendo nossa e começamos a agradecer a DEUS por Suas maravilhosas e preciosas promessas. E à medida que nossa fé se apegue a essas promessas e as tornem reais, não podemos deixar de louvar a DEUS por Seu maravilhoso amor, e enquanto o fazemos, nossas mentes são inteiramente tomadas do mal, e a vitória é nossa. O SENHOR JESUS coloca emboscadas contra nossos inimigos. Nossa enunciação de louvor revela a Satanás que obtivemos reforços, e segundo ele tenha testado o poder da ajuda concedida a nós, sabemos que nada pode fazer nessa ocasião, e assim nos deixa. Isto ilustra a força da injunção apostólica: "Não andeis ansiosos por coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas diante de DEUS as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graça". Fil. 4:6.

Capítulo 13 - A chuva serôdia

O poder da fé em conceder vitória pode ser demonstrado por outra série de textos bíblicos, que são ex¬traordinariamente práticos. Em primeiro lugar, seja entendido que o pecador é um escravo. CRISTO disse: "Todo o que comete pecado é escravo do pecado". João 8:34. Paulo também declara, pondo-se no lugar de um homem não renovado: "Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado". Rom. 7:14. Um homem que é vendido é um escravo; portanto, o homem que está vendido sob o pecado é um escravo do pecado. Pedro traz a lume o mesmo fato, quando, falando dos mestres falsos e corruptos, declara: "Prometendo-lhes liberdade, quando eles mesmos são escravos da corrupção, pois aquele que é vencido fica es¬cravo do vencedor". 2 Pedro 2:19.

O poder da fé em conceder vitória pode ser demonstrado por outra série de textos bíblicos, que são ex¬traordinariamente práticos. Em primeiro lugar, seja entendido que o pecador é um escravo. CRISTO disse: "Todo o que comete pecado é escravo do pecado". João 8:34. Paulo também declara, pondo-se no lugar de um homem não renovado: "Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado". Rom. 7:14. Um homem que é vendido é um escravo; portanto, o homem que está vendido sob o pecado é um es¬cravo do pecado. Pedro traz a lume o mesmo fato, quando, falando dos mestres falsos e corruptos, declara: "Prometendo-lhes liberdade, quando eles mesmos são escravos da corrupção, pois aquele que é vencido fica es¬cravo do vencedor". 2 Pedro 2:19.

A característica proeminente do escravo é que ele não pode fazer o que quer, mas está sujeito a cumprir a vontade de outro, não importa quão penoso seja isso. Paulo assim comprova a verdade de sua declaração de que, como um homem carnal, era escravo do pecado. "Não faço o que prefiro, e, sim, o que detesto. . . . Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha car¬ne, não habita bem nenhum; pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo". Rom. 7:15, 17-19.

O fato de que o pecado controla prova que um homem é um escravo, e conquanto todos quantos cometem pecado são escravos do pecado, a escravidão se torna insuportável quando o pecador teve lampejos de liberdade e anseia por ela. Contudo não pode partir as cadeias que o prendem ao pecado. A impossibilidade para um homem não renascido fazer mesmo o bem que gostaria já foi demonstrada com base em Romanos 8:7,8 e Gálatas 5:17

Quantas pessoas têm em sua própria experiência comprovado a verdade dessas passagens. Quantas têm resolvido e novamente decidido, e contudo suas mais sinceras resoluções revelam-se tão frágeis como a água em face da tentação. Não têm poder, e não sabem o que fazer, e, infelizmente, seus olhos não estavam fixos em DEUS, como em si próprios e no inimigo. A experiência desses tem sido de constante luta contra o pecado, é ver¬dade, mas também de constante derrota.

Você chama a isso uma verdadeira experiência cristã? Há alguns que imaginam que é. Por que, então, o apóstolo, em sua angústia de alma, clamou: "Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?" Rom. 7:24. É uma verdadeira experiência cristã um corpo de morte tão terrível que a alma é constrangi¬da a clamar por libertação? Não, verdadeiramente.

Novamente, o que é que, em resposta a esse ardoroso apelo, revela-se como um libertador? Declara o apóstolo: "Graças a DEUS por JESUS CRISTO nosso SENHOR". Noutro lugar ele diz sobre CRISTO:

"Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também Ele, igualmente, participou, para que, por Sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse a todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida". Heb. 2:14,15.

E CRISTO, outra vez, assim proclama a Sua missão:

O ESPÍRITO do SENHOR DEUS está sobre Mim, porque o SENHOR Me ungiu, para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-Me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos, e a pôr em liberdade os algemados". Isa. 61:1.

O que essa escravidão e cativeiro são já foi revelado. É a escravidão do pecado a escravidão de ser compelido ao pecado, mesmo contra a vontade, pelo poder das propensões e hábitos adquiridos. CRISTO nos libertaria de uma genuína experiência cristã? Não, certamente. Então a escravidão do pecado, da qual o apóstolo se queixa em Romanos 7, não é a experiência de um filho de DEUS, mas do servo do pecado. É para libertar os homens desse cativeiro que CRISTO veio, não para livrar-nos, durante esta vida, de lutas e provações, mas da derrota; para capacitar-nos a sermos fortes no SENHOR e no poder de Sua força de modo a que possamos dar graças ao PAI "que nos livrou do poder das trevas e nos trasladou para o reino de Seu querido Filho", mediante cujo sangue temos a redenção.

Como essa libertação se dá? Pelo Filho de DEUS. Declara CRISTO: "Se vós permanecerdes na Minha palavra, sois verdadeiramente Meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará". "Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres". João 8:31,32, 36. Essa liberdade vem a todos quantos crerem, pois àqueles que crêem em Seu nome Ele dá o "poder de serem feitos filhos de DEUS". A liberdade da condenação vem aos que estão em CRISTO JESUS (Rom. 8:1), e nos revestimos de CRISTO pela fé (Gál. 3:26,27). É pela fé que CRISTO habita em nossos corações.

Capítulo 14 - O alto clamor

Tomemos agora algumas ilustrações do poder da fé para libertar da escravidão. Citaremos Lucas 13:10-17:

"Ora, ensinava JESUS no sábado numa das sinagogas. E veio ali uma mulher possessa de um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos; andava ela encurvada, sem de modo algum poder endireitar-se. Vendo-a JESUS, chamou-a e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade; e, impondo-lhe as mãos, ela imediatamente se endireitou e dava glória a DEUS. O chefe da sinagoga, indignado de ver que JESUS curava no sábado, disse à multidão: Seis dias há em que se deve trabalhar; vinde, pois, nesses dias para serdes curados, e não no sábado. Disse-lhe, porém, o SENHOR: Hipócritas, cada um de vós não desprende da manjedoura no sábado o seu boi ou o seu jumento, para levá-lo a beber? Por que motivo não se devia livrar deste cativeiro em dia de sábado esta filha de Abraão, a quem Satanás trazia presa há dezoito anos? Tendo Ele dito estas palavras todos os Seus adversários se envergonharam. Entretanto, o povo se alegrava por todos os gloriosos feitos que JESUS realizava".

Podemos desconsiderar as críticas dos dirigentes hipócritas para considerar o milagre. A mulher estava presa; nós, mediante o temor da morte, temos estado toda a nossa vida sujeitos à servidão. Satanás havia escravizado a mulher; Satanás também pôs armadilhas para os nossos pés e tem-nos trazido em servidão. Ela de modo algum poderia soerguer-se; nossas iniqüidades se apossaram de nós, de modo que não somos capazes de olhar para cima. Sal. 40:12. Com uma palavra e um toque, JESUS pôs a mulher em liberdade de sua enfermidade. Temos o mesmo misericordioso Sumo Sacerdote agora no céu, que é tocado com o sentimento de nossas enfermida¬des, e a mesma palavra nos libertará da maldade.

Para que propósito foram os milagres de cura registrados como realizados por JESUS? João nos diz. Não foi simplesmente para mostrar que Ele pode curar a doença, mas para demonstrar o Seu poder sobre o pecado. Ver Mat. 9:2-8. Mas João declara:

"Na verdade fez JESUS diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que JESUS é o CRISTO, o Filho de DEUS, e para que, crendo, tenhais vida em Seu nome". João 20:30,31.

Assim vemos que eles estão registrados simplesmente como ilustrações objetivas do amor de CRISTO, de Sua disposição em dar alívio e de Seu poder sobre as obras de Satanás, não importa se em corpo ou em alma. Um milagre mais é suficiente neste contexto. É aquele registrado em Atos 3. Não citarei o relato completo, mas pedi¬ria aos leitores para segui-lo cuidadosamente em sua Bíblia.

Pedro e João viram junto à entrada do templo um homem com mais de quarenta anos de idade, paralítico desde o nascimento. Ele jamais havia andado. Estava esmolando, e Pedro sentiu-se movido pelo ESPÍRITO a dar-lhe algo melhor do que ouro ou prata. Disse ele: "Em nome de JESUS CRISTO, o Nazareno, anda! E, tomando-o pela mão direita, o levantou; imediatamente os seus pés e artelhos se firmaram; de um salto se pôs em pé, passou a andar e entrou com eles no templo, saltando e louvando a DEUS". Versos 6-8.

Esse notável milagre com alguém que todos haviam visto provocou uma extraordinária comoção entre o povo, e, quando Pedro viu a surpresa deles, passou a contar como a maravilha havia sido realizada, declarando:

"Israelitas, por que vos maravilhais disto, ou por que fitais os olhos em nós como se pelo nosso próprio poder ou piedade o tivéssemos feito andar? O DEUS de Abraão, de Isaque e de Jacó, o DEUS de nossos pais glorificou a Seu Servo JESUS, a Quem vós traístes e negastes perante Pilatos, quando este havia decidido soltá-Lo. Vós, porém, negastes o Santo e o Justo, e pedistes que vos concedessem um homicida. Destarte matastes o Autor da vida, a Quem DEUS ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas. Pela fé no nome de JESUS, esse mesmo nome fortaleceu a este homem que agora vedes e reconheceis; sim, a fé, que vem por meio de JESUS, deu a este saúde perfeita na presença de todos vós". Versos 12-16.

Agora faça a aplicação. O homem "coxo de nascença" era incapaz de ajudar-se. Ele alegremente se disporia a caminhar, mas não podia fazê-lo. Nós, igualmente, podemos todos dizer, com Davi: "Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe". Salmo 51:5. Em conseqüência, somos por natureza tão fracos que não podemos realizar as coisas que gostaríamos. Como cada ano da vida do homem aumentava sua incapacidade de caminhar por ter aumentado o peso de seu corpo, enquanto os membros não cresciam na mesma proporção, assim a repetida prática do pecado, ao nos tornarmos mais velhos, fortalece o seu poder sobre nós. Tratava-se de uma enorme impossibilidade para aquele homem o caminhar; contudo, o nome de CRISTO, mediante a fé, deu-lhe perfeita saúde e liberdade da enfermidade. Assim nós, mediante a fé Nele, podemos ser curados e capacitados a realizar as coisas que até então era-nos impossível cumprir. Pois as coisas que são impossíveis ao homem são possíveis a DEUS. Ele é o Criador.

"Faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor". Isa. 40:29.

Uma das maravilhas da fé, como demonstrada nos casos dos antigos heróis bíblicos, é que"da fraqueza tiraram força". Heb. 11:34.

Nesses exemplos vimos como DEUS liberta da servidão aqueles que confiam Nele. Agora, consideremos o conhecimento de como a liberdade é mantida.

Vimos que nós por natureza somos todos servos do pecado e de Satanás, e que tão logo nos submetemos a CRISTO, somos libertos do poder de Satanás. Declara Paulo: "Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?" Rom. 6:16. Assim, pois, tão logo nos tornamos livres da escravidão do pecado, tornamo-nos servos de CRISTO. Na verdade, o próprio ato de livrar-nos do poder do pecado, em resposta a nossa fé, prova a aceitação de DEUS por nós como Seus servos. Tornamo-nos, na verdade, os servos de CRISTO; mas aquele que é servo do SENHOR é um homem livre, pois somos chamados à liberdade (Gál. 5:13), e onde há o ESPÍRITO do SENHOR, há liberdade. (2 Cor. 3:17).

E agora vem novamente o conflito. Satanás não está disposto a desistir de seu escravo tão prontamente. Ele vem, armado com a lança da tentação feroz, para atrair-nos mais uma vez ao seu serviço. Sabemos por triste experiência que ele é mais poderoso do que somos, e que desajudados não podemos resistir-lhe. Mas tememos o seu poder e clamamos por socorro. Então trazemos à mente que não mais somos servos de Satanás. Submetemo-nos a DEUS, e, portanto, Ele nos aceitou como Seus servos. Podemos então dizer com o salmista: "SENHOR, deveras sou Teu servo, Teu servo, filho da Tua serva; quebraste as minhas cadeias". Sal. 116:16. Mas o fato de ter DEUS quebrado as cadeias que Satanás lançara sobre nós e ele fez isso, se crermos que o fez é evidência de que DEUS nos protegerá, pois Ele se preocupa com os que Lhe pertencem, e temos a segurança de que Aquele que começou uma boa obra em nós "há de completá-la até ao dia de CRISTO JESUS". Fil. 1:6. E nessa confiança somos fortes para resistir.

Novamente, se nos submetemos para ser servos de DEUS, somos Seus servos, ou, noutros termos, instrumentos de justiça em Suas mãos. Leia Rom. 6:13-16. Não somos instrumentos inertes, sem vida, sem sentido, tais como as ferramentas utilizadas pelos agricultores, sem voz sobre como devem ser utilizados, mas instrumentos vivos, inteligentes, tendo a permissão de escolher sua ocupação. Não obstante, o termo "instrumento" significa uma ferramenta algo que está inteiramente sob controle do artesão. A diferença entre nós e as ferramentas do mecânico é que podemos escolher quem nos usará e para que tipo de serviço seremos empregados, mas tendo feito a escolha e submetendo-nos às mãos do trabalhador, devemos estar tão completamente em suas mãos como a ferramenta que não tem decisão quanto à forma por que deve ser usada. Quando nos submetemos a DEUS, deve¬mos estar nas Suas mãos como o barro nas mãos do oleiro, para que possa fazer conosco como Lhe aprouver. Nossa vontade reside em decidir se Lhe permitimos ou não realizar em nós aquilo que é bom.

Essa idéia de sermos instrumentos nas mãos de DEUS é um maravilhoso auxílio à vitória da fé quando é uma vez plenamente assimilada. Pois, note-se que o que um instrumento realiza depende inteiramente da pessoa em cujas mãos se acha. Aqui, por exemplo, é uma máquina de cunhar. Em si mesma é inocente, contudo pode ser empregada para os propósitos mais sórdidos, bem como para aquilo por que é útil. Se estiver nas mãos de alguém de mau caráter pode ser empregada para produzir moedas falsas. Certamente não será empregada para qualquer bom propósito. Mas se estiver nas mãos de um homem reto, virtuoso, não pode possivelmente produzir mal algum. Igualmente, quando éramos servos de Satanás, não realizávamos nenhum bem (Rom. 6:20), mas agora que nos submetemos às mãos de DEUS, sabemos que não há Nele injustiça, e assim um instrumento em Suas mãos não pode ser empregado para um propósito iníqüo. A submissão a DEUS deve ser tão completa quanto anteriormente o foi a Satanás, pois o apóstolo declara:

"Falo como homem, por causa da fraqueza da vossa carne. Assim como oferecestes os vossos membros para a escravidão da impureza, e da maldade para a maldade, assim oferecei agora os vossos membros para servirem à justiça para a santificação". Rom. 6:19.

O inteiro segredo da vitória, portanto, jaz primeiramente em integral submissão a DEUS com um sincero desejo de fazer a Sua vontade; a seguir, sabendo que em nossa submissão Ele nos aceita como Seus servos; e, então, ao manter essa submissão a Ele vivermos em Suas mãos. Freqüentemente a vitória pode ser obtida somente por repetir vez após vez: "SENHOR, deveras sou Teu servo, Teu servo, filho da Tua serva; quebraste as minhas cadeias". Isto é simplesmente uma forma enfática de declarar: t SENHOR, submeti-me às Tuas mãos como um ins¬trumento de justiça; seja feita a Tua vontade, e não os ditames da carne". Mas quando reconhecemos a força dessa passagem e sentimos verdadeiramente que somos servos de DEUS, imediatamente ocorre um pensamento: "Bem, se eu verdadeiramente sou um instrumento nas mãos de DEUS, Ele não pode me usar para fazer o mal, nem pode permitir que eu faça o mal enquanto permanecer em Suas mãos. Ele precisa conservar-me se deva ser guardado do mal, porque não posso guardar-me a mim próprio. Mas Ele deseja resguardar-me do mal, pois revelou o Seu desejo, e também o Seu poder em cumprir o Seu desejo ao dar-Se por mim. Portanto, eu serei guardado desse mal". Todos esses pensamentos podem percorrer imediatamente a mente, e daí com eles deve necessariamente brotar um sentimento de contentamento quanto a sermos guardados da temível iniqüidade. Esse contentamento naturalmente acha expressão em gratidão a DEUS, e enquanto estamos-Lhe sendo gratos, o inimigo retira a sua tentação, e a paz de DEUS enche o coração. Daí descobrimos que a alegria em crer supera em muito todo o gozo que advém da indulgência no pecado.

Tudo isso é uma demonstração das palavras de Paulo: "Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma, antes confirmamos a lei". "Anular" a lei não é abolindo-a, pois homem algum pode abolir a lei de DEUS, contudo o salmista diz que ela foi tornada inválida. Sal. 119:126. Tornar a lei de DEUS nula é algo mais do que alegar ser ela de nenhuma conseqüência; é demonstrar pela vida que é considerada levianamente. Um homem torna a lei de DEUS nula quando permite que não tenha poder sobre a sua vida. Em suma, tornar nula a lei de DEUS é quebrantá-la; mas a lei em si mesma permanece a mesma, observemo-la ou não. Torná-la nula afeta somente o indivíduo.

Portanto, quando o apóstolo diz que não anulamos a lei de DEUS pela fé, mas que, pelo contrário, a confirmamos, quer dizer que a fé não nos leva à violação da lei, mas à obediência a ela. Não, não diríamos que a fé conduz à obediência, mas que a própria fé obedece. Fé confirma a lei no coração. "Fé é a substância das coisas que se espera". Se a coisa esperada for justiça, a fé a confirma. Em vez de a fé conduzir ao antinomismo, é a única coisa que se apresenta contrária ao antinomismo. Não importa quanto uma pessoa se gabe na lei de DEUS; se rejeita ou ignora a implícita fé em CRISTO, ele não está em melhor condição do que o homem que ataca diretamente a lei. O homem de fé é o único que verdadeiramente honra a lei de DEUS. Sem fé é impossível agradar a DEUS (Heb. 11:6), com ela, todas as coisas são possíveis (Marcos 9:23).

Sim, a fé faz o impossível, e é exatamente isso que DEUS requer que façamos. Quando Josué disse a Israel: "Não podeis servir o SENHOR", ele dizia a verdade, contudo era um fato que DEUS requeria deles que O servis¬sem. Não está no poder de homem algum cumprir a justiça, mesmo que o deseje fazer (Gál. 5:17); portanto, é um erro dizer que tudo quanto DEUS deseja é que façamos o melhor possível. Aquele que não passa disso não cumprirá as obras de DEUS. Não. Ele deve fazer melhor do que pode. Ele deve fazer aquilo que somente o poder de DEUS operante mediante ele pode cumprir. É impossível que um homem caminhe sobre a água, contudo Pedro o fez quando exerceu fé em JESUS.

Sendo que todo poder no céu e na Terra está nas mãos de CRISTO e esse poder está à nossa disposição, mesmo que o próprio CRISTO venha habitar no coração pela fé, não há lugar para achar falta com DEUS por requerer de nós realizarmos o impossível; pois "os impossíveis aos homens são possíveis para DEUS". Lucas 18:27. Portanto, podemos ousadamente dizer: "O SENHOR é o meu auxílio, não temerei o que me poderá fazer o homem." Heb. 13:6.

Então, "quem nos separará do amor de CRISTO? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada"? "Em todas as estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio Daquele que nos amou". Rom. 8:35, 37. "Porque estou bem certo de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem coisas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de DEUS, que está em CRISTO JESUS nosso SENHOR".

Capítulo 15 - O selo de Deus e a marca da besta

Tomemos agora algumas ilustrações do poder da fé para libertar da escravidão. Citaremos Lucas 13:10-17:

"Ora, ensinava JESUS no sábado numa das sinagogas. E veio ali uma mulher possessa de um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos; andava ela encurvada, sem de modo algum poder endireitar-se. Vendo-a JESUS, chamou-a e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade; e, impondo-lhe as mãos, ela imediatamente se endireitou e dava glória a DEUS. O chefe da sinagoga, indignado de ver que JESUS curava no sábado, disse à multidão: Seis dias há em que se deve trabalhar; vinde, pois, nesses dias para serdes curados, e não no sábado. Disse-lhe, porém, o SENHOR: Hipócritas, cada um de vós não desprende da manjedoura no sábado o seu boi ou o seu jumento, para levá-lo a beber? Por que motivo não se devia livrar deste cativeiro em dia de sábado esta filha de Abraão, a quem Satanás trazia presa há dezoito anos? Tendo Ele dito estas palavras todos os Seus adversários se envergonharam. Entretanto, o povo se alegrava por todos os gloriosos feitos que JESUS realizava".

Podemos desconsiderar as críticas dos dirigentes hipócritas para considerar o milagre. A mulher estava presa; nós, mediante o temor da morte, temos estado toda a nossa vida sujeitos à servidão. Satanás havia escravizado a mulher; Satanás também pôs armadilhas para os nossos pés e tem-nos trazido em servidão. Ela de modo algum poderia soerguer-se; nossas iniqüidades se apossaram de nós, de modo que não somos capazes de olhar para cima. Sal. 40:12. Com uma palavra e um toque, JESUS pôs a mulher em liberdade de sua enfermidade. Temos o mesmo misericordioso Sumo Sacerdote agora no céu, que é tocado com o sentimento de nossas enfermida¬des, e a mesma palavra nos libertará da maldade.

Para que propósito foram os milagres de cura registrados como realizados por JESUS? João nos diz. Não foi simplesmente para mostrar que Ele pode curar a doença, mas para demonstrar o Seu poder sobre o pecado. Ver Mat. 9:2-8. Mas João declara:

"Na verdade fez JESUS diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que JESUS é o CRISTO, o Filho de DEUS, e para que, crendo, tenhais vida em Seu nome". João 20:30,31.

Assim vemos que eles estão registrados simplesmente como ilustrações objetivas do amor de CRISTO, de Sua disposição em dar alívio e de Seu poder sobre as obras de Satanás, não importa se em corpo ou em alma. Um milagre mais é suficiente neste contexto. É aquele registrado em Atos 3. Não citarei o relato completo, mas pedi¬ria aos leitores para segui-lo cuidadosamente em sua Bíblia.

Pedro e João viram junto à entrada do templo um homem com mais de quarenta anos de idade, paralítico desde o nascimento. Ele jamais havia andado. Estava esmolando, e Pedro sentiu-se movido pelo ESPÍRITO a dar-lhe algo melhor do que ouro ou prata. Disse ele: "Em nome de JESUS CRISTO, o Nazareno, anda! E, tomando-o pela mão direita, o levantou; imediatamente os seus pés e artelhos se firmaram; de um salto se pôs em pé, passou a andar e entrou com eles no templo, saltando e louvando a DEUS". Versos 6-8.

Esse notável milagre com alguém que todos haviam visto provocou uma extraordinária comoção entre o povo, e, quando Pedro viu a surpresa deles, passou a contar como a maravilha havia sido realizada, declarando:

"Israelitas, por que vos maravilhais disto, ou por que fitais os olhos em nós como se pelo nosso próprio poder ou piedade o tivéssemos feito andar? O DEUS de Abraão, de Isaque e de Jacó, o DEUS de nossos pais glorificou a Seu Servo JESUS, a Quem vós traístes e negastes perante Pilatos, quando este havia decidido soltá-Lo. Vós, porém, negastes o Santo e o Justo, e pedistes que vos concedessem um homicida. Destarte matastes o Autor da vida, a Quem DEUS ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas. Pela fé no nome de JESUS, esse mesmo nome fortaleceu a este homem que agora vedes e reconheceis; sim, a fé, que vem por meio de JESUS, deu a este saúde perfeita na presença de todos vós". Versos 12-16.

Agora faça a aplicação. O homem "coxo de nascença" era incapaz de ajudar-se. Ele alegremente se disporia a caminhar, mas não podia fazê-lo. Nós, igualmente, podemos todos dizer, com Davi: "Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe". Salmo 51:5. Em conseqüência, somos por natureza tão fracos que não podemos realizar as coisas que gostaríamos. Como cada ano da vida do homem aumentava sua incapacidade de caminhar por ter aumentado o peso de seu corpo, enquanto os membros não cresciam na mesma proporção, assim a repetida prática do pecado, ao nos tornarmos mais velhos, fortalece o seu poder sobre nós. Tratava-se de uma enorme impossibilidade para aquele homem o caminhar; contudo, o nome de CRISTO, mediante a fé, deu-lhe perfeita saúde e liberdade da enfermidade. Assim nós, mediante a fé Nele, podemos ser curados e capacitados a realizar as coisas que até então era-nos impossível cumprir. Pois as coisas que são impossíveis ao homem são possíveis a DEUS. Ele é o Criador.

"Faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor". Isa. 40:29.

Uma das maravilhas da fé, como demonstrada nos casos dos antigos heróis bíblicos, é que"da fraqueza tiraram força". Heb. 11:34.

Nesses exemplos vimos como DEUS liberta da servidão aqueles que confiam Nele. Agora, consideremos o conhecimento de como a liberdade é mantida.

Vimos que nós por natureza somos todos servos do pecado e de Satanás, e que tão logo nos submetemos a CRISTO, somos libertos do poder de Satanás. Declara Paulo: "Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?" Rom. 6:16. Assim, pois, tão logo nos tornamos livres da escravidão do pecado, tornamo-nos servos de CRISTO. Na verdade, o próprio ato de livrar-nos do poder do pecado, em resposta a nossa fé, prova a aceitação de DEUS por nós como Seus servos. Tornamo-nos, na verdade, os servos de CRISTO; mas aquele que é servo do SENHOR é um homem livre, pois somos chamados à liberdade (Gál. 5:13), e onde há o ESPÍRITO do SENHOR, há liberdade. (2 Cor. 3:17).

E agora vem novamente o conflito. Satanás não está disposto a desistir de seu escravo tão prontamente. Ele vem, armado com a lança da tentação feroz, para atrair-nos mais uma vez ao seu serviço. Sabemos por triste experiência que ele é mais poderoso do que somos, e que desajudados não podemos resistir-lhe. Mas tememos o seu poder e clamamos por socorro. Então trazemos à mente que não mais somos servos de Satanás. Submetemo-nos a DEUS, e, portanto, Ele nos aceitou como Seus servos. Podemos então dizer com o salmista: "SENHOR, deveras sou Teu servo, Teu servo, filho da Tua serva; quebraste as minhas cadeias". Sal. 116:16. Mas o fato de ter DEUS quebrado as cadeias que Satanás lançara sobre nós e ele fez isso, se crermos que o fez é evidência de que DEUS nos protegerá, pois Ele se preocupa com os que Lhe pertencem, e temos a segurança de que Aquele que começou uma boa obra em nós "há de completá-la até ao dia de CRISTO JESUS". Fil. 1:6. E nessa confiança somos fortes para resistir.

Novamente, se nos submetemos para ser servos de DEUS, somos Seus servos, ou, noutros termos, instrumentos de justiça em Suas mãos. Leia Rom. 6:13-16. Não somos instrumentos inertes, sem vida, sem sentido, tais como as ferramentas utilizadas pelos agricultores, sem voz sobre como devem ser utilizados, mas instrumentos vivos, inteligentes, tendo a permissão de escolher sua ocupação. Não obstante, o termo "instrumento" significa uma ferramenta algo que está inteiramente sob controle do artesão. A diferença entre nós e as ferramentas do mecânico é que podemos escolher quem nos usará e para que tipo de serviço seremos empregados, mas tendo feito a escolha e submetendo-nos às mãos do trabalhador, devemos estar tão completamente em suas mãos como a ferramenta que não tem decisão quanto à forma por que deve ser usada. Quando nos submetemos a DEUS, deve¬mos estar nas Suas mãos como o barro nas mãos do oleiro, para que possa fazer conosco como Lhe aprouver. Nossa vontade reside em decidir se Lhe permitimos ou não realizar em nós aquilo que é bom.

Essa idéia de sermos instrumentos nas mãos de DEUS é um maravilhoso auxílio à vitória da fé quando é uma vez plenamente assimilada. Pois, note-se que o que um instrumento realiza depende inteiramente da pessoa em cujas mãos se acha. Aqui, por exemplo, é uma máquina de cunhar. Em si mesma é inocente, contudo pode ser empregada para os propósitos mais sórdidos, bem como para aquilo por que é útil. Se estiver nas mãos de alguém de mau caráter pode ser empregada para produzir moedas falsas. Certamente não será empregada para qualquer bom propósito. Mas se estiver nas mãos de um homem reto, virtuoso, não pode possivelmente produzir mal algum. Igualmente, quando éramos servos de Satanás, não realizávamos nenhum bem (Rom. 6:20), mas agora que nos submetemos às mãos de DEUS, sabemos que não há Nele injustiça, e assim um instrumento em Suas mãos não pode ser empregado para um propósito iníqüo. A submissão a DEUS deve ser tão completa quanto anteriormente o foi a Satanás, pois o apóstolo declara:

"Falo como homem, por causa da fraqueza da vossa carne. Assim como oferecestes os vossos membros para a escravidão da impureza, e da maldade para a maldade, assim oferecei agora os vossos membros para servirem à justiça para a santificação". Rom. 6:19.

O inteiro segredo da vitória, portanto, jaz primeiramente em integral submissão a DEUS com um sincero desejo de fazer a Sua vontade; a seguir, sabendo que em nossa submissão Ele nos aceita como Seus servos; e, então, ao manter essa submissão a Ele vivermos em Suas mãos. Freqüentemente a vitória pode ser obtida somente por repetir vez após vez: "SENHOR, deveras sou Teu servo, Teu servo, filho da Tua serva; quebraste as minhas cadeias". Isto é simplesmente uma forma enfática de declarar: t SENHOR, submeti-me às Tuas mãos como um ins¬trumento de justiça; seja feita a Tua vontade, e não os ditames da carne". Mas quando reconhecemos a força dessa passagem e sentimos verdadeiramente que somos servos de DEUS, imediatamente ocorre um pensamento: "Bem, se eu verdadeiramente sou um instrumento nas mãos de DEUS, Ele não pode me usar para fazer o mal, nem pode permitir que eu faça o mal enquanto permanecer em Suas mãos. Ele precisa conservar-me se deva ser guardado do mal, porque não posso guardar-me a mim próprio. Mas Ele deseja resguardar-me do mal, pois revelou o Seu desejo, e também o Seu poder em cumprir o Seu desejo ao dar-Se por mim. Portanto, eu serei guardado desse mal". Todos esses pensamentos podem percorrer imediatamente a mente, e daí com eles deve necessariamente brotar um sentimento de contentamento quanto a sermos guardados da temível iniqüidade. Esse contentamento naturalmente acha expressão em gratidão a DEUS, e enquanto estamos-Lhe sendo gratos, o inimigo retira a sua tentação, e a paz de DEUS enche o coração. Daí descobrimos que a alegria em crer supera em muito todo o gozo que advém da indulgência no pecado.

Tudo isso é uma demonstração das palavras de Paulo: "Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma, antes confirmamos a lei". "Anular" a lei não é abolindo-a, pois homem algum pode abolir a lei de DEUS, contudo o salmista diz que ela foi tornada inválida. Sal. 119:126. Tornar a lei de DEUS nula é algo mais do que alegar ser ela de nenhuma conseqüência; é demonstrar pela vida que é considerada levianamente. Um homem torna a lei de DEUS nula quando permite que não tenha poder sobre a sua vida. Em suma, tornar nula a lei de DEUS é quebrantá-la; mas a lei em si mesma permanece a mesma, observemo-la ou não. Torná-la nula afeta somente o indivíduo.

Portanto, quando o apóstolo diz que não anulamos a lei de DEUS pela fé, mas que, pelo contrário, a confirmamos, quer dizer que a fé não nos leva à violação da lei, mas à obediência a ela. Não, não diríamos que a fé conduz à obediência, mas que a própria fé obedece. Fé confirma a lei no coração. "Fé é a substância das coisas que se espera". Se a coisa esperada for justiça, a fé a confirma. Em vez de a fé conduzir ao antinomismo, é a única coisa que se apresenta contrária ao antinomismo. Não importa quanto uma pessoa se gabe na lei de DEUS; se rejeita ou ignora a implícita fé em CRISTO, ele não está em melhor condição do que o homem que ataca diretamente a lei. O homem de fé é o único que verdadeiramente honra a lei de DEUS. Sem fé é impossível agradar a DEUS (Heb. 11:6), com ela, todas as coisas são possíveis (Marcos 9:23).

Sim, a fé faz o impossível, e é exatamente isso que DEUS requer que façamos. Quando Josué disse a Israel: "Não podeis servir o SENHOR", ele dizia a verdade, contudo era um fato que DEUS requeria deles que O servis¬sem. Não está no poder de homem algum cumprir a justiça, mesmo que o deseje fazer (Gál. 5:17); portanto, é um erro dizer que tudo quanto DEUS deseja é que façamos o melhor possível. Aquele que não passa disso não cumprirá as obras de DEUS. Não. Ele deve fazer melhor do que pode. Ele deve fazer aquilo que somente o poder de DEUS operante mediante ele pode cumprir. É impossível que um homem caminhe sobre a água, contudo Pedro o fez quando exerceu fé em JESUS.

Sendo que todo poder no céu e na Terra está nas mãos de CRISTO e esse poder está à nossa disposição, mesmo que o próprio CRISTO venha habitar no coração pela fé, não há lugar para achar falta com DEUS por requerer de nós realizarmos o impossível; pois "os impossíveis aos homens são possíveis para DEUS". Lucas 18:27. Portanto, podemos ousadamente dizer: "O SENHOR é o meu auxílio, não temerei o que me poderá fazer o homem." Heb. 13:6.

Então, "quem nos separará do amor de CRISTO? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada"? "Em todas as estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio Daquele que nos amou". Rom. 8:35, 37. "Porque estou bem certo de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem coisas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de DEUS, que está em CRISTO JESUS nosso SENHOR".

Capítulo 16 - O fim do tempo da graça

Tomemos agora algumas ilustrações do poder da fé para libertar da escravidão. Citaremos Lucas 13:10-17:

"Ora, ensinava JESUS no sábado numa das sinagogas. E veio ali uma mulher possessa de um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos; andava ela encurvada, sem de modo algum poder endireitar-se. Vendo-a JESUS, chamou-a e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade; e, impondo-lhe as mãos, ela imediatamente se endireitou e dava glória a DEUS. O chefe da sinagoga, indignado de ver que JESUS curava no sábado, disse à multidão: Seis dias há em que se deve trabalhar; vinde, pois, nesses dias para serdes curados, e não no sábado. Disse-lhe, porém, o SENHOR: Hipócritas, cada um de vós não desprende da manjedoura no sábado o seu boi ou o seu jumento, para levá-lo a beber? Por que motivo não se devia livrar deste cativeiro em dia de sábado esta filha de Abraão, a quem Satanás trazia presa há dezoito anos? Tendo Ele dito estas palavras todos os Seus adversários se envergonharam. Entretanto, o povo se alegrava por todos os gloriosos feitos que JESUS realizava".

Podemos desconsiderar as críticas dos dirigentes hipócritas para considerar o milagre. A mulher estava presa; nós, mediante o temor da morte, temos estado toda a nossa vida sujeitos à servidão. Satanás havia escravizado a mulher; Satanás também pôs armadilhas para os nossos pés e tem-nos trazido em servidão. Ela de modo algum poderia soerguer-se; nossas iniqüidades se apossaram de nós, de modo que não somos capazes de olhar para cima. Sal. 40:12. Com uma palavra e um toque, JESUS pôs a mulher em liberdade de sua enfermidade. Temos o mesmo misericordioso Sumo Sacerdote agora no céu, que é tocado com o sentimento de nossas enfermida¬des, e a mesma palavra nos libertará da maldade.

Para que propósito foram os milagres de cura registrados como realizados por JESUS? João nos diz. Não foi simplesmente para mostrar que Ele pode curar a doença, mas para demonstrar o Seu poder sobre o pecado. Ver Mat. 9:2-8. Mas João declara:

"Na verdade fez JESUS diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que JESUS é o CRISTO, o Filho de DEUS, e para que, crendo, tenhais vida em Seu nome". João 20:30,31.

Assim vemos que eles estão registrados simplesmente como ilustrações objetivas do amor de CRISTO, de Sua disposição em dar alívio e de Seu poder sobre as obras de Satanás, não importa se em corpo ou em alma. Um milagre mais é suficiente neste contexto. É aquele registrado em Atos 3. Não citarei o relato completo, mas pedi¬ria aos leitores para segui-lo cuidadosamente em sua Bíblia.

Pedro e João viram junto à entrada do templo um homem com mais de quarenta anos de idade, paralítico desde o nascimento. Ele jamais havia andado. Estava esmolando, e Pedro sentiu-se movido pelo ESPÍRITO a dar-lhe algo melhor do que ouro ou prata. Disse ele: "Em nome de JESUS CRISTO, o Nazareno, anda! E, tomando-o pela mão direita, o levantou; imediatamente os seus pés e artelhos se firmaram; de um salto se pôs em pé, passou a andar e entrou com eles no templo, saltando e louvando a DEUS". Versos 6-8.

Esse notável milagre com alguém que todos haviam visto provocou uma extraordinária comoção entre o povo, e, quando Pedro viu a surpresa deles, passou a contar como a maravilha havia sido realizada, declarando:

"Israelitas, por que vos maravilhais disto, ou por que fitais os olhos em nós como se pelo nosso próprio poder ou piedade o tivéssemos feito andar? O DEUS de Abraão, de Isaque e de Jacó, o DEUS de nossos pais glorificou a Seu Servo JESUS, a Quem vós traístes e negastes perante Pilatos, quando este havia decidido soltá-Lo. Vós, porém, negastes o Santo e o Justo, e pedistes que vos concedessem um homicida. Destarte matastes o Autor da vida, a Quem DEUS ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas. Pela fé no nome de JESUS, esse mesmo nome fortaleceu a este homem que agora vedes e reconheceis; sim, a fé, que vem por meio de JESUS, deu a este saúde perfeita na presença de todos vós". Versos 12-16.

Agora faça a aplicação. O homem "coxo de nascença" era incapaz de ajudar-se. Ele alegremente se disporia a caminhar, mas não podia fazê-lo. Nós, igualmente, podemos todos dizer, com Davi: "Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe". Salmo 51:5. Em conseqüência, somos por natureza tão fracos que não podemos realizar as coisas que gostaríamos. Como cada ano da vida do homem aumentava sua incapacidade de caminhar por ter aumentado o peso de seu corpo, enquanto os membros não cresciam na mesma proporção, assim a repetida prática do pecado, ao nos tornarmos mais velhos, fortalece o seu poder sobre nós. Tratava-se de uma enorme impossibilidade para aquele homem o caminhar; contudo, o nome de CRISTO, mediante a fé, deu-lhe perfeita saúde e liberdade da enfermidade. Assim nós, mediante a fé Nele, podemos ser curados e capacitados a realizar as coisas que até então era-nos impossível cumprir. Pois as coisas que são impossíveis ao homem são possíveis a DEUS. Ele é o Criador.

"Faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor". Isa. 40:29.

Uma das maravilhas da fé, como demonstrada nos casos dos antigos heróis bíblicos, é que"da fraqueza tiraram força". Heb. 11:34.

Nesses exemplos vimos como DEUS liberta da servidão aqueles que confiam Nele. Agora, consideremos o conhecimento de como a liberdade é mantida.

Vimos que nós por natureza somos todos servos do pecado e de Satanás, e que tão logo nos submetemos a CRISTO, somos libertos do poder de Satanás. Declara Paulo: "Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?" Rom. 6:16. Assim, pois, tão logo nos tornamos livres da escravidão do pecado, tornamo-nos servos de CRISTO. Na verdade, o próprio ato de livrar-nos do poder do pecado, em resposta a nossa fé, prova a aceitação de DEUS por nós como Seus servos. Tornamo-nos, na verdade, os servos de CRISTO; mas aquele que é servo do SENHOR é um homem livre, pois somos chamados à liberdade (Gál. 5:13), e onde há o ESPÍRITO do SENHOR, há liberdade. (2 Cor. 3:17).

E agora vem novamente o conflito. Satanás não está disposto a desistir de seu escravo tão prontamente. Ele vem, armado com a lança da tentação feroz, para atrair-nos mais uma vez ao seu serviço. Sabemos por triste experiência que ele é mais poderoso do que somos, e que desajudados não podemos resistir-lhe. Mas tememos o seu poder e clamamos por socorro. Então trazemos à mente que não mais somos servos de Satanás. Submetemo-nos a DEUS, e, portanto, Ele nos aceitou como Seus servos. Podemos então dizer com o salmista: "SENHOR, deveras sou Teu servo, Teu servo, filho da Tua serva; quebraste as minhas cadeias". Sal. 116:16. Mas o fato de ter DEUS quebrado as cadeias que Satanás lançara sobre nós e ele fez isso, se crermos que o fez é evidência de que DEUS nos protegerá, pois Ele se preocupa com os que Lhe pertencem, e temos a segurança de que Aquele que começou uma boa obra em nós "há de completá-la até ao dia de CRISTO JESUS". Fil. 1:6. E nessa confiança somos fortes para resistir.

Novamente, se nos submetemos para ser servos de DEUS, somos Seus servos, ou, noutros termos, instrumentos de justiça em Suas mãos. Leia Rom. 6:13-16. Não somos instrumentos inertes, sem vida, sem sentido, tais como as ferramentas utilizadas pelos agricultores, sem voz sobre como devem ser utilizados, mas instrumentos vivos, inteligentes, tendo a permissão de escolher sua ocupação. Não obstante, o termo "instrumento" significa uma ferramenta algo que está inteiramente sob controle do artesão. A diferença entre nós e as ferramentas do mecânico é que podemos escolher quem nos usará e para que tipo de serviço seremos empregados, mas tendo feito a escolha e submetendo-nos às mãos do trabalhador, devemos estar tão completamente em suas mãos como a ferramenta que não tem decisão quanto à forma por que deve ser usada. Quando nos submetemos a DEUS, deve¬mos estar nas Suas mãos como o barro nas mãos do oleiro, para que possa fazer conosco como Lhe aprouver. Nossa vontade reside em decidir se Lhe permitimos ou não realizar em nós aquilo que é bom.

Essa idéia de sermos instrumentos nas mãos de DEUS é um maravilhoso auxílio à vitória da fé quando é uma vez plenamente assimilada. Pois, note-se que o que um instrumento realiza depende inteiramente da pessoa em cujas mãos se acha. Aqui, por exemplo, é uma máquina de cunhar. Em si mesma é inocente, contudo pode ser empregada para os propósitos mais sórdidos, bem como para aquilo por que é útil. Se estiver nas mãos de alguém de mau caráter pode ser empregada para produzir moedas falsas. Certamente não será empregada para qualquer bom propósito. Mas se estiver nas mãos de um homem reto, virtuoso, não pode possivelmente produzir mal algum. Igualmente, quando éramos servos de Satanás, não realizávamos nenhum bem (Rom. 6:20), mas agora que nos submetemos às mãos de DEUS, sabemos que não há Nele injustiça, e assim um instrumento em Suas mãos não pode ser empregado para um propósito iníqüo. A submissão a DEUS deve ser tão completa quanto anteriormente o foi a Satanás, pois o apóstolo declara:

"Falo como homem, por causa da fraqueza da vossa carne. Assim como oferecestes os vossos membros para a escravidão da impureza, e da maldade para a maldade, assim oferecei agora os vossos membros para servirem à justiça para a santificação". Rom. 6:19.

O inteiro segredo da vitória, portanto, jaz primeiramente em integral submissão a DEUS com um sincero desejo de fazer a Sua vontade; a seguir, sabendo que em nossa submissão Ele nos aceita como Seus servos; e, então, ao manter essa submissão a Ele vivermos em Suas mãos. Freqüentemente a vitória pode ser obtida somente por repetir vez após vez: "SENHOR, deveras sou Teu servo, Teu servo, filho da Tua serva; quebraste as minhas cadeias". Isto é simplesmente uma forma enfática de declarar: t SENHOR, submeti-me às Tuas mãos como um ins¬trumento de justiça; seja feita a Tua vontade, e não os ditames da carne". Mas quando reconhecemos a força dessa passagem e sentimos verdadeiramente que somos servos de DEUS, imediatamente ocorre um pensamento: "Bem, se eu verdadeiramente sou um instrumento nas mãos de DEUS, Ele não pode me usar para fazer o mal, nem pode permitir que eu faça o mal enquanto permanecer em Suas mãos. Ele precisa conservar-me se deva ser guardado do mal, porque não posso guardar-me a mim próprio. Mas Ele deseja resguardar-me do mal, pois revelou o Seu desejo, e também o Seu poder em cumprir o Seu desejo ao dar-Se por mim. Portanto, eu serei guardado desse mal". Todos esses pensamentos podem percorrer imediatamente a mente, e daí com eles deve necessariamente brotar um sentimento de contentamento quanto a sermos guardados da temível iniqüidade. Esse contentamento naturalmente acha expressão em gratidão a DEUS, e enquanto estamos-Lhe sendo gratos, o inimigo retira a sua tentação, e a paz de DEUS enche o coração. Daí descobrimos que a alegria em crer supera em muito todo o gozo que advém da indulgência no pecado.

Tudo isso é uma demonstração das palavras de Paulo: "Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma, antes confirmamos a lei". "Anular" a lei não é abolindo-a, pois homem algum pode abolir a lei de DEUS, contudo o salmista diz que ela foi tornada inválida. Sal. 119:126. Tornar a lei de DEUS nula é algo mais do que alegar ser ela de nenhuma conseqüência; é demonstrar pela vida que é considerada levianamente. Um homem torna a lei de DEUS nula quando permite que não tenha poder sobre a sua vida. Em suma, tornar nula a lei de DEUS é quebrantá-la; mas a lei em si mesma permanece a mesma, observemo-la ou não. Torná-la nula afeta somente o indivíduo.

Portanto, quando o apóstolo diz que não anulamos a lei de DEUS pela fé, mas que, pelo contrário, a confirmamos, quer dizer que a fé não nos leva à violação da lei, mas à obediência a ela. Não, não diríamos que a fé conduz à obediência, mas que a própria fé obedece. Fé confirma a lei no coração. "Fé é a substância das coisas que se espera". Se a coisa esperada for justiça, a fé a confirma. Em vez de a fé conduzir ao antinomismo, é a única coisa que se apresenta contrária ao antinomismo. Não importa quanto uma pessoa se gabe na lei de DEUS; se rejeita ou ignora a implícita fé em CRISTO, ele não está em melhor condição do que o homem que ataca diretamente a lei. O homem de fé é o único que verdadeiramente honra a lei de DEUS. Sem fé é impossível agradar a DEUS (Heb. 11:6), com ela, todas as coisas são possíveis (Marcos 9:23).

Sim, a fé faz o impossível, e é exatamente isso que DEUS requer que façamos. Quando Josué disse a Israel: "Não podeis servir o SENHOR", ele dizia a verdade, contudo era um fato que DEUS requeria deles que O servis¬sem. Não está no poder de homem algum cumprir a justiça, mesmo que o deseje fazer (Gál. 5:17); portanto, é um erro dizer que tudo quanto DEUS deseja é que façamos o melhor possível. Aquele que não passa disso não cumprirá as obras de DEUS. Não. Ele deve fazer melhor do que pode. Ele deve fazer aquilo que somente o poder de DEUS operante mediante ele pode cumprir. É impossível que um homem caminhe sobre a água, contudo Pedro o fez quando exerceu fé em JESUS.

Sendo que todo poder no céu e na Terra está nas mãos de CRISTO e esse poder está à nossa disposição, mesmo que o próprio CRISTO venha habitar no coração pela fé, não há lugar para achar falta com DEUS por requerer de nós realizarmos o impossível; pois "os impossíveis aos homens são possíveis para DEUS". Lucas 18:27. Portanto, podemos ousadamente dizer: "O SENHOR é o meu auxílio, não temerei o que me poderá fazer o homem." Heb. 13:6.

Então, "quem nos separará do amor de CRISTO? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada"? "Em todas as estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio Daquele que nos amou". Rom. 8:35, 37. "Porque estou bem certo de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem coisas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de DEUS, que está em CRISTO JESUS nosso SENHOR".

Capítulo 17 - As sete últimas pragas e os ímpios

Tomemos agora algumas ilustrações do poder da fé para libertar da escravidão. Citaremos Lucas 13:10-17:

"Ora, ensinava JESUS no sábado numa das sinagogas. E veio ali uma mulher possessa de um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos; andava ela encurvada, sem de modo algum poder endireitar-se. Vendo-a JESUS, chamou-a e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade; e, impondo-lhe as mãos, ela imediatamente se endireitou e dava glória a DEUS. O chefe da sinagoga, indignado de ver que JESUS curava no sábado, disse à multidão: Seis dias há em que se deve trabalhar; vinde, pois, nesses dias para serdes curados, e não no sábado. Disse-lhe, porém, o SENHOR: Hipócritas, cada um de vós não desprende da manjedoura no sábado o seu boi ou o seu jumento, para levá-lo a beber? Por que motivo não se devia livrar deste cativeiro em dia de sábado esta filha de Abraão, a quem Satanás trazia presa há dezoito anos? Tendo Ele dito estas palavras todos os Seus adversários se envergonharam. Entretanto, o povo se alegrava por todos os gloriosos feitos que JESUS realizava".

Podemos desconsiderar as críticas dos dirigentes hipócritas para considerar o milagre. A mulher estava presa; nós, mediante o temor da morte, temos estado toda a nossa vida sujeitos à servidão. Satanás havia escravizado a mulher; Satanás também pôs armadilhas para os nossos pés e tem-nos trazido em servidão. Ela de modo algum poderia soerguer-se; nossas iniqüidades se apossaram de nós, de modo que não somos capazes de olhar para cima. Sal. 40:12. Com uma palavra e um toque, JESUS pôs a mulher em liberdade de sua enfermidade. Temos o mesmo misericordioso Sumo Sacerdote agora no céu, que é tocado com o sentimento de nossas enfermida¬des, e a mesma palavra nos libertará da maldade.

Para que propósito foram os milagres de cura registrados como realizados por JESUS? João nos diz. Não foi simplesmente para mostrar que Ele pode curar a doença, mas para demonstrar o Seu poder sobre o pecado. Ver Mat. 9:2-8. Mas João declara:

"Na verdade fez JESUS diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que JESUS é o CRISTO, o Filho de DEUS, e para que, crendo, tenhais vida em Seu nome". João 20:30,31.

Assim vemos que eles estão registrados simplesmente como ilustrações objetivas do amor de CRISTO, de Sua disposição em dar alívio e de Seu poder sobre as obras de Satanás, não importa se em corpo ou em alma. Um milagre mais é suficiente neste contexto. É aquele registrado em Atos 3. Não citarei o relato completo, mas pedi¬ria aos leitores para segui-lo cuidadosamente em sua Bíblia.

Pedro e João viram junto à entrada do templo um homem com mais de quarenta anos de idade, paralítico desde o nascimento. Ele jamais havia andado. Estava esmolando, e Pedro sentiu-se movido pelo ESPÍRITO a dar-lhe algo melhor do que ouro ou prata. Disse ele: "Em nome de JESUS CRISTO, o Nazareno, anda! E, tomando-o pela mão direita, o levantou; imediatamente os seus pés e artelhos se firmaram; de um salto se pôs em pé, passou a andar e entrou com eles no templo, saltando e louvando a DEUS". Versos 6-8.

Esse notável milagre com alguém que todos haviam visto provocou uma extraordinária comoção entre o povo, e, quando Pedro viu a surpresa deles, passou a contar como a maravilha havia sido realizada, declarando:

"Israelitas, por que vos maravilhais disto, ou por que fitais os olhos em nós como se pelo nosso próprio poder ou piedade o tivéssemos feito andar? O DEUS de Abraão, de Isaque e de Jacó, o DEUS de nossos pais glorificou a Seu Servo JESUS, a Quem vós traístes e negastes perante Pilatos, quando este havia decidido soltá-Lo. Vós, porém, negastes o Santo e o Justo, e pedistes que vos concedessem um homicida. Destarte matastes o Autor da vida, a Quem DEUS ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas. Pela fé no nome de JESUS, esse mesmo nome fortaleceu a este homem que agora vedes e reconheceis; sim, a fé, que vem por meio de JESUS, deu a este saúde perfeita na presença de todos vós". Versos 12-16.

Agora faça a aplicação. O homem "coxo de nascença" era incapaz de ajudar-se. Ele alegremente se disporia a caminhar, mas não podia fazê-lo. Nós, igualmente, podemos todos dizer, com Davi: "Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe". Salmo 51:5. Em conseqüência, somos por natureza tão fracos que não podemos realizar as coisas que gostaríamos. Como cada ano da vida do homem aumentava sua incapacidade de caminhar por ter aumentado o peso de seu corpo, enquanto os membros não cresciam na mesma proporção, assim a repetida prática do pecado, ao nos tornarmos mais velhos, fortalece o seu poder sobre nós. Tratava-se de uma enorme impossibilidade para aquele homem o caminhar; contudo, o nome de CRISTO, mediante a fé, deu-lhe perfeita saúde e liberdade da enfermidade. Assim nós, mediante a fé Nele, podemos ser curados e capacitados a realizar as coisas que até então era-nos impossível cumprir. Pois as coisas que são impossíveis ao homem são possíveis a DEUS. Ele é o Criador.

"Faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor". Isa. 40:29.

Uma das maravilhas da fé, como demonstrada nos casos dos antigos heróis bíblicos, é que"da fraqueza tiraram força". Heb. 11:34.

Nesses exemplos vimos como DEUS liberta da servidão aqueles que confiam Nele. Agora, consideremos o conhecimento de como a liberdade é mantida.

Vimos que nós por natureza somos todos servos do pecado e de Satanás, e que tão logo nos submetemos a CRISTO, somos libertos do poder de Satanás. Declara Paulo: "Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?" Rom. 6:16. Assim, pois, tão logo nos tornamos livres da escravidão do pecado, tornamo-nos servos de CRISTO. Na verdade, o próprio ato de livrar-nos do poder do pecado, em resposta a nossa fé, prova a aceitação de DEUS por nós como Seus servos. Tornamo-nos, na verdade, os servos de CRISTO; mas aquele que é servo do SENHOR é um homem livre, pois somos chamados à liberdade (Gál. 5:13), e onde há o ESPÍRITO do SENHOR, há liberdade. (2 Cor. 3:17).

E agora vem novamente o conflito. Satanás não está disposto a desistir de seu escravo tão prontamente. Ele vem, armado com a lança da tentação feroz, para atrair-nos mais uma vez ao seu serviço. Sabemos por triste experiência que ele é mais poderoso do que somos, e que desajudados não podemos resistir-lhe. Mas tememos o seu poder e clamamos por socorro. Então trazemos à mente que não mais somos servos de Satanás. Submetemo-nos a DEUS, e, portanto, Ele nos aceitou como Seus servos. Podemos então dizer com o salmista: "SENHOR, deveras sou Teu servo, Teu servo, filho da Tua serva; quebraste as minhas cadeias". Sal. 116:16. Mas o fato de ter DEUS quebrado as cadeias que Satanás lançara sobre nós e ele fez isso, se crermos que o fez é evidência de que DEUS nos protegerá, pois Ele se preocupa com os que Lhe pertencem, e temos a segurança de que Aquele que começou uma boa obra em nós "há de completá-la até ao dia de CRISTO JESUS". Fil. 1:6. E nessa confiança somos fortes para resistir.

Novamente, se nos submetemos para ser servos de DEUS, somos Seus servos, ou, noutros termos, instrumentos de justiça em Suas mãos. Leia Rom. 6:13-16. Não somos instrumentos inertes, sem vida, sem sentido, tais como as ferramentas utilizadas pelos agricultores, sem voz sobre como devem ser utilizados, mas instrumentos vivos, inteligentes, tendo a permissão de escolher sua ocupação. Não obstante, o termo "instrumento" significa uma ferramenta algo que está inteiramente sob controle do artesão. A diferença entre nós e as ferramentas do mecânico é que podemos escolher quem nos usará e para que tipo de serviço seremos empregados, mas tendo feito a escolha e submetendo-nos às mãos do trabalhador, devemos estar tão completamente em suas mãos como a ferramenta que não tem decisão quanto à forma por que deve ser usada. Quando nos submetemos a DEUS, deve¬mos estar nas Suas mãos como o barro nas mãos do oleiro, para que possa fazer conosco como Lhe aprouver. Nossa vontade reside em decidir se Lhe permitimos ou não realizar em nós aquilo que é bom.

Essa idéia de sermos instrumentos nas mãos de DEUS é um maravilhoso auxílio à vitória da fé quando é uma vez plenamente assimilada. Pois, note-se que o que um instrumento realiza depende inteiramente da pessoa em cujas mãos se acha. Aqui, por exemplo, é uma máquina de cunhar. Em si mesma é inocente, contudo pode ser empregada para os propósitos mais sórdidos, bem como para aquilo por que é útil. Se estiver nas mãos de alguém de mau caráter pode ser empregada para produzir moedas falsas. Certamente não será empregada para qualquer bom propósito. Mas se estiver nas mãos de um homem reto, virtuoso, não pode possivelmente produzir mal algum. Igualmente, quando éramos servos de Satanás, não realizávamos nenhum bem (Rom. 6:20), mas agora que nos submetemos às mãos de DEUS, sabemos que não há Nele injustiça, e assim um instrumento em Suas mãos não pode ser empregado para um propósito iníqüo. A submissão a DEUS deve ser tão completa quanto anteriormente o foi a Satanás, pois o apóstolo declara:

"Falo como homem, por causa da fraqueza da vossa carne. Assim como oferecestes os vossos membros para a escravidão da impureza, e da maldade para a maldade, assim oferecei agora os vossos membros para servirem à justiça para a santificação". Rom. 6:19.

O inteiro segredo da vitória, portanto, jaz primeiramente em integral submissão a DEUS com um sincero desejo de fazer a Sua vontade; a seguir, sabendo que em nossa submissão Ele nos aceita como Seus servos; e, então, ao manter essa submissão a Ele vivermos em Suas mãos. Freqüentemente a vitória pode ser obtida somente por repetir vez após vez: "SENHOR, deveras sou Teu servo, Teu servo, filho da Tua serva; quebraste as minhas cadeias". Isto é simplesmente uma forma enfática de declarar: t SENHOR, submeti-me às Tuas mãos como um ins¬trumento de justiça; seja feita a Tua vontade, e não os ditames da carne". Mas quando reconhecemos a força dessa passagem e sentimos verdadeiramente que somos servos de DEUS, imediatamente ocorre um pensamento: "Bem, se eu verdadeiramente sou um instrumento nas mãos de DEUS, Ele não pode me usar para fazer o mal, nem pode permitir que eu faça o mal enquanto permanecer em Suas mãos. Ele precisa conservar-me se deva ser guardado do mal, porque não posso guardar-me a mim próprio. Mas Ele deseja resguardar-me do mal, pois revelou o Seu desejo, e também o Seu poder em cumprir o Seu desejo ao dar-Se por mim. Portanto, eu serei guardado desse mal". Todos esses pensamentos podem percorrer imediatamente a mente, e daí com eles deve necessariamente brotar um sentimento de contentamento quanto a sermos guardados da temível iniqüidade. Esse contentamento naturalmente acha expressão em gratidão a DEUS, e enquanto estamos-Lhe sendo gratos, o inimigo retira a sua tentação, e a paz de DEUS enche o coração. Daí descobrimos que a alegria em crer supera em muito todo o gozo que advém da indulgência no pecado.

Tudo isso é uma demonstração das palavras de Paulo: "Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma, antes confirmamos a lei". "Anular" a lei não é abolindo-a, pois homem algum pode abolir a lei de DEUS, contudo o salmista diz que ela foi tornada inválida. Sal. 119:126. Tornar a lei de DEUS nula é algo mais do que alegar ser ela de nenhuma conseqüência; é demonstrar pela vida que é considerada levianamente. Um homem torna a lei de DEUS nula quando permite que não tenha poder sobre a sua vida. Em suma, tornar nula a lei de DEUS é quebrantá-la; mas a lei em si mesma permanece a mesma, observemo-la ou não. Torná-la nula afeta somente o indivíduo.

Portanto, quando o apóstolo diz que não anulamos a lei de DEUS pela fé, mas que, pelo contrário, a confirmamos, quer dizer que a fé não nos leva à violação da lei, mas à obediência a ela. Não, não diríamos que a fé conduz à obediência, mas que a própria fé obedece. Fé confirma a lei no coração. "Fé é a substância das coisas que se espera". Se a coisa esperada for justiça, a fé a confirma. Em vez de a fé conduzir ao antinomismo, é a única coisa que se apresenta contrária ao antinomismo. Não importa quanto uma pessoa se gabe na lei de DEUS; se rejeita ou ignora a implícita fé em CRISTO, ele não está em melhor condição do que o homem que ataca diretamente a lei. O homem de fé é o único que verdadeiramente honra a lei de DEUS. Sem fé é impossível agradar a DEUS (Heb. 11:6), com ela, todas as coisas são possíveis (Marcos 9:23).

Sim, a fé faz o impossível, e é exatamente isso que DEUS requer que façamos. Quando Josué disse a Israel: "Não podeis servir o SENHOR", ele dizia a verdade, contudo era um fato que DEUS requeria deles que O servis¬sem. Não está no poder de homem algum cumprir a justiça, mesmo que o deseje fazer (Gál. 5:17); portanto, é um erro dizer que tudo quanto DEUS deseja é que façamos o melhor possível. Aquele que não passa disso não cumprirá as obras de DEUS. Não. Ele deve fazer melhor do que pode. Ele deve fazer aquilo que somente o poder de DEUS operante mediante ele pode cumprir. É impossível que um homem caminhe sobre a água, contudo Pedro o fez quando exerceu fé em JESUS.

Sendo que todo poder no céu e na Terra está nas mãos de CRISTO e esse poder está à nossa disposição, mesmo que o próprio CRISTO venha habitar no coração pela fé, não há lugar para achar falta com DEUS por requerer de nós realizarmos o impossível; pois "os impossíveis aos homens são possíveis para DEUS". Lucas 18:27. Portanto, podemos ousadamente dizer: "O SENHOR é o meu auxílio, não temerei o que me poderá fazer o homem." Heb. 13:6.

Então, "quem nos separará do amor de CRISTO? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada"? "Em todas as estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio Daquele que nos amou". Rom. 8:35, 37. "Porque estou bem certo de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem coisas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de DEUS, que está em CRISTO JESUS nosso SENHOR".

Capítulo 18 - As sete últimas pragas e os justos

Tomemos agora algumas ilustrações do poder da fé para libertar da escravidão. Citaremos Lucas 13:10-17:

"Ora, ensinava JESUS no sábado numa das sinagogas. E veio ali uma mulher possessa de um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos; andava ela encurvada, sem de modo algum poder endireitar-se. Vendo-a JESUS, chamou-a e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade; e, impondo-lhe as mãos, ela imediatamente se endireitou e dava glória a DEUS. O chefe da sinagoga, indignado de ver que JESUS curava no sábado, disse à multidão: Seis dias há em que se deve trabalhar; vinde, pois, nesses dias para serdes curados, e não no sábado. Disse-lhe, porém, o SENHOR: Hipócritas, cada um de vós não desprende da manjedoura no sábado o seu boi ou o seu jumento, para levá-lo a beber? Por que motivo não se devia livrar deste cativeiro em dia de sábado esta filha de Abraão, a quem Satanás trazia presa há dezoito anos? Tendo Ele dito estas palavras todos os Seus adversários se envergonharam. Entretanto, o povo se alegrava por todos os gloriosos feitos que JESUS realizava".

Podemos desconsiderar as críticas dos dirigentes hipócritas para considerar o milagre. A mulher estava presa; nós, mediante o temor da morte, temos estado toda a nossa vida sujeitos à servidão. Satanás havia escravizado a mulher; Satanás também pôs armadilhas para os nossos pés e tem-nos trazido em servidão. Ela de modo algum poderia soerguer-se; nossas iniqüidades se apossaram de nós, de modo que não somos capazes de olhar para cima. Sal. 40:12. Com uma palavra e um toque, JESUS pôs a mulher em liberdade de sua enfermidade. Temos o mesmo misericordioso Sumo Sacerdote agora no céu, que é tocado com o sentimento de nossas enfermida¬des, e a mesma palavra nos libertará da maldade.

Para que propósito foram os milagres de cura registrados como realizados por JESUS? João nos diz. Não foi simplesmente para mostrar que Ele pode curar a doença, mas para demonstrar o Seu poder sobre o pecado. Ver Mat. 9:2-8. Mas João declara:

"Na verdade fez JESUS diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que JESUS é o CRISTO, o Filho de DEUS, e para que, crendo, tenhais vida em Seu nome". João 20:30,31.

Assim vemos que eles estão registrados simplesmente como ilustrações objetivas do amor de CRISTO, de Sua disposição em dar alívio e de Seu poder sobre as obras de Satanás, não importa se em corpo ou em alma. Um milagre mais é suficiente neste contexto. É aquele registrado em Atos 3. Não citarei o relato completo, mas pedi¬ria aos leitores para segui-lo cuidadosamente em sua Bíblia.

Pedro e João viram junto à entrada do templo um homem com mais de quarenta anos de idade, paralítico desde o nascimento. Ele jamais havia andado. Estava esmolando, e Pedro sentiu-se movido pelo ESPÍRITO a dar-lhe algo melhor do que ouro ou prata. Disse ele: "Em nome de JESUS CRISTO, o Nazareno, anda! E, tomando-o pela mão direita, o levantou; imediatamente os seus pés e artelhos se firmaram; de um salto se pôs em pé, passou a andar e entrou com eles no templo, saltando e louvando a DEUS". Versos 6-8.

Esse notável milagre com alguém que todos haviam visto provocou uma extraordinária comoção entre o povo, e, quando Pedro viu a surpresa deles, passou a contar como a maravilha havia sido realizada, declarando:

"Israelitas, por que vos maravilhais disto, ou por que fitais os olhos em nós como se pelo nosso próprio poder ou piedade o tivéssemos feito andar? O DEUS de Abraão, de Isaque e de Jacó, o DEUS de nossos pais glorificou a Seu Servo JESUS, a Quem vós traístes e negastes perante Pilatos, quando este havia decidido soltá-Lo. Vós, porém, negastes o Santo e o Justo, e pedistes que vos concedessem um homicida. Destarte matastes o Autor da vida, a Quem DEUS ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas. Pela fé no nome de JESUS, esse mesmo nome fortaleceu a este homem que agora vedes e reconheceis; sim, a fé, que vem por meio de JESUS, deu a este saúde perfeita na presença de todos vós". Versos 12-16.

Agora faça a aplicação. O homem "coxo de nascença" era incapaz de ajudar-se. Ele alegremente se disporia a caminhar, mas não podia fazê-lo. Nós, igualmente, podemos todos dizer, com Davi: "Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe". Salmo 51:5. Em conseqüência, somos por natureza tão fracos que não podemos realizar as coisas que gostaríamos. Como cada ano da vida do homem aumentava sua incapacidade de caminhar por ter aumentado o peso de seu corpo, enquanto os membros não cresciam na mesma proporção, assim a repetida prática do pecado, ao nos tornarmos mais velhos, fortalece o seu poder sobre nós. Tratava-se de uma enorme impossibilidade para aquele homem o caminhar; contudo, o nome de CRISTO, mediante a fé, deu-lhe perfeita saúde e liberdade da enfermidade. Assim nós, mediante a fé Nele, podemos ser curados e capacitados a realizar as coisas que até então era-nos impossível cumprir. Pois as coisas que são impossíveis ao homem são possíveis a DEUS. Ele é o Criador.

"Faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor". Isa. 40:29.

Uma das maravilhas da fé, como demonstrada nos casos dos antigos heróis bíblicos, é que"da fraqueza tiraram força". Heb. 11:34.

Nesses exemplos vimos como DEUS liberta da servidão aqueles que confiam Nele. Agora, consideremos o conhecimento de como a liberdade é mantida.

Vimos que nós por natureza somos todos servos do pecado e de Satanás, e que tão logo nos submetemos a CRISTO, somos libertos do poder de Satanás. Declara Paulo: "Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?" Rom. 6:16. Assim, pois, tão logo nos tornamos livres da escravidão do pecado, tornamo-nos servos de CRISTO. Na verdade, o próprio ato de livrar-nos do poder do pecado, em resposta a nossa fé, prova a aceitação de DEUS por nós como Seus servos. Tornamo-nos, na verdade, os servos de CRISTO; mas aquele que é servo do SENHOR é um homem livre, pois somos chamados à liberdade (Gál. 5:13), e onde há o ESPÍRITO do SENHOR, há liberdade. (2 Cor. 3:17).

E agora vem novamente o conflito. Satanás não está disposto a desistir de seu escravo tão prontamente. Ele vem, armado com a lança da tentação feroz, para atrair-nos mais uma vez ao seu serviço. Sabemos por triste experiência que ele é mais poderoso do que somos, e que desajudados não podemos resistir-lhe. Mas tememos o seu poder e clamamos por socorro. Então trazemos à mente que não mais somos servos de Satanás. Submetemo-nos a DEUS, e, portanto, Ele nos aceitou como Seus servos. Podemos então dizer com o salmista: "SENHOR, deveras sou Teu servo, Teu servo, filho da Tua serva; quebraste as minhas cadeias". Sal. 116:16. Mas o fato de ter DEUS quebrado as cadeias que Satanás lançara sobre nós e ele fez isso, se crermos que o fez é evidência de que DEUS nos protegerá, pois Ele se preocupa com os que Lhe pertencem, e temos a segurança de que Aquele que começou uma boa obra em nós "há de completá-la até ao dia de CRISTO JESUS". Fil. 1:6. E nessa confiança somos fortes para resistir.

Novamente, se nos submetemos para ser servos de DEUS, somos Seus servos, ou, noutros termos, instrumentos de justiça em Suas mãos. Leia Rom. 6:13-16. Não somos instrumentos inertes, sem vida, sem sentido, tais como as ferramentas utilizadas pelos agricultores, sem voz sobre como devem ser utilizados, mas instrumentos vivos, inteligentes, tendo a permissão de escolher sua ocupação. Não obstante, o termo "instrumento" significa uma ferramenta algo que está inteiramente sob controle do artesão. A diferença entre nós e as ferramentas do mecânico é que podemos escolher quem nos usará e para que tipo de serviço seremos empregados, mas tendo feito a escolha e submetendo-nos às mãos do trabalhador, devemos estar tão completamente em suas mãos como a ferramenta que não tem decisão quanto à forma por que deve ser usada. Quando nos submetemos a DEUS, deve¬mos estar nas Suas mãos como o barro nas mãos do oleiro, para que possa fazer conosco como Lhe aprouver. Nossa vontade reside em decidir se Lhe permitimos ou não realizar em nós aquilo que é bom.

Essa idéia de sermos instrumentos nas mãos de DEUS é um maravilhoso auxílio à vitória da fé quando é uma vez plenamente assimilada. Pois, note-se que o que um instrumento realiza depende inteiramente da pessoa em cujas mãos se acha. Aqui, por exemplo, é uma máquina de cunhar. Em si mesma é inocente, contudo pode ser empregada para os propósitos mais sórdidos, bem como para aquilo por que é útil. Se estiver nas mãos de alguém de mau caráter pode ser empregada para produzir moedas falsas. Certamente não será empregada para qualquer bom propósito. Mas se estiver nas mãos de um homem reto, virtuoso, não pode possivelmente produzir mal algum. Igualmente, quando éramos servos de Satanás, não realizávamos nenhum bem (Rom. 6:20), mas agora que nos submetemos às mãos de DEUS, sabemos que não há Nele injustiça, e assim um instrumento em Suas mãos não pode ser empregado para um propósito iníqüo. A submissão a DEUS deve ser tão completa quanto anteriormente o foi a Satanás, pois o apóstolo declara:

"Falo como homem, por causa da fraqueza da vossa carne. Assim como oferecestes os vossos membros para a escravidão da impureza, e da maldade para a maldade, assim oferecei agora os vossos membros para servirem à justiça para a santificação". Rom. 6:19.

O inteiro segredo da vitória, portanto, jaz primeiramente em integral submissão a DEUS com um sincero desejo de fazer a Sua vontade; a seguir, sabendo que em nossa submissão Ele nos aceita como Seus servos; e, então, ao manter essa submissão a Ele vivermos em Suas mãos. Freqüentemente a vitória pode ser obtida somente por repetir vez após vez: "SENHOR, deveras sou Teu servo, Teu servo, filho da Tua serva; quebraste as minhas cadeias". Isto é simplesmente uma forma enfática de declarar: t SENHOR, submeti-me às Tuas mãos como um ins¬trumento de justiça; seja feita a Tua vontade, e não os ditames da carne". Mas quando reconhecemos a força dessa passagem e sentimos verdadeiramente que somos servos de DEUS, imediatamente ocorre um pensamento: "Bem, se eu verdadeiramente sou um instrumento nas mãos de DEUS, Ele não pode me usar para fazer o mal, nem pode permitir que eu faça o mal enquanto permanecer em Suas mãos. Ele precisa conservar-me se deva ser guardado do mal, porque não posso guardar-me a mim próprio. Mas Ele deseja resguardar-me do mal, pois revelou o Seu desejo, e também o Seu poder em cumprir o Seu desejo ao dar-Se por mim. Portanto, eu serei guardado desse mal". Todos esses pensamentos podem percorrer imediatamente a mente, e daí com eles deve necessariamente brotar um sentimento de contentamento quanto a sermos guardados da temível iniqüidade. Esse contentamento naturalmente acha expressão em gratidão a DEUS, e enquanto estamos-Lhe sendo gratos, o inimigo retira a sua tentação, e a paz de DEUS enche o coração. Daí descobrimos que a alegria em crer supera em muito todo o gozo que advém da indulgência no pecado.

Tudo isso é uma demonstração das palavras de Paulo: "Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma, antes confirmamos a lei". "Anular" a lei não é abolindo-a, pois homem algum pode abolir a lei de DEUS, contudo o salmista diz que ela foi tornada inválida. Sal. 119:126. Tornar a lei de DEUS nula é algo mais do que alegar ser ela de nenhuma conseqüência; é demonstrar pela vida que é considerada levianamente. Um homem torna a lei de DEUS nula quando permite que não tenha poder sobre a sua vida. Em suma, tornar nula a lei de DEUS é quebrantá-la; mas a lei em si mesma permanece a mesma, observemo-la ou não. Torná-la nula afeta somente o indivíduo.

Portanto, quando o apóstolo diz que não anulamos a lei de DEUS pela fé, mas que, pelo contrário, a confirmamos, quer dizer que a fé não nos leva à violação da lei, mas à obediência a ela. Não, não diríamos que a fé conduz à obediência, mas que a própria fé obedece. Fé confirma a lei no coração. "Fé é a substância das coisas que se espera". Se a coisa esperada for justiça, a fé a confirma. Em vez de a fé conduzir ao antinomismo, é a única coisa que se apresenta contrária ao antinomismo. Não importa quanto uma pessoa se gabe na lei de DEUS; se rejeita ou ignora a implícita fé em CRISTO, ele não está em melhor condição do que o homem que ataca diretamente a lei. O homem de fé é o único que verdadeiramente honra a lei de DEUS. Sem fé é impossível agradar a DEUS (Heb. 11:6), com ela, todas as coisas são possíveis (Marcos 9:23).

Sim, a fé faz o impossível, e é exatamente isso que DEUS requer que façamos. Quando Josué disse a Israel: "Não podeis servir o SENHOR", ele dizia a verdade, contudo era um fato que DEUS requeria deles que O servis¬sem. Não está no poder de homem algum cumprir a justiça, mesmo que o deseje fazer (Gál. 5:17); portanto, é um erro dizer que tudo quanto DEUS deseja é que façamos o melhor possível. Aquele que não passa disso não cumprirá as obras de DEUS. Não. Ele deve fazer melhor do que pode. Ele deve fazer aquilo que somente o poder de DEUS operante mediante ele pode cumprir. É impossível que um homem caminhe sobre a água, contudo Pedro o fez quando exerceu fé em JESUS.

Sendo que todo poder no céu e na Terra está nas mãos de CRISTO e esse poder está à nossa disposição, mesmo que o próprio CRISTO venha habitar no coração pela fé, não há lugar para achar falta com DEUS por requerer de nós realizarmos o impossível; pois "os impossíveis aos homens são possíveis para DEUS". Lucas 18:27. Portanto, podemos ousadamente dizer: "O SENHOR é o meu auxílio, não temerei o que me poderá fazer o homem." Heb. 13:6.

Então, "quem nos separará do amor de CRISTO? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada"? "Em todas as estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio Daquele que nos amou". Rom. 8:35, 37. "Porque estou bem certo de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem coisas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de DEUS, que está em CRISTO JESUS nosso SENHOR".

Capítulo 19 - A volta de Cristo

Tomemos agora algumas ilustrações do poder da fé para libertar da escravidão. Citaremos Lucas 13:10-17:

"Ora, ensinava JESUS no sábado numa das sinagogas. E veio ali uma mulher possessa de um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos; andava ela encurvada, sem de modo algum poder endireitar-se. Vendo-a JESUS, chamou-a e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade; e, impondo-lhe as mãos, ela imediatamente se endireitou e dava glória a DEUS. O chefe da sinagoga, indignado de ver que JESUS curava no sábado, disse à multidão: Seis dias há em que se deve trabalhar; vinde, pois, nesses dias para serdes curados, e não no sábado. Disse-lhe, porém, o SENHOR: Hipócritas, cada um de vós não desprende da manjedoura no sábado o seu boi ou o seu jumento, para levá-lo a beber? Por que motivo não se devia livrar deste cativeiro em dia de sábado esta filha de Abraão, a quem Satanás trazia presa há dezoito anos? Tendo Ele dito estas palavras todos os Seus adversários se envergonharam. Entretanto, o povo se alegrava por todos os gloriosos feitos que JESUS realizava".

Podemos desconsiderar as críticas dos dirigentes hipócritas para considerar o milagre. A mulher estava presa; nós, mediante o temor da morte, temos estado toda a nossa vida sujeitos à servidão. Satanás havia escravizado a mulher; Satanás também pôs armadilhas para os nossos pés e tem-nos trazido em servidão. Ela de modo algum poderia soerguer-se; nossas iniqüidades se apossaram de nós, de modo que não somos capazes de olhar para cima. Sal. 40:12. Com uma palavra e um toque, JESUS pôs a mulher em liberdade de sua enfermidade. Temos o mesmo misericordioso Sumo Sacerdote agora no céu, que é tocado com o sentimento de nossas enfermida¬des, e a mesma palavra nos libertará da maldade.

Para que propósito foram os milagres de cura registrados como realizados por JESUS? João nos diz. Não foi simplesmente para mostrar que Ele pode curar a doença, mas para demonstrar o Seu poder sobre o pecado. Ver Mat. 9:2-8. Mas João declara:

"Na verdade fez JESUS diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que JESUS é o CRISTO, o Filho de DEUS, e para que, crendo, tenhais vida em Seu nome". João 20:30,31.

Assim vemos que eles estão registrados simplesmente como ilustrações objetivas do amor de CRISTO, de Sua disposição em dar alívio e de Seu poder sobre as obras de Satanás, não importa se em corpo ou em alma. Um milagre mais é suficiente neste contexto. É aquele registrado em Atos 3. Não citarei o relato completo, mas pedi¬ria aos leitores para segui-lo cuidadosamente em sua Bíblia.

Pedro e João viram junto à entrada do templo um homem com mais de quarenta anos de idade, paralítico desde o nascimento. Ele jamais havia andado. Estava esmolando, e Pedro sentiu-se movido pelo ESPÍRITO a dar-lhe algo melhor do que ouro ou prata. Disse ele: "Em nome de JESUS CRISTO, o Nazareno, anda! E, tomando-o pela mão direita, o levantou; imediatamente os seus pés e artelhos se firmaram; de um salto se pôs em pé, passou a andar e entrou com eles no templo, saltando e louvando a DEUS". Versos 6-8.

Esse notável milagre com alguém que todos haviam visto provocou uma extraordinária comoção entre o povo, e, quando Pedro viu a surpresa deles, passou a contar como a maravilha havia sido realizada, declarando:

"Israelitas, por que vos maravilhais disto, ou por que fitais os olhos em nós como se pelo nosso próprio poder ou piedade o tivéssemos feito andar? O DEUS de Abraão, de Isaque e de Jacó, o DEUS de nossos pais glorificou a Seu Servo JESUS, a Quem vós traístes e negastes perante Pilatos, quando este havia decidido soltá-Lo. Vós, porém, negastes o Santo e o Justo, e pedistes que vos concedessem um homicida. Destarte matastes o Autor da vida, a Quem DEUS ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas. Pela fé no nome de JESUS, esse mesmo nome fortaleceu a este homem que agora vedes e reconheceis; sim, a fé, que vem por meio de JESUS, deu a este saúde perfeita na presença de todos vós". Versos 12-16.

Agora faça a aplicação. O homem "coxo de nascença" era incapaz de ajudar-se. Ele alegremente se disporia a caminhar, mas não podia fazê-lo. Nós, igualmente, podemos todos dizer, com Davi: "Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe". Salmo 51:5. Em conseqüência, somos por natureza tão fracos que não podemos realizar as coisas que gostaríamos. Como cada ano da vida do homem aumentava sua incapacidade de caminhar por ter aumentado o peso de seu corpo, enquanto os membros não cresciam na mesma proporção, assim a repetida prática do pecado, ao nos tornarmos mais velhos, fortalece o seu poder sobre nós. Tratava-se de uma enorme impossibilidade para aquele homem o caminhar; contudo, o nome de CRISTO, mediante a fé, deu-lhe perfeita saúde e liberdade da enfermidade. Assim nós, mediante a fé Nele, podemos ser curados e capacitados a realizar as coisas que até então era-nos impossível cumprir. Pois as coisas que são impossíveis ao homem são possíveis a DEUS. Ele é o Criador.

"Faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor". Isa. 40:29.

Uma das maravilhas da fé, como demonstrada nos casos dos antigos heróis bíblicos, é que"da fraqueza tiraram força". Heb. 11:34.

Nesses exemplos vimos como DEUS liberta da servidão aqueles que confiam Nele. Agora, consideremos o conhecimento de como a liberdade é mantida.

Vimos que nós por natureza somos todos servos do pecado e de Satanás, e que tão logo nos submetemos a CRISTO, somos libertos do poder de Satanás. Declara Paulo: "Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?" Rom. 6:16. Assim, pois, tão logo nos tornamos livres da escravidão do pecado, tornamo-nos servos de CRISTO. Na verdade, o próprio ato de livrar-nos do poder do pecado, em resposta a nossa fé, prova a aceitação de DEUS por nós como Seus servos. Tornamo-nos, na verdade, os servos de CRISTO; mas aquele que é servo do SENHOR é um homem livre, pois somos chamados à liberdade (Gál. 5:13), e onde há o ESPÍRITO do SENHOR, há liberdade. (2 Cor. 3:17).

E agora vem novamente o conflito. Satanás não está disposto a desistir de seu escravo tão prontamente. Ele vem, armado com a lança da tentação feroz, para atrair-nos mais uma vez ao seu serviço. Sabemos por triste experiência que ele é mais poderoso do que somos, e que desajudados não podemos resistir-lhe. Mas tememos o seu poder e clamamos por socorro. Então trazemos à mente que não mais somos servos de Satanás. Submetemo-nos a DEUS, e, portanto, Ele nos aceitou como Seus servos. Podemos então dizer com o salmista: "SENHOR, deveras sou Teu servo, Teu servo, filho da Tua serva; quebraste as minhas cadeias". Sal. 116:16. Mas o fato de ter DEUS quebrado as cadeias que Satanás lançara sobre nós e ele fez isso, se crermos que o fez é evidência de que DEUS nos protegerá, pois Ele se preocupa com os que Lhe pertencem, e temos a segurança de que Aquele que começou uma boa obra em nós "há de completá-la até ao dia de CRISTO JESUS". Fil. 1:6. E nessa confiança somos fortes para resistir.

Novamente, se nos submetemos para ser servos de DEUS, somos Seus servos, ou, noutros termos, instrumentos de justiça em Suas mãos. Leia Rom. 6:13-16. Não somos instrumentos inertes, sem vida, sem sentido, tais como as ferramentas utilizadas pelos agricultores, sem voz sobre como devem ser utilizados, mas instrumentos vivos, inteligentes, tendo a permissão de escolher sua ocupação. Não obstante, o termo "instrumento" significa uma ferramenta algo que está inteiramente sob controle do artesão. A diferença entre nós e as ferramentas do mecânico é que podemos escolher quem nos usará e para que tipo de serviço seremos empregados, mas tendo feito a escolha e submetendo-nos às mãos do trabalhador, devemos estar tão completamente em suas mãos como a ferramenta que não tem decisão quanto à forma por que deve ser usada. Quando nos submetemos a DEUS, deve¬mos estar nas Suas mãos como o barro nas mãos do oleiro, para que possa fazer conosco como Lhe aprouver. Nossa vontade reside em decidir se Lhe permitimos ou não realizar em nós aquilo que é bom.

Essa idéia de sermos instrumentos nas mãos de DEUS é um maravilhoso auxílio à vitória da fé quando é uma vez plenamente assimilada. Pois, note-se que o que um instrumento realiza depende inteiramente da pessoa em cujas mãos se acha. Aqui, por exemplo, é uma máquina de cunhar. Em si mesma é inocente, contudo pode ser empregada para os propósitos mais sórdidos, bem como para aquilo por que é útil. Se estiver nas mãos de alguém de mau caráter pode ser empregada para produzir moedas falsas. Certamente não será empregada para qualquer bom propósito. Mas se estiver nas mãos de um homem reto, virtuoso, não pode possivelmente produzir mal algum. Igualmente, quando éramos servos de Satanás, não realizávamos nenhum bem (Rom. 6:20), mas agora que nos submetemos às mãos de DEUS, sabemos que não há Nele injustiça, e assim um instrumento em Suas mãos não pode ser empregado para um propósito iníqüo. A submissão a DEUS deve ser tão completa quanto anteriormente o foi a Satanás, pois o apóstolo declara:

"Falo como homem, por causa da fraqueza da vossa carne. Assim como oferecestes os vossos membros para a escravidão da impureza, e da maldade para a maldade, assim oferecei agora os vossos membros para servirem à justiça para a santificação". Rom. 6:19.

O inteiro segredo da vitória, portanto, jaz primeiramente em integral submissão a DEUS com um sincero desejo de fazer a Sua vontade; a seguir, sabendo que em nossa submissão Ele nos aceita como Seus servos; e, então, ao manter essa submissão a Ele vivermos em Suas mãos. Freqüentemente a vitória pode ser obtida somente por repetir vez após vez: "SENHOR, deveras sou Teu servo, Teu servo, filho da Tua serva; quebraste as minhas cadeias". Isto é simplesmente uma forma enfática de declarar: t SENHOR, submeti-me às Tuas mãos como um ins¬trumento de justiça; seja feita a Tua vontade, e não os ditames da carne". Mas quando reconhecemos a força dessa passagem e sentimos verdadeiramente que somos servos de DEUS, imediatamente ocorre um pensamento: "Bem, se eu verdadeiramente sou um instrumento nas mãos de DEUS, Ele não pode me usar para fazer o mal, nem pode permitir que eu faça o mal enquanto permanecer em Suas mãos. Ele precisa conservar-me se deva ser guardado do mal, porque não posso guardar-me a mim próprio. Mas Ele deseja resguardar-me do mal, pois revelou o Seu desejo, e também o Seu poder em cumprir o Seu desejo ao dar-Se por mim. Portanto, eu serei guardado desse mal". Todos esses pensamentos podem percorrer imediatamente a mente, e daí com eles deve necessariamente brotar um sentimento de contentamento quanto a sermos guardados da temível iniqüidade. Esse contentamento naturalmente acha expressão em gratidão a DEUS, e enquanto estamos-Lhe sendo gratos, o inimigo retira a sua tentação, e a paz de DEUS enche o coração. Daí descobrimos que a alegria em crer supera em muito todo o gozo que advém da indulgência no pecado.

Tudo isso é uma demonstração das palavras de Paulo: "Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma, antes confirmamos a lei". "Anular" a lei não é abolindo-a, pois homem algum pode abolir a lei de DEUS, contudo o salmista diz que ela foi tornada inválida. Sal. 119:126. Tornar a lei de DEUS nula é algo mais do que alegar ser ela de nenhuma conseqüência; é demonstrar pela vida que é considerada levianamente. Um homem torna a lei de DEUS nula quando permite que não tenha poder sobre a sua vida. Em suma, tornar nula a lei de DEUS é quebrantá-la; mas a lei em si mesma permanece a mesma, observemo-la ou não. Torná-la nula afeta somente o indivíduo.

Portanto, quando o apóstolo diz que não anulamos a lei de DEUS pela fé, mas que, pelo contrário, a confirmamos, quer dizer que a fé não nos leva à violação da lei, mas à obediência a ela. Não, não diríamos que a fé conduz à obediência, mas que a própria fé obedece. Fé confirma a lei no coração. "Fé é a substância das coisas que se espera". Se a coisa esperada for justiça, a fé a confirma. Em vez de a fé conduzir ao antinomismo, é a única coisa que se apresenta contrária ao antinomismo. Não importa quanto uma pessoa se gabe na lei de DEUS; se rejeita ou ignora a implícita fé em CRISTO, ele não está em melhor condição do que o homem que ataca diretamente a lei. O homem de fé é o único que verdadeiramente honra a lei de DEUS. Sem fé é impossível agradar a DEUS (Heb. 11:6), com ela, todas as coisas são possíveis (Marcos 9:23).

Sim, a fé faz o impossível, e é exatamente isso que DEUS requer que façamos. Quando Josué disse a Israel: "Não podeis servir o SENHOR", ele dizia a verdade, contudo era um fato que DEUS requeria deles que O servis¬sem. Não está no poder de homem algum cumprir a justiça, mesmo que o deseje fazer (Gál. 5:17); portanto, é um erro dizer que tudo quanto DEUS deseja é que façamos o melhor possível. Aquele que não passa disso não cumprirá as obras de DEUS. Não. Ele deve fazer melhor do que pode. Ele deve fazer aquilo que somente o poder de DEUS operante mediante ele pode cumprir. É impossível que um homem caminhe sobre a água, contudo Pedro o fez quando exerceu fé em JESUS.

Sendo que todo poder no céu e na Terra está nas mãos de CRISTO e esse poder está à nossa disposição, mesmo que o próprio CRISTO venha habitar no coração pela fé, não há lugar para achar falta com DEUS por requerer de nós realizarmos o impossível; pois "os impossíveis aos homens são possíveis para DEUS". Lucas 18:27. Portanto, podemos ousadamente dizer: "O SENHOR é o meu auxílio, não temerei o que me poderá fazer o homem." Heb. 13:6.

Então, "quem nos separará do amor de CRISTO? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada"? "Em todas as estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio Daquele que nos amou". Rom. 8:35, 37. "Porque estou bem certo de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem coisas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de DEUS, que está em CRISTO JESUS nosso SENHOR".

Capítulo 20 - A herança dos santos

Tomemos agora algumas ilustrações do poder da fé para libertar da escravidão. Citaremos Lucas 13:10-17:

"Ora, ensinava JESUS no sábado numa das sinagogas. E veio ali uma mulher possessa de um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos; andava ela encurvada, sem de modo algum poder endireitar-se. Vendo-a JESUS, chamou-a e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade; e, impondo-lhe as mãos, ela imediatamente se endireitou e dava glória a DEUS. O chefe da sinagoga, indignado de ver que JESUS curava no sábado, disse à multidão: Seis dias há em que se deve trabalhar; vinde, pois, nesses dias para serdes curados, e não no sábado. Disse-lhe, porém, o SENHOR: Hipócritas, cada um de vós não desprende da manjedoura no sábado o seu boi ou o seu jumento, para levá-lo a beber? Por que motivo não se devia livrar deste cativeiro em dia de sábado esta filha de Abraão, a quem Satanás trazia presa há dezoito anos? Tendo Ele dito estas palavras todos os Seus adversários se envergonharam. Entretanto, o povo se alegrava por todos os gloriosos feitos que JESUS realizava".

Podemos desconsiderar as críticas dos dirigentes hipócritas para considerar o milagre. A mulher estava presa; nós, mediante o temor da morte, temos estado toda a nossa vida sujeitos à servidão. Satanás havia escravizado a mulher; Satanás também pôs armadilhas para os nossos pés e tem-nos trazido em servidão. Ela de modo algum poderia soerguer-se; nossas iniqüidades se apossaram de nós, de modo que não somos capazes de olhar para cima. Sal. 40:12. Com uma palavra e um toque, JESUS pôs a mulher em liberdade de sua enfermidade. Temos o mesmo misericordioso Sumo Sacerdote agora no céu, que é tocado com o sentimento de nossas enfermida¬des, e a mesma palavra nos libertará da maldade.

Para que propósito foram os milagres de cura registrados como realizados por JESUS? João nos diz. Não foi simplesmente para mostrar que Ele pode curar a doença, mas para demonstrar o Seu poder sobre o pecado. Ver Mat. 9:2-8. Mas João declara:

"Na verdade fez JESUS diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que JESUS é o CRISTO, o Filho de DEUS, e para que, crendo, tenhais vida em Seu nome". João 20:30,31.

Assim vemos que eles estão registrados simplesmente como ilustrações objetivas do amor de CRISTO, de Sua disposição em dar alívio e de Seu poder sobre as obras de Satanás, não importa se em corpo ou em alma. Um milagre mais é suficiente neste contexto. É aquele registrado em Atos 3. Não citarei o relato completo, mas pedi¬ria aos leitores para segui-lo cuidadosamente em sua Bíblia.

Pedro e João viram junto à entrada do templo um homem com mais de quarenta anos de idade, paralítico desde o nascimento. Ele jamais havia andado. Estava esmolando, e Pedro sentiu-se movido pelo ESPÍRITO a dar-lhe algo melhor do que ouro ou prata. Disse ele: "Em nome de JESUS CRISTO, o Nazareno, anda! E, tomando-o pela mão direita, o levantou; imediatamente os seus pés e artelhos se firmaram; de um salto se pôs em pé, passou a andar e entrou com eles no templo, saltando e louvando a DEUS". Versos 6-8.

Esse notável milagre com alguém que todos haviam visto provocou uma extraordinária comoção entre o povo, e, quando Pedro viu a surpresa deles, passou a contar como a maravilha havia sido realizada, declarando:

"Israelitas, por que vos maravilhais disto, ou por que fitais os olhos em nós como se pelo nosso próprio poder ou piedade o tivéssemos feito andar? O DEUS de Abraão, de Isaque e de Jacó, o DEUS de nossos pais glorificou a Seu Servo JESUS, a Quem vós traístes e negastes perante Pilatos, quando este havia decidido soltá-Lo. Vós, porém, negastes o Santo e o Justo, e pedistes que vos concedessem um homicida. Destarte matastes o Autor da vida, a Quem DEUS ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas. Pela fé no nome de JESUS, esse mesmo nome fortaleceu a este homem que agora vedes e reconheceis; sim, a fé, que vem por meio de JESUS, deu a este saúde perfeita na presença de todos vós". Versos 12-16.

Agora faça a aplicação. O homem "coxo de nascença" era incapaz de ajudar-se. Ele alegremente se disporia a caminhar, mas não podia fazê-lo. Nós, igualmente, podemos todos dizer, com Davi: "Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe". Salmo 51:5. Em conseqüência, somos por natureza tão fracos que não podemos realizar as coisas que gostaríamos. Como cada ano da vida do homem aumentava sua incapacidade de caminhar por ter aumentado o peso de seu corpo, enquanto os membros não cresciam na mesma proporção, assim a repetida prática do pecado, ao nos tornarmos mais velhos, fortalece o seu poder sobre nós. Tratava-se de uma enorme impossibilidade para aquele homem o caminhar; contudo, o nome de CRISTO, mediante a fé, deu-lhe perfeita saúde e liberdade da enfermidade. Assim nós, mediante a fé Nele, podemos ser curados e capacitados a realizar as coisas que até então era-nos impossível cumprir. Pois as coisas que são impossíveis ao homem são possíveis a DEUS. Ele é o Criador.

"Faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor". Isa. 40:29.

Uma das maravilhas da fé, como demonstrada nos casos dos antigos heróis bíblicos, é que"da fraqueza tiraram força". Heb. 11:34.

Nesses exemplos vimos como DEUS liberta da servidão aqueles que confiam Nele. Agora, consideremos o conhecimento de como a liberdade é mantida.

Vimos que nós por natureza somos todos servos do pecado e de Satanás, e que tão logo nos submetemos a CRISTO, somos libertos do poder de Satanás. Declara Paulo: "Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?" Rom. 6:16. Assim, pois, tão logo nos tornamos livres da escravidão do pecado, tornamo-nos servos de CRISTO. Na verdade, o próprio ato de livrar-nos do poder do pecado, em resposta a nossa fé, prova a aceitação de DEUS por nós como Seus servos. Tornamo-nos, na verdade, os servos de CRISTO; mas aquele que é servo do SENHOR é um homem livre, pois somos chamados à liberdade (Gál. 5:13), e onde há o ESPÍRITO do SENHOR, há liberdade. (2 Cor. 3:17).

E agora vem novamente o conflito. Satanás não está disposto a desistir de seu escravo tão prontamente. Ele vem, armado com a lança da tentação feroz, para atrair-nos mais uma vez ao seu serviço. Sabemos por triste experiência que ele é mais poderoso do que somos, e que desajudados não podemos resistir-lhe. Mas tememos o seu poder e clamamos por socorro. Então trazemos à mente que não mais somos servos de Satanás. Submetemo-nos a DEUS, e, portanto, Ele nos aceitou como Seus servos. Podemos então dizer com o salmista: "SENHOR, deveras sou Teu servo, Teu servo, filho da Tua serva; quebraste as minhas cadeias". Sal. 116:16. Mas o fato de ter DEUS quebrado as cadeias que Satanás lançara sobre nós e ele fez isso, se crermos que o fez é evidência de que DEUS nos protegerá, pois Ele se preocupa com os que Lhe pertencem, e temos a segurança de que Aquele que começou uma boa obra em nós "há de completá-la até ao dia de CRISTO JESUS". Fil. 1:6. E nessa confiança somos fortes para resistir.

Novamente, se nos submetemos para ser servos de DEUS, somos Seus servos, ou, noutros termos, instrumentos de justiça em Suas mãos. Leia Rom. 6:13-16. Não somos instrumentos inertes, sem vida, sem sentido, tais como as ferramentas utilizadas pelos agricultores, sem voz sobre como devem ser utilizados, mas instrumentos vivos, inteligentes, tendo a permissão de escolher sua ocupação. Não obstante, o termo "instrumento" significa uma ferramenta algo que está inteiramente sob controle do artesão. A diferença entre nós e as ferramentas do mecânico é que podemos escolher quem nos usará e para que tipo de serviço seremos empregados, mas tendo feito a escolha e submetendo-nos às mãos do trabalhador, devemos estar tão completamente em suas mãos como a ferramenta que não tem decisão quanto à forma por que deve ser usada. Quando nos submetemos a DEUS, deve¬mos estar nas Suas mãos como o barro nas mãos do oleiro, para que possa fazer conosco como Lhe aprouver. Nossa vontade reside em decidir se Lhe permitimos ou não realizar em nós aquilo que é bom.

Essa idéia de sermos instrumentos nas mãos de DEUS é um maravilhoso auxílio à vitória da fé quando é uma vez plenamente assimilada. Pois, note-se que o que um instrumento realiza depende inteiramente da pessoa em cujas mãos se acha. Aqui, por exemplo, é uma máquina de cunhar. Em si mesma é inocente, contudo pode ser empregada para os propósitos mais sórdidos, bem como para aquilo por que é útil. Se estiver nas mãos de alguém de mau caráter pode ser empregada para produzir moedas falsas. Certamente não será empregada para qualquer bom propósito. Mas se estiver nas mãos de um homem reto, virtuoso, não pode possivelmente produzir mal algum. Igualmente, quando éramos servos de Satanás, não realizávamos nenhum bem (Rom. 6:20), mas agora que nos submetemos às mãos de DEUS, sabemos que não há Nele injustiça, e assim um instrumento em Suas mãos não pode ser empregado para um propósito iníqüo. A submissão a DEUS deve ser tão completa quanto anteriormente o foi a Satanás, pois o apóstolo declara:

"Falo como homem, por causa da fraqueza da vossa carne. Assim como oferecestes os vossos membros para a escravidão da impureza, e da maldade para a maldade, assim oferecei agora os vossos membros para servirem à justiça para a santificação". Rom. 6:19.

O inteiro segredo da vitória, portanto, jaz primeiramente em integral submissão a DEUS com um sincero desejo de fazer a Sua vontade; a seguir, sabendo que em nossa submissão Ele nos aceita como Seus servos; e, então, ao manter essa submissão a Ele vivermos em Suas mãos. Freqüentemente a vitória pode ser obtida somente por repetir vez após vez: "SENHOR, deveras sou Teu servo, Teu servo, filho da Tua serva; quebraste as minhas cadeias". Isto é simplesmente uma forma enfática de declarar: t SENHOR, submeti-me às Tuas mãos como um ins¬trumento de justiça; seja feita a Tua vontade, e não os ditames da carne". Mas quando reconhecemos a força dessa passagem e sentimos verdadeiramente que somos servos de DEUS, imediatamente ocorre um pensamento: "Bem, se eu verdadeiramente sou um instrumento nas mãos de DEUS, Ele não pode me usar para fazer o mal, nem pode permitir que eu faça o mal enquanto permanecer em Suas mãos. Ele precisa conservar-me se deva ser guardado do mal, porque não posso guardar-me a mim próprio. Mas Ele deseja resguardar-me do mal, pois revelou o Seu desejo, e também o Seu poder em cumprir o Seu desejo ao dar-Se por mim. Portanto, eu serei guardado desse mal". Todos esses pensamentos podem percorrer imediatamente a mente, e daí com eles deve necessariamente brotar um sentimento de contentamento quanto a sermos guardados da temível iniqüidade. Esse contentamento naturalmente acha expressão em gratidão a DEUS, e enquanto estamos-Lhe sendo gratos, o inimigo retira a sua tentação, e a paz de DEUS enche o coração. Daí descobrimos que a alegria em crer supera em muito todo o gozo que advém da indulgência no pecado.

Tudo isso é uma demonstração das palavras de Paulo: "Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma, antes confirmamos a lei". "Anular" a lei não é abolindo-a, pois homem algum pode abolir a lei de DEUS, contudo o salmista diz que ela foi tornada inválida. Sal. 119:126. Tornar a lei de DEUS nula é algo mais do que alegar ser ela de nenhuma conseqüência; é demonstrar pela vida que é considerada levianamente. Um homem torna a lei de DEUS nula quando permite que não tenha poder sobre a sua vida. Em suma, tornar nula a lei de DEUS é quebrantá-la; mas a lei em si mesma permanece a mesma, observemo-la ou não. Torná-la nula afeta somente o indivíduo.

Portanto, quando o apóstolo diz que não anulamos a lei de DEUS pela fé, mas que, pelo contrário, a confirmamos, quer dizer que a fé não nos leva à violação da lei, mas à obediência a ela. Não, não diríamos que a fé conduz à obediência, mas que a própria fé obedece. Fé confirma a lei no coração. "Fé é a substância das coisas que se espera". Se a coisa esperada for justiça, a fé a confirma. Em vez de a fé conduzir ao antinomismo, é a única coisa que se apresenta contrária ao antinomismo. Não importa quanto uma pessoa se gabe na lei de DEUS; se rejeita ou ignora a implícita fé em CRISTO, ele não está em melhor condição do que o homem que ataca diretamente a lei. O homem de fé é o único que verdadeiramente honra a lei de DEUS. Sem fé é impossível agradar a DEUS (Heb. 11:6), com ela, todas as coisas são possíveis (Marcos 9:23).

Sim, a fé faz o impossível, e é exatamente isso que DEUS requer que façamos. Quando Josué disse a Israel: "Não podeis servir o SENHOR", ele dizia a verdade, contudo era um fato que DEUS requeria deles que O servis¬sem. Não está no poder de homem algum cumprir a justiça, mesmo que o deseje fazer (Gál. 5:17); portanto, é um erro dizer que tudo quanto DEUS deseja é que façamos o melhor possível. Aquele que não passa disso não cumprirá as obras de DEUS. Não. Ele deve fazer melhor do que pode. Ele deve fazer aquilo que somente o poder de DEUS operante mediante ele pode cumprir. É impossível que um homem caminhe sobre a água, contudo Pedro o fez quando exerceu fé em JESUS.

Sendo que todo poder no céu e na Terra está nas mãos de CRISTO e esse poder está à nossa disposição, mesmo que o próprio CRISTO venha habitar no coração pela fé, não há lugar para achar falta com DEUS por requerer de nós realizarmos o impossível; pois "os impossíveis aos homens são possíveis para DEUS". Lucas 18:27. Portanto, podemos ousadamente dizer: "O SENHOR é o meu auxílio, não temerei o que me poderá fazer o homem." Heb. 13:6.

Então, "quem nos separará do amor de CRISTO? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada"? "Em todas as estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio Daquele que nos amou". Rom. 8:35, 37. "Porque estou bem certo de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem coisas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de DEUS, que está em CRISTO JESUS nosso SENHOR".